Diretor da Prevent Senior alega falta de 'tempo hábil' e depoimento na CPI é adiado

Senadores apuram se pacientes foram assediados a fazer tratamento precoce.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Pedro França/Agência Senado
Presidente da CPI, Omar Aziz, conversa com os senadores Humberto Costa e Randolfe Rodrigues.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid foi informada nesta manhã de quinta-feira (16) que o diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, não comparecerá ao depoimento marcado para hoje no colegiado. Ainda assim, a sessão está mantida. Em nota, a Prevent Senior justificou a ausência pela falta de "tempo hábil", já que "o prazo mínimo para atender a uma convocação desta natureza é de 48 horas".

Por causa do revés na agenda, a secretaria da comissão informou que os senadores devem dedicar o dia à votação de requerimentos. Nesta quarta-feira (15), a comissão enviou um e-mail ao departamento jurídico da Prevent Senior com a intimação de Batista. O e-mail foi recebido no final da tarde do mesmo dia e encaminhado à defesa do diretor, que afirmou que não iria comparecer.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB), defendeu que seja pedida a condução coercitiva de Batista, para que ele possa ser ouvido "imediatamente". Segundo Calheiros, a sessão de hoje deve ser usada para apresentar ao País os motivos pela convocação do diretor da Prevent Senior à comissão. "Não tem sentido absolutamente nenhum nós encerrarmos os trabalhos" sem ouvir o depoimento do representante da Prevent Senior.

No início da sessão, o senador Humberto Costa (PT), autor do requerimento de convocação de Batista, sugeriu que ele seja reconvocado para depor na próxima semana.

Em nota, a Prevent Senior reitera que prestou todos os esclarecimentos encaminhados pela CPI nos últimos meses e que continua à disposição para quaisquer esclarecimentos complementares. A expectativa dos senadores era de que o depoimento de Batista esclarecesse a suspeita de pressão para que médicos conveniados à operadora prescrevessem medicamentos do chamado tratamento precoce para a covid-19, que inclui medicamentos contra-indicados ou sem eficácia comprovada no combate à doença. Como mostrou o Estadão, o Ministério Público de São Paulo (MPE) apura o caso.

Os senadores apuram ainda denúncias de pacientes da Prevent Senior, que teriam sido assediados para aceitar o tratamento precoce. Esse tipo de abordagem para enfrentar a doença, que inclui substâncias como a hidroxicloroquina e a ivermectina, tem sido defendida e foi publicizada ao longo da pandemia pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista dada à GloboNews, nesta manhã, o senador Humberto Costa afirmou que “não há hipótese de terminar a CPI sem ouvir Prevent Senior”. Batista é tenente médico da reserva do Exército. Nas redes sociais, ele afirma que iniciou sua carreira na base de operação médica nos serviços de emergência da Prevent Senior, onde hoje é o “atual responsável pela expansão da empresa no Brasil e EUA”.

Ainda não há nova data para o depoimento, que deve ocorrer também sob impacto de denúncia revelada nesta manhã pela GloboNews de que a Prevent Senior teria ocultado mortes de pacientes que participaram de um estudo sobre a eficácia da hidroxicloroquina associada à azitromicina no tratamento da covid. Segundo a reportagem, a pesquisa teve apoio do presidente Jair Bolsonaro e tem sido usada na defesa da prescrição da hidroxicloroquina.

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