Veja traz reportagem sobre o MDMA, alucinógeno com ampla penetração entre jovens

Uso disseminado fez a droga ser apontada como o lança-perfume dos novos tempos.

Da redação,

Veja2VEJA

Viagem perigosa

Droga estimulante e alucinógena com ampla penetração entre os jovens, o MDMA tornou-se o mais novo desafio para a polícia após a descoberta dos primeiros laboratórios no país

Considerado muito mais puro, o MDMA (sigla para 3,4-metilenodioximetanfetamina)) desembarcou no Brasil há mais de dez anos e, por essas e outras “vantagens”, transformou-se nos últimos tempos no mais procurado combustível sintético de adolescentes e adultos de classe média alta. O uso disseminado fez a droga fabricada em laboratório ser apontada como o lança-perfume dos novos tempos, sendo um dos aditivos mais usados em blocos e bailes de Carnaval. Virou também elemento da cultura pop, com citações em letras de música, sobretudo funk, além de menções em estampas de camisetas de marcas famosas. Há riscos enormes no consumo do entorpecente, mas que são desprezados por grande parte dos usuários. O MDMA provoca distúrbios importantes no organismo e, em casos extremos, leva à morte por falência hepática, hipotermia ou parada cardíaca.

Para as autoridades encarregadas da repressão às drogas no Brasil, um dos alarmes que despertaram atenção foi o aumento substancial de apreensões desses sintéticos no país. Só no Estado de São Paulo essas ações tiveram crescimento de cerca de 360% no primeiro semestre de 2019 em comparação ao mesmo período de 2018. Nesse espaço de tempo, flagras relacionados a cocaína e crack evoluíram em torno de 80%. A denominação “sintéticos” abriga vários tipos de droga, incluindo o ecstasy, mas os especialistas atribuem ao MDMA o papel de ter inflado os números. Por isso, recentemente, criou-se uma categoria específica para ele a fim de monitorar de perto o fenômeno. Mais preocupante ainda é que os dados podem não refletir o tamanho da encrenca.

Diferentemente da maconha e da cocaína, o MDMA é inodoro e pode passar despercebido pela fiscalização. Para comprovar que a substância é ilícita, é necessário fazer um teste químico minucioso. “Às vezes, o MDMA vem escondido em frascos de remédio ou dentro de comprimidos”, diz o delegado Fabrizio Galli, chefe da área de entorpecentes da Polícia Federal de São Paulo. Outro problema: pouca droga faz a cabeça de muita gente. Com 1 grama, vendido a partir de 150 reais, é possível garantir a euforia de um grupo de dez pessoas ao longo de uma noite inteira.

A situação é preocupante porque um pedaço da produção hoje é made in Brazil. Se antes a substância chegava de países como Holanda e Bélgica, a partir deste ano os policiais começaram a descobrir laboratórios de MDMA em locais como Santa Catarina e Distrito Federal. Ao todo, foram desbaratadas ao menos dez centrais de produção nos últimos meses. A maioria delas se resume a uma quitinete ou chácara afastada, equipada com tubos de ensaio, balanças, termômetros, filtros, estufas, máscaras, luvas, compressores, aquecedores e muitos galões de produtos químicos. 

Leia mais em Veja.


istoe2ISTOÉ

Delfim Netto, o otimista

Considerado o pai do milagre econômico, Delfim Netto é um eterno otimista e entusiasta das reformas propostas pelo ministro Paulo Guedes, considerando-as ambiciosas. Acha, contudo, que as medidas precisam ter respaldo maior no Congresso. Ele acredita que a economia crescerá, mas nunca mais acima de dois dígitos, como aconteceu durante o regime militar em que ele era tido como o mago do desenvolvimento

Tal qual Diógenes com a sua lanterna a vagar pelas ruas em busca de um homem honesto, o ex-ministro, ex-deputado e decano da economia brasileira, Antônio Delfim Netto, há décadas orbita o poder e o alerta sobre os caminhos certeiros na direção do crescimento sustentável. Não é para menos. Do alto de uma cátedra que enfeixa desde passagens pelo Ministério da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura a expedições intelectuais por territórios do mundo como embaixador na França, o fecundo e mais brilhante economista de todos os que passaram pelo poder na história republicana sabe do que fala. Foi dele o mérito do chamado “milagre” do desenvolvimento acelerado entre os anos de 1968 a 1973.

