Autismo: discussão necessária para que todos vivam em harmonia

Evento abordará o tema e proporcionará um grande bate papo sobre o assunto.

Da redação,
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Segundo a psiquiatra Rosa Magaly, algumas medicações podem ser usadas a partir dos dois anos, outras só podem inseridas na adolescência.

Entender o outro, nem sempre é uma tarefa fácil. Se colocar no lugar de alguém, é incomum. Perceber as reações de raiva ou desejos, por exemplo, nem sempre é algo simples. Em meio a esse cenário, comum do dia a dia, no qual as pessoas não se olham mais, não se observam mais e vivem apenas para o si, saber lidar com uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ser uma tarefa bem mais complicada. É que eles precisam mais do que um cuidado especial, eles precisam ser enxergados como pessoas, que têm suas próprias vontades, formas de expressões e entendimento do mundo.

Segundo a Neuropsicóloga, Katia Nogueira, atualmente, já é possível fazer o diagnóstico de forma segura quando a criança tem 18 meses de idade. No entanto, entre os três e até aos seis meses de idade, os pais devem ter indicativos que esta criança está mostrando um padrão de desenvolvimento dentro do esperado.

“É preciso entender as características desse indivíduo e dar a ele uma aprendizagem do que ele terá nos diversos ambientes do mundo, seja escola, shopping ou um aniversário, por exemplo. Os indivíduos com atraso no neurodesenvolvimento sinalizam quando a experiência de trocas ambientais não está sendo suficiente para aprender a responder às demandas do ambiente”, fala Kátia.

Para a Psiquiatra da Infância e Adolescência, Rosa Magaly Campêlo, é preciso que pais e a sociedade em geral fiquem em alerta, uma vez que uma criança apresentando comportamentos fora dos padrões pode chamar a atenção e, muitas vezes, os pais querem conter esses impulsos com medicações.

“Algumas precisam de medicamentos e outras não. Temos que analisar os diagnósticos associados, a intensidade dos sintomas e a frequência com que eles aparecem, para ver se estão causando impacto no dia a dia do paciente, impedindo que eles aprendam e melhorem com as terapias. Algumas medicações podem ser usadas a partir dos dois anos, outras só podem inseridas na adolescência. Temos que melhorar a qualidade de vida dessas crianças e adolescentes. Muitas vezes, as pessoas têm em vista que acalmar é sedar. Sedar não seria ajudar esses pacientes, pois os deixaríamos lentificados. Além disso, qualquer substância oferece efeitos adversos”, frisa a médica.

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Problemas na linguagem, e até a ausência dela, são questões constantes no cotidiano de um paciente com TEA. A fonoaudióloga Renata Lima Velloso conta que, assim como observamos uma grande variabilidade dentro do espectro do autismo, podemos observar uma grande variabilidade com relação ao desenvolvimento da fala e da linguagem como um todo nestas pessoas.

“Algumas pessoas falam sem qualquer dificuldade articulatória, outras falam com alterações na produção dos fonemas, e algumas mesmo com intervenção não falam. Cada indivíduo deve ser avaliado de forma individual para ver a melhor forma de comunicação a ser sugerida, assim como quais procedimentos e estratégias. De forma geral, os meios mais utilizados envolvem alguns gestos convencionais no dia a dia e, principalmente, o uso de estímulos visuais com figuras para que a comunicação seja efetiva”, frisou.

A atividade física também está entrando como uma aliada para melhorar a qualidade de vida desses pacientes. Isso porque, pessoas com autismo podem apresentar prejuízos tanto na coordenação motora fina, que seria a capacidade de coordenar músculos menores, que realizam movimentos mais minuciosos e controlados, como escrever; quanto na grossa, coordenando os músculos maiores, que realizam movimentos gerais e mais amplos, como andar. Estudos revelam que o exercício pode reduzir em até 37% os sintomas dos pacientes com TEA, especialmente os relacionados ao comportamento e ao aprendizado.

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Segundo o profissional de Educação Física, Daniel Souza, as pesquisas mais recentes, que ligam os benefícios do exercício físico aos pacientes autistas, mostram que eles podem frequentemente praticar caminhada/corrida, musculação, natação, equoterapia, exergamings, entre outros.

“A escolha e a abordagem da atividade física adequada vai depender de vários fatores, como o grau de comprometimento, habilidades e capacidades a serem desenvolvidas, idade, preferências individuais, ferramentas disponíveis, por exemplo. Crianças mais comprometidas necessitarão de programas individualizados, enquanto que as mais funcionais podem participar de atividades em grupo, como futebol, por exemplo”, explicou.

Todos esses profissionais, além de outros nomes da área, estarão reunidos em Natal, no próximo sábado, 9, a partir das 16h, no Hotel Vila do Mar, na Via Costeira, para uma grande troca de informações e muito aprendizado, durante o 1º Vivenciar - uma compreensão científica sobre autismo.

O evento marca um ano de atuação da Focus Intervenções no mercado de Natal e, por isso, é voltado, primeiramente, às famílias já atendidas pela clínica. A sociedade em geral, no entanto, também poderá participar, uma vez que a clínica vê a importância de abranger ao máximo a discussão sobre o tema com educadores, fonoaudiólogos, professores, terapeutas, psicólogos e outros profissionais da saúde. Para esse público, as vagas são limitadas.

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