Surto de Ebola: entenda a doença que não tem cura

Após primeiro caso suspeito no Brasil, poucas pessoas estão conscientes sobre os riscos dessa doença.

Kyberli Gois,
FD/Saúde
Após primeiro caso suspeito no Brasil, poucas pessoas estão conscientes sobre os riscos dessa doença.

Na semana em que um caso suspeito do vírus ebola foi registrado no Brasil, muitos brasileiros ainda desconhecem a doença, que já matou milhares de pessoas na África Ocidental, onde foram constatados os primeiros casos de um surto sem precedentes, e ultrapassaram as fronteiras do continente, chegado a América e Europa.

A doença não é bem uma novidade. O ebola foi identificado pela primeira vez em 1976, em uma vila chamada Ebola, localizada na República Democrática do Congo, inicialmente em macacos, chimpanzés e outros primatas não humanos. Desde então, surtos esporádicos ocorrem ao longo de décadas, porém, nenhum como o da atualidade, com um número significativo de letalidade.

Já foram constatados cinco subtipos do vírus, sendo eles EbolaZaire, Ebola-Sudão, Ebola-Costa do Marfim, Ebola-Bundibugyo e Ebola-Reston, sendo este último encontrado somente nas Filipinas e único que não afeta seres humanos, somente animais. O atual surto é do ebola-zaire.

O ebola é transmitido pelo contato direto com o sangue, fluidos corporais e tecidos de animais ou pessoas infectadas. Não há casos de transmissão sem contato físico direto com a pessoa doente. Após a contaminação, o período de incubação do vírus pode demorar de dois dias a três semanas.

Já os sintomas podem aparecer de dois a 21 dias após a exposição ao vírus, e incluem principalmente febre, além de fraqueza extrema, dores musculares e dor de garganta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Porém, à medida que a doença avança, o paciente pode sofrer com vômitos, diarreias e, em alguns casos, hemorragia interna e externa.

O diagnóstico se torna difícil já que a doença pode ser facilmente confundida enfermidades como gripe, dengue hemorrágica, febre tifoide e malária. Mas, a partir do momento que o vírus é identificado, o paciente deve ser isolado e os serviços de saúde notificados.

Não há cura para o ebola, e nem uma vacina, embora algumas, assim como tratamentos clínicos, estejam em testes. O tratamento disponível é destinado ao alívio dos sintomas e inclui fluidos intravenosos, transfusões de sangue, medicamentos para tratar choque e para a dor. Já a incidência de mortes, os especialistas ainda não conseguiram determinar os fatores para recuperação de uns e falecimento de outros, em maioria por falência múltipla dos órgãos ou desidratação.

Casos registrados pelo mundo
O surto atual tem a particularidade de ter se iniciado na Guiné, chegando aos países vizinhos Libéria e Serra Leoa. Todos com sistemas de saúde frágeis e sem recursos para combater o vírus. Além dos já citados, a Nigéria e Senegal também registraram casos. Fora da África houve casos da doença, nos Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha e Noruega.

Suspeita de ebola no Brasil
O caso suspeito de ebola foi notificado na quinta-feira (9), em uma Unidade de Pronto-Atendimento em Cascavel, no Paraná, e o paciente foi transferido na sexta (10) para tratamento no Rio de Janeiro. Souleymane Bah saiu da Guiné, na África Ocidental, no dia 18 de setembro, com conexão no Marrocos, e chegou ao Brasil em 19 de setembro. Por apresentar febre e ter vindo de um dos países com casos da doença, o caso foi classificado como suspeito.

Porém o Ministério da Saúde divulgou na manhã de sábado (11) o resultado do exame para diagnóstico. O resultado do teste preliminar deu negativo, no entanto, a confirmação só deve ocorrer depois de um segundo exame, cuja amostra será coletada amanhã (12), 48 horas portanto após a coleta da primeira.

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