Tribunal virtual: cultura do ‘cancelamento’ se espalha nas redes sociais

Revista Veja mostra como fenômeno que estourou na internet vem destruindo reputações.

Da redação,
VEJA1Veja

A cultura do cancelamento
Entre Cristóvão Colombo e Anitta há uma distância de cinco séculos, e muitas léguas marítimas. Também não há conexão óbvia entre a princesa Isabel e a escritora inglesa J.K. Rowling. Ainda que por vias tortas, os tempos atuais deram um jeitinho de unir o descobridor da América, a cantora funk, a signatária da Lei Áurea e a criadora de Harry Potter: todos são vítimas da “cultura do cancelamento”. Onipresente nas redes sociais, a expressão está na boca do povo: segundo o Google, as buscas pelo tema cresceram 1 200% nos últimos três meses. Não se engane, porém: “cancelar” qualquer pessoa, anônima ou famosa, é um evento implacável e violento — mesmo que amparado em razões teoricamente justas. Woody Allen foi acusado de abusar da filha? Está cancelado. A atriz Alessandra Negrini se fantasiou de índia no Carnaval, irritando quem condena a “apropriação cultural” de povos e minorias? Canceladíssima. A fúria atinge os vivos, como Anitta (“traidora”) e J.K. (“transfóbica”), mas nem os mortos escapam: nos protestos antirracismo nos Estados Unidos, estátuas de Colombo foram atacadas por simbolizar a opressão contra os índios; no Brasil, a princesa Isabel foi levada ao, digamos, Supremo Tribunal Virtual por ter “roubado” dos negros o protagonismo na Abolição.

Nas redes sociais, o ato de cancelar é uma tomada de posição radical diante de uma conduta que se julga censurável — só que essa condenação, além de eventualmente estar baseada em informações falsas, se espalha exponencialmente, naquele comportamento de manada típico das rinhas da internet. Dramaticidade, aliás, é a alma do negócio: uma das táticas do cancelamento é o exposed, que consiste em desmascarar alguém na praça pública on-line. Às vezes, pouco importa se é justo os dedos apontarem para um suposto comportamento hipócrita ou se as críticas são proporcionais. O justiçamento é imediato. Atire primeiro, pergunte depois, essa é a regra.

Por que a classe média será o grupo mais afetado pela reforma tributária
Um dos planos mais importantes produzidos pelo governo para garantir a melhora do ambiente econômico do país e o crescimento de longo prazo veio à luz depois de longos e turbulentos dezoito meses de gestação. Na terça-feira, 21, o ministro da Economia, Paulo Guedes, finalmente entregou ao Congresso propostas que começaram a ser debatidas nos gabinetes do ministério desde a posse de Jair Bolsonaro como presidente. Quem esperava uma reforma ampla e abrangente teve de se contentar com uma versão modesta do plano, em que a principal novidade é a fusão de dois impostos quase idênticos, o PIS e a Cofins, em um novo tributo, a contribuição sobre bens e serviços (CBS). Idealizado por um grupo de especialistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e adotado pela equipe econômica, o projeto gerou, já na largada, reações adversas. Apesar de propor algo extremamente simples, que é a unificação dos dois tributos, a CBS vai ter impacto direto sobre o principal grupo social gerador de renda e impulsionador do crescimento econômico: a classe média.

Covid-19: festas reúnem milhares sem cuidado com o contágio
Desafiando as regras acerca de aglomerações, jovens do mundo todo participam de eventos organizados em segredo, sem máscara nem medidas de distanciamento, o que pode refletir no aumento de casos de infecções pelo novo coronavírus.

Leia mais em Veja.


ISTOE1Istoé

A cultura da autoridade
Alguns dos piores traços do caráter nacional têm se manifestado com frequência, nas últimas semanas, e mostrado que a propalada cordialidade brasileira não demora um segundo para virar ilusão. São constantes as imagens de gente querendo ganhar discussões no grito, impondo autoridade, dando “carteiradas”, agredindo inocentes e, principalmente, recusando ser chamada de cidadã ou cidadão, como se fosse uma afronta. Parece que a cidadania virou uma ofensa pessoal e a grosseria deveria se impor como padrão de comportamento.

