Pela primeira vez São Paulo não registra morte por covid-19 no Estado

Apesar da ausência de mortes nos registros desta segunda-feira, a média móvel de óbitos em São Paulo está em 73, mas há quase um mês abaixo de 100.

Da redação, Estadão Conteúdo ,
Agência Brasil
Além dele, outros sete Estados também não registraram mortes: Acre, Amapá, Goiás, Minas Gerais, Rondônia, Roraima e Sergipe.

O Estado de São Paulo não registrou nesta segunda-feira, 8, qualquer óbito por covid-19. Segundo o governo, é a primeira vez que isso ocorre desde o início da pandemia - no ano passado em algumas datas nos meses de novembro e dezembro os registros também estiveram sem óbito, mas por causa de problemas no sistema. Além dele, outros sete Estados também não registraram mortes: Acre, Amapá, Goiás, Minas Gerais, Rondônia, Roraima e Sergipe.

"Habitualmente durante as segundas-feiras os dados divulgados são abaixo da média semanal, já que os municípios registram os óbitos no sistema oficial Sivep-gripe durante o domingo. No entanto, desde que a primeira morte pelo novo coronavírus foi registrada no Estado em março de 2020, este fato ainda não havia acontecido nenhuma vez", disse a Secretaria de Estado da Saúde.

Apesar da ausência de mortes nos registros desta segunda-feira, a média móvel de óbitos em São Paulo está em 73, mas há quase um mês abaixo de 100. O governo ainda anunciou que foram registrados 359 novos casos, totalizando 4.413.241. Já o número de mortes no Estado desde o início da pandemia é 152.527. A taxa de ocupação dos leitos de UTI está em 24,5%.

Só para se ter uma ideia da importância do número desta segunda-feira, é que em 1º de abril o Estado havia atingido a média móvel de 890 mortes, um recorde. Por meses os números estiveram em patamares elevados, mas em 12 de outubro baixou da marca de 100 óbitos e desde então se manteve abaixo disso.

A média móvel desta segunda-feira de 73 mortes fica abaixo das 75 registradas no dia anterior e no terceiro dia de queda. Mesmo assim, os números já estiveram mais baixos e até por isso, apesar do simbolismo de nenhuma morte registrada nas últimas 24 horas, ainda existe uma precaução de se manter as medidas de combate ao coronavírus, como manter o distanciamento social, bom higiene das mãos e uso de máscaras faciais.

Ao mesmo tempo que vê diminuir o número de mortes nos últimos meses, o Estado de São Paulo conseguiu acelerar a vacinação contra a covid-19 e já tem quase 70% de sua população totalmente imunizada com as duas doses ou dose única da Jansen. No total, mais de 73 milhões de doses foram aplicadas.

Na semana passada, a cidade de São Paulo já havia registrado apenas uma morte por covid-19 em 24 horas. Isso ocorreu na quinta-feira e foi motivo de comemoração pelo secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido. "É um fato fantástico que mostra o controle da pandemia e a eficácia da vacina", disse na ocasião.

Nas UTIs da capital paulista, o número de internações por covid tem caído nos últimos meses e, principalmente, desde o mês passado. Hoje, são raros os casos graves que chegam aos hospitais públicos ou privados e, quando chegam, estão em sua maioria relacionados a alguma comorbidade, como imunossupressão ou obesidade.

“O número de admissões da forma grave da doença tem caído sistematicamente, o que faz com que o perfil dos pacientes tenha mudado”, observa Jaques Sztajnbok, médico intensivista e supervisor da UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. “Notamos que [os novos pacientes] têm comorbidades, mas sem a vacinação completa ou seis meses depois de completarem o esquema vacinal. Geralmente, é quem não tem a vacinação completa e idade aumentada, como idosos que não tomaram a terceira dose.”

No Hospital Albert Einstein, o panorama é similar. A enfermeira Claudia Laselva, diretora de operações da unidade Morumbi, observa que o ritmo de internações “tem diminuído de maneira bastante rápida”, especialmente após a “segunda onda” da covid, que atingiu seu pico entre o final de março e abril deste ano. Hoje, são apenas 12 pacientes internados, dos quais apenas três estão em UTI.

A diminuição foi tanta que o Einstein agora planeja revisar o total de leitos disponíveis apenas para a covid e diminuir o total atual de 22. No Emílio Ribas, as 12 vagas atuais têm servido também para receber pacientes soropositivos, uma especialidade pela qual o hospital é internacionalmente reconhecido. “A segunda onda foi bem interessante porque tivemos aquele pico entre 22 de março e 1 de abril e, depois, o número começou a cair de maneira bastante consistente. Efetivamente, podemos dizer que, a partir de 10 de outubro, os números só diminuíram. Hoje, estamos no nosso menor percentual”, aponta Claudia.

Futuro otimista, com cautela

Tanto Jaques quanto Claudia afirmam estar otimistas com o futuro da pandemia no Estado e no País, mas também pedem cautela quanto à flexibilização de medidas restritivas, em especial à liberação da máscara em locais fechados. “Esse é o grande receio: o fato de estarmos virando o jogo a nosso favor não significa que podemos ‘desguarnecer’ a nossa defesa”, observa Sztajnbok. 

“Por isso vemos com grande preocupação a flexibilização do uso de máscara, porque vários lugares no mundo fizeram isso e tiveram que retroceder”, explica. “Parece ser uma tendência agora, mas ainda há uma alta taxa de transmissão muito alta. Se baixarmos a guarda, a gente não sabe o que pode acontecer.”

Claudia compartilha do mesmo sentimento: “Todos queremos acreditar que passou realmente o pior. Mas o que temos visto, inclusive com o que acontece na Europa, é que é fundamental seguirmos na vacinação - isso gera uma corrente positiva e as pessoas que não se vacinam quebram essa corrente”. 

No continente europeu, países como a Alemanha, Reino Unido, Bulgária, Ucrânia, Holanda e Romênia têm tentado frear um novo surto de casos e mortes que já acendeu o sinal de alerta da própria Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao mesmo tempo, por aqui no Brasil ainda temos mais de 14 milhões de brasileiros com a segunda dose atrasada, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira, 8, pela Fiocruz. 

“Acho que é isso. Vacina e máscara ainda por algum tempo, até que possamos ter a segurança necessária para não utilizá-las”, aponta Claudia. Jaques complementa: “Temos uma característica privilegiada de sempre podermos observar o que acontece no Hemisfério Norte. Se fizermos um bom uso dessas informações, podemos aprender. E quem [aboliu a máscara], pagou um preço alto”, observa. “Depois, vai ser difícil enfiar o gênio na garrafa de novo.”

Tags: covid-19 pandemia são paulo
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