Opas prevê 88 mil mortes por covid-19 no Brasil até o mês de agosto

Órgão da OMS alerta para a situação no País e divulga previsão do cenário.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Arquivo/Agência Brasil
Até o dia 25 de maio, 23.473 pessoas morreram pelo novo coronavírus no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde.

SELO-CORONA-100A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, calcula que o Brasil tenha 88.300 mortes por covid-19 até o dia 4 de agosto. A diretora da Opas, Carissa Etienne, informou a previsão em coletiva nesta terça-feira (26), segundo modelo da entidade para estimativa de cenários. Até essa segunda-feira (25), 23.473 pessoas morreram pelo novo coronavírus no País, segundo dados do Ministério da Saúde.

De acordo com a diretora, existe "um aumento exponencial" de óbitos diários no Brasil. A expectativa é de que, em 22 de junho, a média seja de 1.020 mortes por dia. "Este não é o momento de flexibilizar as restrições. É preciso permanecer forte, vigilante, e implementar as medidas com eficácia comprovada".

Etienne afirmou que “não há dúvidas” de que a América é o novo epicentro da pandemia do novo coronavírus, e chamou a atenção para os Estados Unidos e para o Brasil, que vêm registrando os maiores números diários de novos casos da doença. Peru, Chile e México também foram citados pela diretora como exemplos de países que vivem um momento crítico no crescimento de infectados.

Diretor do Programa de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal disse que o órgão está “muito preocupado” com a situação no Brasil. O médico fez a ressalva de que Peru e Chile registram uma taxa de incidência por habitantes maior do que a brasileira, mas destacou que é urgente aumentar a testagem de covid-19 no País. 

"O Brasil precisa aumentar o número de testes. Atualmente, são cerca de três mil por milhão de habitantes. Em um País tão grande, de cidades povoadas como Rio e São Paulo, é de importância vital implementar medidas de mitigação, como aumentar os testes e tentar manter o distanciamento social. A situação não vai melhorar na próxima semana. Ainda há um longo caminho a percorrer", alertou Espinal.

Doenças não transmissíveis

Em seu discurso de abertura, Carissa Etienne pregou a necessidade de cuidar das doenças não transmissíveis, como câncer, hipertensão, diabetes e asma, pois "nunca se viu uma relação tão nefasta entre uma doença infecciosa e as não infecciosas". A diretora da Opas disse que, na América, cerca de uma a cada quatro pessoas faz parte do grupo de risco da covid-19.

"Não podemos nos ater a uma falsa dicotomia. A atenção à populaçao com enfermidades respiratórias e cardiovasculares é fundamental neste momento. Esse desafio deve ser encarado pelos sistemas de saúde da nossa região, ou enfrentaremos uma epidemia paralela de mortes preveníveis", afirmou Etienne.

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