Randolfe quer convocar chanceler ao Senado após recusa de ajuda da Argentina à Bahia

Senador da Rede ainda afirmou que pedirá ao TCU que verba usada por Bolsonaro durante folga em Santa Catarina seja revertida para enfrentar a crise.

Da redação, Estadão Conteúdo ,
Agência Senado
O parlamentar disse que também pretende pedir ao Tribunal de Contas que o dinheiro gasto pelo presidente Jair Bolsonaro em sua viagem de lazer.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou nesta quarta-feira, 29, que pretende convocar o ministro Carlos França, das Relações Exteriores, para prestar esclarecimento no Senado sobre a recusa do governo federal à ajuda humanitária oferecida pela Argentina para a Bahia. O parlamentar disse que também pretende pedir ao Tribunal de Contas da União (TCU) que o dinheiro gasto pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em sua viagem de lazer a Santa Catarina seja devolvido para o enfrentamento da crise.

Pré-candidato à Presidência da República, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-RS) também se movimenta diante das mortes e dos estragos provocados pelas chuvas na Bahia. Ele apresentou ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), um requerimento de convocação da Comissão Representativa do Congresso para tratar do socorro para as áreas atingidas.

O governo da Bahia informou na quarta-feira que o governo Bolsonaro dispensou uma oferta de ajuda humanitária da Argentina para vítimas das enchentes no sul do Estado. O presidente argentino, Alberto Fernández, ofereceu o envio de uma missão internacional com dez profissionais especializados nas áreas de logística, água, saneamento e apoio psicossocial para vítimas de desastres naturais. Segundo o governador da Bahia, Rui Costa (PT), a ajuda incluía, por exemplo, a oferta de comprimidos que tornam a água potável.

Em resposta à Argentina, o Itamaraty disse que o governo federal enfrenta o desastre "com a mobilização interna de todos os recursos financeiros e de pessoal necessários". A recusa gerou repercussão negativa entre a classe política. O ex-governador e pré-candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) chamou o governo Bolsonaro de “criminoso” e lembrou que situação semelhante ocorreu em janeiro deste ano, em meio à escassez de oxigênio hospitalar em Manaus. 

Na ocasião, o governo federal rejeitou uma oferta de cooperação da Venezuela. "Nas duas ocasiões, fez isto por capricho, disputa ideológica e por gostar de flertar com a morte de inocentes", escreveu Ciro.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) classificou a atitude do Itamaraty como "vil" e acusou a administração federal de agir por motivações políticas. "Isso é absolutamente vil e repugnante. Fazer politicagem rasteira negando ajuda ao povo da Bahia. Espero que mudem de ideia amanhã. Ou que a Justiça mais uma vez anule essa decisão administrativa imoral", afirmou.

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