Pela 1ª vez em 47 anos, CTQ não registra queimaduras por fogos e fogueiras

Fato é atribuído ao isolamento social e ao decreto que proibiu festejos juninos no RN.

Da redação, HMWG,
Ascom/HMWG
No mês de junho, o Centro de Tratamento de Queimados do Walfredo Gurgel não atendeu nenhuma ocorrência por queimaduras.

O Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HMWG) não atendeu nenhuma ocorrência por queimaduras, com fogos de artifício ou fogueiras, durante todo o mês de junho. Esta é a primeira vez que o Centro registra essa marca, em 47 anos de existência.

O chefe do CTQ, Marco Almeida, atribui o fato, além da pandemia da covid-19 e da necessidade de isolamento social, ao Decreto Estadual n.º 29.742, de 4 de junho de 2020, que em seu artigo 10., determina: “fica proibida a realização de quaisquer atos que configurem festejos juninos no Estado do Rio Grande do Norte, incluindo o acendimento de fogueiras e fogos de artifício, de modo a diminuir as ocorrências de queimaduras e de síndromes respiratórias nos serviços de saúde públicos e privados”.

Marco também diz que a aprovação pela Câmara dos Vereadores para definir junho como o período oficial de todas as atividades e campanhas de prevenção às queimaduras, contribuiu sobremaneira para a não ocorrência de acidentes com fogos e fogueiras nas comemorações de São Pedro, São João e Santo Antônio. A cor escolhida, para representar o mês, foi o laranja.

Em contrapartida, o setor registrou cinco óbitos de pacientes queimados com álcool líquido. “A liberação temporária do uso do álcool líquido 70% trouxe de volta uma preocupação que tínhamos até 2002 - quando foi proibida a comercialização do produto – e que agora, devido a pandemia, voltou a ser vendido. No Brasil, mais de 400 pessoas já foram internadas, somente este ano, com queimaduras graves, por acidentes com álcool líquido”.

Marco alerta ainda que mesmo o álcool gel, apresenta seus perigos e deve ser usado com cuidado. “A chama da versão em gel é transparente. A pessoa não vê a chama. E já tivemos conhecimento de pessoas que tomaram banho de álcool gel. Isso é absurdo e representa um perigo imenso a saúde e para a integridade do corpo. Em hipótese nenhuma façam isso”.

Almeida ainda destaca que “não somos contra os festejos juninos. De maneira alguma. Mas, enquanto durar essa pandemia, as comemorações juninas, como as conhecíamos, terão de ser adaptadas. É importante que, neste momento, possamos, efetivamente, incorporar mudanças de comportamento em nosso dia a dia”.

“A questão da prevenção as queimaduras é para ser constante, permanente. As campanhas de prevenção da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) são permanentes, até porque, 70% das queimaduras acontecem em casa, dentro da cozinha”, finaliza.

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