Os problemas vão muito além da pandemia, estão nas nossas raízes, mas a exigência de uso de máscaras para proteção contra a covid-19 e a proibição de aglomerações tornaram-se os maiores disparadores de discórdias. Agentes de saúde e profissionais de segurança, que tentam fazer as regras serem cumpridas, são alvos de pessoas que se acham superiores e expõem o lado mais pernóstico da nossa cultura, que tem no rebaixamento um de seus pilares. “Sabe com quem está falando?” é a frase preferida do anticidadão brasileiro para mostrar-se melhor do que os outros e burlar as regras.

A nova esquerda

Partidos progressistas como PSB e PCdoB começam a se reorganizar para superar a hegemonia petista, centrada na figura de Lula. Governador do Maranhão fala em fusão e na criação de um MDB esquerdista.

As articulações em torno das eleições municipais, mesmo que afetadas pela pandemia, estão deixando cada vez mais claro que o campo esquerdista precisa superar a hegemonia petista e a figura personalista do ex-presidente Lula. Os extremos que lideraram em 2018, o PSL bolsonarista de um lado, e o PT, de outro, estão em baixa, permitindo a reacomodação das forças moderadas. Com isso, avançam as negociações para a criação de uma nova agremiação de esquerda, que está sendo chamada de novo “MDB de esquerda” pelo governador do Maranhão, Flávio Dino. Um dos principais incentivadores desse rearranjo no campo progressista, Dino é um entusiasta da fusão de seu partido, o PCdoB, com o PSB.

Leia mais em Istoé.


EPOCA1Época

“Lidero uma instituição de Estado, não de governo”
Como a pandemia afetou relação entre Bolsonaro e o comandante do Exército.
General Edson Leal Pujol desagradou o presidente da República ao cumprimentá-lo com cotovelo em cerimônia militar no mês de abril; lideranças das Forças Armadas rejeitaram possibilidade de troca de comando.

Em 30 de abril, o presidente Jair Bolsonaro viajou a Porto Alegre para participar da cerimônia de troca da liderança do Comando Militar do Sul. Na ocasião, ele estendeu a mão para cumprimentar o comandante do Exército, Edson Leal Pujol, como se não houvesse pandemia, mas recebeu de volta o cotovelo, como mandam os protocolos de saúde. Pelo princípio da hierarquia, os demais generais seguiram o comandante, oferecendo o cotovelo ao presidente — o que o deixou visivelmente irritado.

Depois desse episódio, emissários do Planalto fizeram chegar ao comandante que ele poderia ser substituído antes do término de sua gestão. Bolsonaro queria alguém mais alinhado a seu governo no posto, insinuando que esse nome poderia ser o do ministro da Secretaria de Governo da Presidência, o general Luiz Ramos.

Até ingressar no Executivo, Ramos era comandante militar do Sudeste. Substituir um comandante no exercício do cargo é uma medida incomum e inédita. Desde o governo Lula, há uma regra implícita na sucessão das Forças Armadas: é alçado ao posto o oficial que cumpra os critérios de maior tempo de generalato e mais alta patente.

Romper essa tradição por razões de afinidade seria um golpe no princípio de hierarquia que norteia as Forças. Tal possibilidade fez o alto-comando enviar uma mensagem dura ao Planalto, também via interlocutores: de que não aceitaria uma troca tão atípica.

Ainda distante da proteção do centrão e em guerra com o Legislativo e o Judiciário, Bolsonaro decidiu ceder, evitando assim um confronto institucional com as Forças Armadas. Ramos, ainda na ativa, resolveu pedir para ir para a reserva.

‘Guerra e paz', o clássico da quarentena
O confinamento deu um novo impulso às ambições de ler a monumental obra de Tolstói. E muita gente leu.

Leia mais em Época.


CARTA1Carta Capital

SOS
O ministro da Economia, Paulo Guedes, conta com o Centrão para promover o desmonte final do Estado. Salve-se quem puder!

Celso Amorim
O chanceler de um tempo em que o Brasil tinha uma política externa independente considera um delírio o país se meter na briga entre os Estados Unidos e a China e acha que, para o mundo, um poste na Casa Branca seria melhor do que Donald Trump.

Leia mais em CartaCapital.
Tags: CartaCapital Época Istoé Revistas semanais Veja
A+ A-