“Empresas de ônibus vão entrar em colapso próximo mês”, diz Nilson Queiroga

Consultor do Seturn diz que categoria terá que parar atividades caso não haja desoneração de impostos.

Rafael Araújo,
Nominuto/Arquivo
Sem subsídios ou desoneração de impostos, ônibus de Natal podem parar de circular no próximo mês.
O transporte público de Natal poderá entrar em colapso a partir do próximo mês, é o que aponta o consultor técnico do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos (Seturn), Nilson Queiroga. Segundo o sindicalista, a categoria não tem mais condições de operar na cidade diante da carga tributária imposta pela Prefeitura do Natal e Governo do Estado.

De acordo com Nilson Queiroga, as empresas precisam do apoio do poder público para continuar operando na cidade. E, para isso, a isenção do Imposto Sobre Serviços (ISS) e do Imposto Sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) é essencial.

“As empresas estão quebradas e está difícil até para comprar o diesel. Não há receita sequer para pagamento do salário dos funcionários. Inclusive, não teremos condições de pagá-los neste mês. Por isso, apelamos para que a Prefeitura do Natal subsidie a folha e isente a categoria do ISS, caso contrário, os ônibus vão parar no próximo mês”, revelou o consultor.

Nilson Queiroga revelou que esteve recentemente com o prefeito de Natal, Álvaro Dias, e lamentou que o gestor da cidade tenha recuado da decisão de isentar a categoria da cobrança de ISS.

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“O prefeito sabe que não temos condições de continuar operando sem desoneração de impostos e ele até tinha reconhecido isso e dito que ia conceder a isenção. Contudo, na última reunião que tivemos, ele disse que só iria cortar caso o Governo do Estado fizesse o mesmo. Ele disse isso porque sabe que Fátima Bezerra não vai conceder a isenção”, lamenta.

Caro para o passageiro e inviável para as empresas

Durante a entrevista ao portal Nominuto.com, o sindicalista reconheceu que a tarifa atual é cara para o passageiro de ônibus de Natal, mas disse também que ela é inviável para as empresas.

“Já faz anos que eu digo que a tarifa aqui é cara para o usuário e insuficiente para a categoria. Isso acontece porque tem muita gratuidade – a cada cinco pessoas que anda de ônibus no Brasil, em média, uma não paga. Em Natal, esse número sobe para três”, destaca Queiroga.

Ele ainda disse que, sem o subsídios ou desoneração de impostos, a tarifa ideal para a categoria seria de R$ 15. 

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU) para falar sobre a situação, mas a pasta informou que não iria se pronunciar sobre o assunto no momento. 

Tags: Ônibus Passagem Seturn Tarifa Transportes
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