Explosão de casos de covid-19 faz prefeituras limitarem testagem

Ômicron aumenta procura por exames e, devido à escassez de material, cidades como São Paulo, Jacareí, Santos, Patos de Minas e Poços de Caldas definem grupos prioritários.

Da redação, Estadão Conteúdo ,
Robson Valverde/Sesc-SC
Em Santos, a prefeitura determinou que começará a adotar novas exigências para testagem para covid nos cinco postos disponíveis na cidade.

O aumento de casos de covid por causa da variante Ômicron, mais transmissível, e a falta de insumos disponíveis para detecção da doença têm feito municípios brasileiros limitarem o acesso aos testes disponibilizados pela rede pública. São Paulo, Jacareí e, mais recentemente, Santos definiram requisitos específicos para pacientes que queiram fazer testes de coronavírus. Cidades de Minas Gerais seguiram o mesmo caminho. O Rio de Janeiro, por sua vez, diz estar “abastecido”, mas aguarda novas remessas do Ministério da Saúde.

Em Santos, a prefeitura determinou que a partir desta terça-feira, 18, começará a adotar novas exigências para testagem nos cinco postos disponíveis na cidade. A testagem para a covid será dirigida a quem não estiver vacinado, quem tomou apenas uma dose, gestantes e puérperas, pessoas com comorbidades, profissionais de saúde e pessoas em situação de rua. “A medida seguirá até a chegada de um novo lote de testes”, informou.

Jacareí suspendeu temporariamente o atendimento para pessoas com sintomas de gripe e covid-19 no Museu de Antropologia do Vale do Paraíba. Os testes em estoque no município serão destinados para pessoas em estado de saúde moderado ou grave, e também para pacientes com fator de risco avaliado por profissional de saúde. De acordo com a Secretaria de Saúde, a medida foi tomada por conta da falta de testes de antígeno para detecção no mercado.

A Prefeitura de São Paulo determinou no sábado, 15, que devido ao aumento nos atendimentos de síndrome gripal, as unidades de atendimento passassem a realizar o diagnóstico para covid e influenza de forma clínica. A testagem, dessa forma, agora foca em pessoas em condições de risco. Segundo a pasta, pertencem a esse grupo indivíduos não vacinados ou com apenas uma dose de vacina, gestantes e puérperas, pessoas com comorbidades, profissionais de saúde e população em situação de rua. Quem desse público apresentar dois ou mais sintomas gripais, será submetido ao RT-PCR ou teste rápido antígeno, de acordo com a disponibilidade do insumo.

Para pessoas que não se enquadram nesses critérios e ainda assim apresentam dois ou mais sintomas gripais, o diagnóstico será realizado prioritariamente de forma clínica, considerando, segundo a Prefeitura, o histórico de contato próximo ou domiciliar nos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sintomas com pessoas confirmadas para covid-19. A medida vai na contramão do indicado por especialistas, que preconizam a ampliação da testagem para entendimento das infecções, mas teve de ser adotada por conta da escassez de testes pela qual passa o Brasil.

O Rio de Janeiro informou em nota que, desde o início do ano, a Secretaria Municipal de Saúde já realizou mais de 500 mil testes e que tem feito mais de 100 mil diagnósticos diariamente. Segundo a prefeitura, devem procurar os postos para testagem pessoas com sintomas como febre, calafrio, tosse, coriza, dor de garganta, dor de cabeça e alterações no olfato e/ou paladar.

Neste momento, a pasta informou que o município está “abastecido” e que aguarda a entrega de nova remessa com 1,25 milhão de testes a serem enviados pelo governo federal. Em nota, o Ministério da Saúde apontou ter iniciado o envio de 15,1 milhões de testes de antígeno aos Estados brasileiros, mas não especificou quantas, dessa remessa, teriam a capital fluminense como destino.

Com o agravamento da pandemia, Patos de Minas (MG) determinou que os testes só serão feitos a partir do terceiro dia de sintomas e em pessoas que tenham “maior gravidade de sintomas”, hospitalizados e imunocomprometidos. Poderão testar ainda gestantes e puérperas, trabalhadores da área da saúde e colaboradores de serviços essenciais.

Na última semana, a secretaria de Saúde de Poços de Caldas informou que, devido ao aumento da procura por testes, a realização dos testes passaria a seguir um novo critério a partir do dia 11. Os diagnósticos da rede municipal seriam destinados apenas a pacientes oncológicos e/ou que estejam realizando hemodiálise, gestantes e idosos com comorbidades.

A orientação, com isso, era que a testagem fosse realizada no município entre o quinto e o sexto dia de sintoma. “Os pacientes que não se enquadram nesse grupo, que apresentarem sintomas de síndrome gripal, serão avaliados pela equipe médica do Hospital de Campanha e de acordo com a conduta médica será realizado o teste ou não”, informou a prefeitura na ocasião. Procurada, a pasta não disse se mantém a estratégia.

Levantamento promovido pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) entre os dias 10 e 13 de janeiro aponta que, enquanto 1.499 (80,1%) gestores afirmam ter teste rápido para a detecção da covid-19 disponível, outros 339 (18,1%) sinalizaram a falta dessa ferramenta de auxílio no diagnóstico. Ao todo, 969 (51,8%) dos gestores afirmam não ter recebido apoio do governo em relação à testagem; enquanto 759 (40,6%) afirmaram ter tido apoio.

Isso tudo ocorre em um momento de recrudescimento da pandemia no Brasil. Dos quase 2 mil municípios que participaram do mapeamento do CNM, 93,9% apontaram o crescimento preocupante de atendimentos a pessoas com sintomas gripais em hospitais e postos de saúde. O levantamento mostra que 1.555 (83,1%) confirmaram aumento nos casos de covid e mais de 1,1 mil (60%) prefeituras afirmaram que houve alta no afastamento de servidores por conta do coronavírus.

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