Cai para três o número de casos suspeitos de coronavírus no RN

Secretaria de Saúde informou que dois pacientes foram descartados após exames darem positivo para gripe.

Rafael Araújo, Com informações do Estadão,
Rafael Araújo/Nominuto
Em coletiva realizada nesta sexta, autoridades da saúde do RN apresentaram novidades sobre os casos suspeitos de coronavírus no Estado.

O número de casos suspeitos de coronavírus no Rio Grande do Norte caiu de 5 para 3 nesta sexta-feira (28). Os dados foram atualizados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesap), em coletiva de imprensa realizada na manhã de hoje. Todos os pacientes que estão sendo monitorados são do município de Natal.

De acordo com a Sesap, dos cinco casos que até ontem era tratados como suspeitos, quatro eram de Natal e um do município de Parnamirim. Os três pacientes da capital em que os casos permanecem como suspeitos têm entre 19 e 49 anos. Entre os casos descartados está o da criança de 10 anos que viajou em um cruzeiro para Hong Kong. Uma mulher que esteve na Itália também teve o caso descartado.

“Nós já temos dois casos que foram descartados porque foi evidenciado outros vírus nas amostras que foram analisadas. Então, desses casos, um era do município de Natal e outro de Parnamirim e ambos deram positivo para influenza B, enquanto os outros três seguem como suspeitos e em investigação e as amostras deles já foram enviadas para o laboratório de referência nacional, que no caso do RN será o Instituto Evandro Chagas, no Rio de Janeiro”, revelou Alessandra Lucchesi, subcoordenadora de vigilância epidemiológica da Sesap.

Ainda de acordo com Alessandra Lucchesi, os pacientes que seguem como suspeitos para coronavírus, assim como os que já foram descartados, têm vinculo com viagem nos últimos 14 dias à Itália – que é um dos principais países afetados pelo vírus.

A subcoordenadora de vigilância epidemiológica admitiu que há uma possibilidade de aumento no número de casos suspeitos. “Há uma chance de termos o aumento sim do número de notificações, até porque nós sabemos que o Rio Grande do Norte tem um fluxo de pessoas maior com países da Europa do que com a China.”, destacou.

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De acordo com o infectologista e diretor do Hospital Giselda Trigueiro, André Prudente, o coronavírus se assemelha muito a gripe. “Também há febre, dor no corpo e tosse – essa é a tríade da doença”, comenta.

Ele comentou ainda que o novo coronavírus tem maior dificuldade de permanecer em um ambiente com temperaturas acima de 20°C, com umidade relativa do ar acima de 90% e, além disso, os raios ultravioletas também são responsáveis por neutralizar o vírus.

Saiba como se proteger do coronavírus

Algumas medidas básicas, de acordo com especialistas, podem diminuir consideravelmente as chances de contágio - não só da doença surgida na China no fim do ano passado como de outras infecções em geral. Lavar as mãos de forma adequada é a principal. Durante a epidemia de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave, na sigla em inglês), que estourou também na China no fim de 2002, deixou 774 mortos e foi provocada por outro tipo de coronavírus, o ato de lavar as mãos reduziu o risco de transmissão entre 30% e 50%, segundo estimativas de especialistas em saúde.

“As pessoas devem higienizar as mãos não só para se proteger do coronavírus, mas de outras infecções virais”, explica Francisco Ivanildo Oliveira Júnior, gerente do Controle de Infecção Hospitalar do Sabará Hospital Infantil e supervisor do ambulatório do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem uma cartilha que ensina a lavar as mãos de forma eficiente. O processo todo demora cerca de 20 segundos e as orientações incluem especial atenção aos punhos, unhas e dedos - que merecem cuidado redobrado.

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Se não houver água e sabão disponíveis, a saída, de acordo com a agência federal de saúde dos EUA, é usar gel desinfetante que contenha pelo menos 60% de álcool. “As pessoas devem intensificar a lavagem das mãos, mas sem exagero”, diz o infectologista David Uip, coordenador do centro de infectologia do Hospital Sírio-Libanês e reitor da Faculdade de Medicina do ABC.

Máscara previne o coronavírus?

O uso de máscaras cirúrgicas já se transformou no símbolo da disseminação do novo coronavírus. Imagens de longas filas de chineses tentando comprar o produto correm a internet. Por aqui, algumas farmácias já não têm em estoque. Mas a máscara comum é realmente necessária e eficaz?

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA informa que, se você está saudável, a máscara não é necessária. Por outro lado, ela pode ajudar a evitar que uma pessoa doente transmita o vírus - mas não é 100% eficaz.

Especialistas indicam que profissionais de saúde e pessoas com suspeita de contaminação pelo novo coronavírus devem usar máscaras do tipo N95, que têm capacidade de filtragem de partículas de até 0,3 micrômetro (100 micrômetros equivalem a 0,1 milímetro), enquanto as máscaras cirúrgicas comuns filtram micropartículas com tamanhos entre 2 e 10 micrômetros. O novo coronavírus tem 0,12 micrômetro de diâmetro.

Quem ainda assim resolver usar, vale lembrar que as máscaras são descartáveis e devem ser trocadas com frequência, de preferência a cada duas horas. “A máscara tem vida curta, umidifica e perde a validade de proteção”, afirma David Uip.

Novo jeito de espirrar

Esqueça o jeito antigo de espirrar, aquele com as mãos cobrindo a boca. Isso porque, dessa forma, a possibilidade de contaminar outras pessoas e superfícies é enorme. Para evitar isso, a melhor medida é tossir ou espirrar no cotovelo. Estranho? Você pode ainda usar um lenço descartável toda vez que espirrar - ele deve ser descartado imediatamente.

Por fim, outras dicas úteis podem ajudar a evitar a contaminação: mantenha pelo menos 1 metro de distância de pessoas que estão tossindo ou espirrando, evite tocar olhos, nariz e boca e deixe objetos e superfícies em casa sempre limpos. Álcool é um bom desinfetante contra o coronavírus.

Tags: Coronavírus Saúde
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