Venha comemoração, permaneça perdão!

Rafaella Domingues,

As datas comemorativas preocupam as pessoas. Aniversário, dia das mães, Natal, Ano Novo e tantas outras datas existentes no nosso calendário acabam por gerar preocupação e ansiedade naqueles que tentam cumprir as agendas cheias de compromissos sociais e  buscam dar conta das infindáveis demandas de ordem material.

Com a Páscoa não é diferente. Mais uma vez, a ordem dos valores é invertida. O momento da Ressureição de Jesus traz, para muitos, a mais profunda reflexão e reforma íntima, acompanhada, às vezes, por sacrifícios físicos empenhados em purificar o corpo e a alma. Essas pessoas buscam o crescimento espiritual. Em outros (muitos) casos, a reforma é material, somente do corpo. As escolhas são voltadas para as promessas de não comer carne, não comer doces e frituras, não beber, a usar determinada cor de roupa e outros infindáveis “sacrifícios”.

Outro dia conversando com um amigo que se diz ateu, fui tocada por sua sensibilidade. Ele revelou que obviamente não faz nenhum desses sacrifícios ou intenções, uma vez que não comunga dessa ideia, mas afirmou que costuma, nos seus dias, independente da época do ano, exercitar o perdão! Esse era o seu maior sacrifício. Imediatamente pensei: que exercício de alta complexidade espiritual! Ele me fez lembrar da oração de São Francisco de Assis: “Ó, Mestre! Fazei que eu procure mais, consolar que ser consolado, compreender que ser compreendido, amar que ser amado, pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado...”

É perdoando que se é perdoado!  

Humano (assim vou chamá-lo aqui) continua refletindo sobre como é difícil perdoar o outro em qualquer situação, seja na vida pessoal ou profissional. Ele lembra como é árdua a tarefa de perdoar um amigo que decepciona, um pai cruel que fere, um chefe prepotente que massacra, um colega de trabalho que “puxa o tapete”, uma namorada infiel. É difícil perdoar, não é?

E é perdoando que se é perdoado!

E perdoar não é ser passivo, submisso, tolo. Perdoar é ser pacificador, é buscar a paz, de si mesmo e do mundo, lembra Humano. Ele, nem um pouco passivo, toma as rédeas da sua vida, se responsabiliza por si mesmo e diz que escolhe perdoar porque essa atitude traz benefícios para ele mesmo e não para quem o recebe. Humano sente que precisa perdoar para conseguir caminhar pela vida de forma mais leve, sem o peso da amargura e das cenas de decepção que marcam os seus dias com desesperança, o impedindo de seguir adiante e traçar novos projetos para a sua vida.  

Perdoar é uma atitude sábia. Independentemente de como somos movidos a perdoar, seja por questões religiosas ou não, por compaixão, por amor próprio, não importa. O perdão nos restaura. O perdão nos liberta. O perdão nos presenteia com uma vida nova. E assim, ressucitamos para um novo dia, para um novo ciclo. Preciso perdoar para sarar o meu coração, assim finalizou o amigo querido. Humanos que somos, ele, eu e você, sentimos, erramos, magoamos, acertamos e podemos, todos nós, escolher o caminho do perdão. Ele nos lembra que somos humanos, aprendizes da vida.  

São tantas oportunidades de (re)pensar a vida! Que todas as datas especiais sejam momentos de reflexão sobre a nossa passagem, rápida, por essa vida, como canta Ana Vilela: “ a vida é trem bala parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir”. É preciso seguir, sem amarras, sem mágoas, com leveza.

É perdoando que se é perdoado!

É perdoando que sigo em frente!

É perdoando que me perdoo também!   


Tags: comemoração perdão
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