Dele, é também aquela que ficou conhecida como a “inflação do chuchu” — por sua mecânica atrelada ao preço da hortaliça. Delfim, o camaleão de mil faces, vestiu com naturalidade o fardão da ditadura, sem nunca ter sido militar, e embalou-se com as deliberações do AI-5. Mas soube se esgueirar pela borda dos debates de esquerda, envolvendo-se e dando conselhos a Lula, Dilma e, quiçá, Fernando Henrique, para fazer brotar o Plano Real. Delfim é vulcânico em suas impressões e voraz nas críticas.

Parrudo e espaçoso em todos os sentidos, garantiu assento cativo na vaga de conselheiro informal de praticamente todos os governantes — militares ou civis, à esquerda e à direita, sem preconceitos ideológicos, de credo ou origem. Ao longo de sua trajetória, a paternidade de uma ideia – teve outras, mas essa certamente o guindou ao posto de guru — fez com que todos compreendessem a importância de deixar crescer o bolo para depois dividi-lo.

Leia mais em Istoé


EPOCA3ÉPOCA

A todo vapor

Os perigos do cigarro eletrônico que virou moda entre os mais jovens e preocupa médicos e pesquisadores. No Brasil, a venda dele está proibida desde 2009 pela Anvisa

O vape, cigarro eletrônico, ou qualquer outro nome que se dê ao dispositivo, virou uma febre, em especial entre os mais jovens. No Brasil, a comercialização do cigarro eletrônico é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, mas é possível encontrar livre e facilmente o aparelho em lojas e na internet. A pesquisa mais recente disponível no Brasil, feita pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2015, quando o hábito ainda não tinha se disseminado como hoje, estimou em 600 mil os usuários no país.

A onda do vape entrou na mira depois que usuários passaram a sofrer uma síndrome que já acometeu 2.172 pessoas nos Estados Unidos e havia resultado na morte de 42 até a semana passada. Os dispositivos usados para fumar podem ser “carregados” com vários tipos de cartuchos — de nicotina ou não, com sabor, com THC, o princípio ativo da maconha. É aos cartuchos com esse último tipo que estão associados os principais casos da doença. Mas não exclusivamente a eles.

“Eu fiquei no chão, só concentrada em manter o ar entrando e saindo”, contou Érica (nome fictício), de 22 anos, sobre o surto agudo de inflamação pulmonar que sofreu algumas horas depois de usar um vape. No início de setembro, a universitária de Salvador, na Bahia, passou mal numa festa depois de usar o dispositivo para fumar um cartucho de THC. Voltou para casa, onde o mal-estar persistiu. Naquela noite, a jovem baiana tornou-se um dos primeiros casos brasileiros suspeitos de uma síndrome tão grave que chegou ao ponto de ganhar um nome: Evali, acrônimo em inglês para “Lesão Pulmonar Associada a Produto de Vaping ou Cigarro Eletrônico”.

No Brasil, apenas outros dois casos da doença estão sendo investigados, ambos em São Paulo, informou a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). A Anvisa — em meio às discussões para rever o marco regulatório de 2009, que opõe profissionais da saúde à indústria tabagista — solicitou a 252 instituições de saúde e ao Conselho Federal de Medicina (CFM) a notificação de “quaisquer suspeitas” relativas a pacientes que possam vir a ser relacionadas ao uso do cigarro eletrônico.

Leia mais em Época.


CARTA3CARTA CAPITAL

Carluxo na linha de tiro

Da investigação da morte de Marielle, às milícias virtuais, histórias perigosas rondam Carlos Bolsonaro, o filho mais próximo do presidente

Especial: Sob o pretexto de gerar oportunidades para os mais jovens, Paulo Guedes quer impor um pedágio aos desempregados e liquidar de vez a CLT. O governo inova com o "imposto sobre a grande pobreza".

Seu país: Racismo oficial: na Câmara, deputados protagonizam episódios de discriminação.

Da pindaíba à calamidade: Historicamente subfinanciado, o SUS corre risco de total asfixia.

O pacto rentista: os gatilhos de Bolsonaro atingem o coração dos direitos sociais.

Leia mais em Carta Capital.

Tags: Carta Capital Época Istoé revistas semanais Veja
A+ A-