Fiocruz diz que 18 Estados têm mais de 80% de UTIs ocupadas e aponta risco de colapso

Quadro é o mais crítico desde o início da pandemia; governadores têm imposto medidas de restrição e até lockdown na tentativa de frear o vírus.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Reuters
Paciente com covid-19 em UTI de hospital de Porto Alegre, sendo trocado de posição pela equipe de profissionais de saúde.

SELO-CORONA-100Dezoito Estados brasileiros estão com mais de 80% dos leitos de UTI destinados ao tratamento da covid-19 ocupados, o que indica a iminência de colapso generalizado do sistema de saúde do País. O alerta é da pesquisadora Margareth Portela, do Observatório Fiocruz Covid-19, que faz o levantamento para o boletim quinzenal da instituição. Na tentativa de frear o vírus, governadores têm imposto restrições e decretado até lockdown, o que motiva disputa pública com o presidente Jair Bolsonaro, opositor dessas medidas.

O novo boletim completo só sairá na semana que vem.  Mas a pesquisadora adiantou a informação sobre os leitos de UTI a pedido do Estadão, diante da gravidade da situação. No relatório da semana passada, eram doze os Estados na chamada zona crítica de alerta. Segundo ela, esta é a pior situação registrada desde o início da pandemia.

Na tarde desta segunda (1º), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) defendeu a adoção imediata de lockdown nos Estados em que os leitos de covid-19 tenham alcançado mais de 85% de ocupação. Em comunicado, o órgão também defendeu a adoção de toque de recolher nacional, das 20h às 6h em todo o País. A medida vigoraria inclusive nos fins de semana. O Conass também pregou a suspensão do funcionamento das escolas. O Brasil enfrenta o pior momento da epidemia, afirmaram os gestores.

Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Piaui, Maranhão, Pará, Tocantins, Amazonas, Rondonia, Acre e Roraima são os 18 Estados em situação mais crítica. Mesmo nas regiões que ainda não atingiram níveis tão elevados, a situação é crítica, como em São Paulo, que tem cerca de 73% de lotação nas unidades de terapia intensiva e atingiu novo recorde de internações.

“Sem dúvida esse é o pior momento”, afirmou Margareth. “Houve momentos em que tivemos até sete Estados na zona crítica, mas nunca 18. Com exceção dos Estados do Sudeste, do Amapá, Sergipe, Alagoas e Paraíba, todos os demais estão em vermelho.”

No primeiro momento da epidemia, como lembra a pesquisadora, a situação mais grave estava restrita a Rio, São Paulo e, logo depois, Amazonas. “Num segundo momento, a epidemia deu um alívio no Norte, no Nordeste e até no Sudeste, mas complicou nas regiões Centro-Oeste e Sul”, avaliou a pesquisadora. “No momento atual, a coisa está bem mais generalizada.”

Para contornar o problema, os secretários de Saúde citaram algumas medidas a serem adotadas imediatamente. Entre elas, estão a proibição de eventos presenciais, como shows, cerimônias religiosas e eventos esportivos; a suspensão das atividades presenciais de educação no País; a adoção de trabalho remoto sempre que possível. Também defenderam barreiras sanitárias nacionais e internacionais (considerando até fechar aeroportos e a suspender as conexões interestaduais) e redução da superlotação dos transportes . Pediram ainda toque de recolher nacional e lockdown nas regiões mais críticas.

“O recrudescimento da epidemia em diversos Estados leva ao colapso de suas redes assistenciais públicas e privadas e ao risco iminente de se propagar a todas as regiões do Brasil”, escreveram os secretários. “Infelizmente, a baixa cobertura vacinal e a lentidão na oferta de vacinas ainda não permitem que esse quadro possa ser revertido em curto prazo. O atual cenário de crise sanitária vivida pelo País agrava o estado de emergência nacional e exige medidas adequadas para a sua separação.”

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