Estudo estima que apenas 1% da população de Natal tem anticorpos contra covid-19

Pesquisa da Universidade de Federal Pelotas estima que número de casos da doença pode ser 7 vezes maior no Brasil.

Rafael Araújo, Universidade Federal de Pelotas,
Nominuto/Arquivo
Estudo da Universidade Federal de Pelotas sobre a covid-19 no Brasil realizou 229 testes em Natal.
SELO-CORONA-100Um estudo da Universidade Federal de Pelotas, divulgado nesta segunda-feira (25),  mostra que o número de casos da covid-19 no Brasil pode ser sete vezes maior do que o que é registrado através dos números oficiais. Segundo a pesquisa, isso se deve ao alto número de subnotificação da doença.

Os dados apresentados pela universidade mostram grande preocupação com cidades da região Norte, além disso, mostra ainda o provável cenário das principais cidades afetadas pelo vírus. No Rio Grande do Norte, os pesquisadores realizaram entrevistas e 229 testes para o covid-19, onde apenas 2 deram positivo. O estudo mostra ainda que apenas 1% da população da capital potiguar possuem anticorpos contra a doença. Confira aqui a pesquisa.

A pesquisa, denominada de Epicovid-19-BR, foi realizada entre os dias 14 e 21 de maio, traz resultados inéditos e preocupantes. Durante uma semana de coleta de dados em 133cidades espalhadas por todos os estados do Brasil, os pesquisadores concluíram 25.025 entrevistas e testes para o coronavírus. Em 90 cidades, incluindo 21 das 27 capitais, foi possível testar pelo menos 200 pessoas selecionadas por sorteio.

No conjunto dessas 90 cidades, a proporção de pessoas com anticorpos, que significa que já tiveram ou têm o coronavírus, foi estimada em 1,4%, podendo variar de 1,3% a 1,6% de acordo com a margem de erro da pesquisa. Esses dados já levam em consideração o tamanho da população de cada cidade e a validade do teste rápido utilizado.

Essas 90 cidades correspondem a 25,6% da população nacional, totalizando 54,2 milhões de pessoas, entre as quais 760mil (margem de erro de 705 a 867 mil) estariam infectadas.

A comparação dos números estimados pela pesquisa e os números oficiais aponta para uma grande subestimativa do número de infectados pelo coronavírus. No dia 13 de maio, véspera do início da pesquisa, essas 90 cidades somadas contabilizavam 104.782 casos confirmados e 7.640 mortes. Assim, os dados do EPICOVID19-BR estimam que para cada caso confirmado de nessas cidades, existem sete casos reais na população.

O número de sete vezes mais casos na população do que o apresentado nas estatísticas oficiais preocupa os pesquisadores: “De cada sete pessoas com o coronavírus, apenas uma sabe que está ou esteve infectada. Isso é preocupante, visto que as demais seis pessoas que não sabem da infecção podem, involuntariamente, transmitir o vírus para outras pessoas”, destacaram os pesquisadores no estudo.

O EPICOVID19-BR é um estudo coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas. O financiamento para a pesquisa é do Ministério da Saúde. O estudo conta também com apoio do Instituto Serrapilheira, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), da Pastoral da Criança, e contou com doação do programa da JBS Fazer o Bem Faz Bem. A coleta de dados é de responsabilidade do IBOPE Inteligência.

Tags: Estudo Pesquisa Saúde
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