OMS diz que vai emitir novas diretrizes sobre hidroxicloroquina em 24h

Entidade analisa dados do ensaio clínico internacional Solidariedade para emitir nova atualização.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Irineu Junior/Prefeitura de Suzano
Caixa do remedio Sulfato de Hidroxicloroquina, mais conhecido como Plaquinol, que vem sendo usado no tratamento da covid-19.

SELO-CORONA-100A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que deve divulgar, "nas próximas 24 horas", a conclusão de seus estudos sobre a segurança da hidroxicloroquina no combate ao novo coronavírus. O ensaio clínico com o medicamento no projeto Solidariedade (Solidarity) está suspenso desde 25 de maio, quando a entidade se sustentou em uma pesquisa externa, publicada na revista científica The Lancet, que alertou para os maiores riscos de morte em pacientes que utilizaram a droga.

De acordo com a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, as novas diretrizes sobre a hidroxicloroquina se basearão nos dados da própria organização. A atualização levará em conta as respostas ao medicamento observadas em pacientes do ensaio clínico Solidariedade. No Brasil, a inicietiva é coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

"Consideramos que seja mais importante proteger os pacientes de qualquer risco, e por isso suspendemos temporariamente os testes com a hidroxicloroquina. Precisamos de dados de ensaios clínicos randomizados para chegar a uma conclusão. Ainda estamos avaliando esses dados, e devemos divulgar os resultados nas próximas 24 horas", afirmou Swaminathan. 

Ainda segundo a cientista, um ensaio clínico no Reino Unido prosseguiu com os testes com a hidroxicloroquina porque não encontrou riscos no uso da droga em pacientes da covid-19. "É preciso gerar dados sobre segurança e eficácia de qualquer um desses tratamentos analisados. É uma nova doença, ainda não temos evidências. Esperamos que os ensaios respondam a essa pergunta (segurança da hidroxicloroquina), pois é muito importante".

Questionado sobre a situação da pandemia no Brasil, o diretor do programa de emergências da OMS, Michael Ryan, afirmou que o pico do coronavírus ainda não foi atingido. Ryan ressaltou que é difícil fazer qualquer previsão, mas alertou que países das Américas, como Brasil, Peru, Chile e México, estão entre os que mais registram novos casos da doença em 24 horas.

"Estamos vendo um aumento progressivo diário. Os sistemas de saúde estão sob pressão, e estamos preocupados com lugares como o Haiti. Ninguém está seguro até todos estarem seguros. Precisamos mostrar solidariedade aos países das Américas Central e do Sul, da mesma forma que fizemos com países de outras regiões. Estamos juntos e ninguém fica para trás", disse o diretor.

Resposta aos EUA

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, evitou entrar em confronto com os Estados Unidos, mesmo após o presidente Donald Trump anunciar, na última sexta-feira (29), o fim das relações com a entidade. Em rápido pronunciamento sobre o caso, Tedros pediu que os EUA continuem colaborando com a saúde global.

"O mundo se beneficia, há muito tempo, do engajamento forte e colaborativo com o governo e o povo dos Estados Unidos. A contribuição e a generosidade com a saúde global foram imensas ao longo de várias décadas, e fizeram a diferença na saúde pública ao redor do mundo. É um desejo da OMS que essa colaboração continue", afirmou o diretor-geral.

Segundo Tedros, a entidade só soube do anúncio de Trump por meio dos veículos de comunicação, sem qualquer aviso direto do governo americano.

Tags: cloroquina covid-19 hidroxicloroquina novas diretrizes novo coronavírus OMS pandemia
A+ A-