Vacina de Oxford produz resposta imunológica em idosos e jovens, diz AstraZeneca

Imunizante está sendo testado no Brasil; reações adversas à vacina foram menores entre idosos.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Reuters
Vacina AZD1222 deve gerar proteção por um ano, segundo declaração feita em junho pelo diretor presidente da AstraZeneca.

SELO-CORONA-100A vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford produz resposta imunológica similar em adultos mais velhos e mais jovens e tem reações adversas menores entre os idosos, anunciou a farmacêutica AstraZeneca nesta segunda-feira (26). A vacina, produzida em parceria entre Oxford e a AstraZeneca, está sendo testada no Brasil.

Uma vacina eficaz é vista como divisor de águas na luta contra o novo coronavírus, que já matou mais de 1,1 milhão de pessoas, abalou a economia global e impactou a vida de milhões em todo o mundo.

“É animador ver que as respostas imunológicas foram similares entre adultos mais velhos e mais jovens e que as reações adversas foram menores em adultos mais velhos, que têm maior risco de gravidade da doença”, disse um porta-voz da AstraZeneca à agência Reuters. “Esses resultados ajudam a construir a evidência para a segurança e imunogenicidade da AZD1222”, disse o porta-voz, ao usar o nome técnico da vacina.

A notícia de que pessoas mais velhas produzem resposta imunológica com a vacina é positiva porque o sistema imunológico enfraquece com a idade e os mais melhos têm maior risco de morrer com a covid-19.

Segundo o The Financial Times, a vacina provoca a produção de anticorpos e células T em idosos. A vacina de Oxford/AstraZeneca deve ser uma das primeiras a ser aprovadas, junto com as da Pfizer e BioNTech.

Exames de sangue que testam a imunogenicidade feitos em pacientes mais velhos corroboram resultados divulgados em julho, que mostraram que a vacina gera “respostas imunes robustas” em um grupo de adultos saudáveis de 18 a 55 anos, disse o Financial Times.

Detalhes dos novos resultados devem ser divulgados em breve em uma publicação científica, de acordo com o Financial Times.

O ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, disse que uma possível vacina ainda não está pronta, mas o governo já prepara a logística de distribuição. Ele acredita que a vacinação pode ocorrer no primeiro semestre de 2021.

Em entrevista à BBC, Hancock foi questionado sobre a possibilidade de vacinação ainda neste ano. “Eu não descarto (a possibilidade), mas não é a minha real expectativa. O programa (de desenvolvimento da vacina) está indo bem, mas ainda não chegamos lá”, disse ele.

A vacina AZD1222 deve gerar proteção por um ano, segundo declaração feita em junho pelo CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot. A farmacêutica britânica firmou parcerias com fornecedores e governos em todo o mundo, incluindo o Brasil.

Segundo o jornal The Sun, funcionários de um hospital de Londres foram informados de que devem se preparar para receber as primeiras doses da vacina na semana do dia 2 de novembro.

Testes no Brasil

Ao todo, 10 mil voluntários participam dos testes da vacina no Brasil, realizados pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). No final de junho, o governo brasileiro anunciou um acordo de cooperação com a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca para a produção em território nacional da vacina. O imunizante será fabricado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

No início deste mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu início ao processo de revisão de dados para registro da vacina no Brasil, realizado por submissão contínua, ou seja, as informações são avaliadas conforme se tornam disponíveis, não apenas no momento de um pedido formal.

Tags: Covid-19 novo coronavírus Oxford vacina
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