“Indicar pontos de blitz é uma atitude de apologia ao crime”, afirma Tenente Styvenson

A última Operação Lei Seca realizada na Grande Natal foi no último domingo (14). Uma barreira de fiscalização foi montada de 3h30 até às 6h30, na praia de Cotovelo, Litoral sul do Estado.

Rafael Araújo,
Arquivo FD/Trânsito
Motoristas utilizam ferramentas para auxiliá-los a encontrar rotas de fuga para escapar das barreiras montadas.

As blitze da Operação Lei Seca já fazem parte do cotidiano dos natalenses. A Polícia Militar vem intensificando as fiscalizações. Em contrapartida, os condutores têm usado algumas artimanhas para fugir das barreiras montadas.

Os motoristas utilizam ferramentas para auxiliá-los a encontrar rotas de fuga para escapar das barreiras montadas. No entanto, o tenente Styvenson da Polícia Militar faz um alerta para os condutores que utilizam esse tipo de ferramenta. “Esse mesmo aplicativo que eles usam está aberto para todos, então a mesma ferramenta que eles estão usando, nós também utilizamos. Os condutores geralmente marcam os pontos de blitz e a partir daí traçam as vias alternativas. Em contrapartida, nós visualizamos essas rotas de fuga pelo aplicativo e deslocamos parte do efetivo para esses locais”, afirma Styvenson.

Ele ressalta ainda que os agentes da Operação Lei Seca utilizam todas as ferramentas que traçam as rotas de fuga. “Nós temos dois policiais que ficam monitorando as redes sociais e os aplicativos. Eles ficam atentos às rotas de fuga e nos informam sobre elas, e a partir daí, nós deslocamos alguns agentes para fazer pequenas barreiras nessas vias alternativas”, comenta.

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De acordo com o Tenente, quem marca os pontos de blitz está realizando uma prática de apologia ao crime. “Indicar pontos de blitz é uma atitude de apologia ao crime. Não sabemos se as pessoas que estão vindo nos veículos estão dirigindo sob efeito de álcool, se estão com drogas, ou até mesmo se estão fugindo de algum crime. Ou seja, as pessoas que apontam os pontos de barreiras, podem estar também auxiliando criminosos”, ressalta.

A principal ferramenta que os motoristas utilizam para ficar informados sobre os pontos de blitz é o aplicativo Waze. O programa é baseado em navegação geográfica. E é desenvolvido para smartphones com suporte para GPS. O sistema utiliza informações de usuários para determinar as velocidades médias em cada trecho e com isso calcular as trajetórias mais rápidas. Também é possível trocar informações com outros usuários do aplicativo. A partir dessa troca de informações, os condutores começaram a utilizá-lo para apontar (marcar) os pontos de blitz da Operação Lei Seca.

O Nominuto também entrou em contato com um motorista que utiliza os serviços do aplicativo Waze e das redes sociais. De acordo com o condutor A.K – que terá sua identidade preservada – ele não costuma utilizar os aplicativos para traçar rotas alternativas. “Já tentei usar o Waze para saber das rotas de fuga, no entanto, não confio nas informações que deixam lá, pois muitas vezes elas são falsas”, comenta.

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Segundo o condutor, as barreiras de fiscalização são montadas nos mesmos locais e por isso ele já conhece as rotas alternativas.  “Eu utilizo as rotas de fuga que conheço. Geralmente as pessoas que saem para as baladas da cidade já conhecem as rotas alternativas”, afirma.

A última Operação Lei Seca realizada na Grande Natal foi no último domingo (14). Uma barreira de fiscalização foi montada de 3h30 até às 6h30, na praia de Cotovelo, Litoral sul do Estado. De acordo com o Tenente Styvenson, foram realizados mais de 600 testes de bafômetro durante esta blitz.

A ação foi realizada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Polícia Militar e Polícia Civil. Além dos condutores presos, outras onze pessoas tiveram suas Carteiras Nacionais de Habilitação recolhidas administrativamente. Ao todo, dezesseis motoristas tiveram suas carteiras recolhidas.

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Estatísticas em 2014

A Polícia Militar em conjunto com o Departamento Nacional de Trânsito e a Polícia Civil, já realizou 45 barreiras de fiscalização de janeiro até agosto deste ano. Foram abordados 26.111 condutores, 1.977 deles tiveram suas Carteiras Nacionais de Habilitação (CNH) recolhidas. Durante as blitz, 567 motoristas foram presos pela infração de dirigir sob a influência de álcool – o que configura crime de trânsito. Nesses casos, além das sanções administrativas, o condutor pode ser punido com prisão de seis meses a três anos.  

Foram realizados 25.076 testes de etilômetro (Bafômetro) e 1.079 condutores se negaram a fazer o teste.  

Em média, cinco blitzes da Operação Lei Seca são realizadas por mês pela Polícia Militar. Dos 2.260 condutores autuados, 1.977 tiveram suas carteiras de habilitação apreendidas. Os demais 283 motoristas se encontravam sem habilitação ou eram inabilitados.

Dentre as autuações registradas, 47,74% foram a partir de recusas ao teste do bafômetro.

Tags: Blitz Polícia Militar Tenente Styvenson
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