Revista Veja destaca tensão política em meio à pandemia do novo coronavírus

Trombadas entre poderes e enfrentamento nas ruas sinaliza risco à democracia.

Da redação,

vejaVEJA

Muita calma nessa hora

Para um capitão que chegou longe com a estratégia de pôr fogo em sua própria trincheira, não há nada como tempos incendiários. No Exército, Jair Bolsonaro enfrentou um processo no fim dos anos 80 devido a um plano de plantar bombas em quartéis para chamar a atenção para a insatisfação salarial da tropa, conforme revelou VEJA na época (ele acabou sendo absolvido pelo Superior Tribunal Militar em um julgamento controverso).

Ao trocar a farda verde-­oliva pelo terno de parlamentar, manteve o comportamento belicoso e, no Palácio do Planalto, vive de crise em crise, boa parte delas gerada pelo próprio governo. Nas últimas semanas, um conjunto de forças externas contribuiu para alimentar a confusão, com uma marcha em direção ao STF de encapuzados de tochas na mão, enfrentamentos nas ruas de grupos contra e pró-bol­sonaristas, discursos sobre intervenção militar e reação exagerada do mais veterano magistrado da Suprema Corte comparando a situação do Brasil à da Alemanha nazista.

Além de pôr em risco a jovem e ainda frágil democracia do país, essa tempestade perfeita de tumultos só favorece quem gosta de um ringue permanente de confrontos e desvia o foco do combate ao principal inimigo do momento, o novo coronavírus, que já deixou um rastro de mais de 30 000 mortes.

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istoeISTOÉ

"Eu não consigo respirar"

Os EUA ardem. Os EUA ardem em protestos populares como sempre arderam, ciclicamente, quando um policial branco mata um cidadão negro – as chamas vão e voltam em um país no qual a democracia racial mostrou-se ao longo dos séculos não ser mais que mera mentira. Mas há agora um novo fenômeno social, uma nova e excelente notícia, a julgar pelos acontecimentos dos últimos dias: a vocação escravocrata do establishment americano talvez comece a ser varrida pela pressão das manifestações de rua – talvez, porque certeza não dá para se ter. Os EUA ardem, dessa vez, como não ardiam havia setenta anos.

Na semana passada, pelo menos quatrocentas e trinta cidades viveram mergulhadas em violência, depredações, saques, prisões, morte de manifestantes, coquetéis molotov e… fogo… fogo… fogo. Em resposta ao presidente Donald Trump, em seu primeiro movimento repressivo ao ameaçar por o Exército nas ruas, centenas de pessoas em Washington cercaram por três vezes a Casa Branca – a sede do governo precisou apagar as luzes por medida de segurança. É essa a ocasião inédita em que protestos pela morte de um negro anônimo romperam as fronteiras geográficas e ideológicas dos EUA e incendiaram inúmeros outros países. São milhões de pessoas mobilizadas. Antes disso, apenas o assassinato em 1968 de Martin Luther King, líder na luta pelos direitos civis, repercutira internacionalmente com tanta intensidade – mas ele já era, então, reconhecido mundialmente. Intelectuais, artistas, nomes famosos do esporte mobilizaram-se nas últimas horas em quase todo o planeta, incluindo o Brasil. Pois bem, faz-se hora de ir-se à cena que originou tudo isso, à cena que originou o que pode ser chamado de uma guerra civil. À cena que faz o mundo gritar: basta de segregação!

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epocaÉPOCA

A bolsa e a vida

Comprar ações brasileiras foi, nas últimas semanas, um bem-sucedido desafio à gravidade. Enquanto o país descendia à categoria de possível epicentro mundial da pandemia, o governo de Jair Bolsonaro desferia ataques quase diários à democracia e os números oficiais atestavam um PIB adentrando o que poderá ser a pior recessão em 120 anos, o índice Ibovespa, o que reúne as principais ações negociadas na Bolsa de Valores, tinha seu melhor maio desde 2009, saltando 8,6% no mês. No começo de junho, uma barreira psicológica foi ultrapassada. Na terça-feira, 2 o índice subiu acima dos 91 mil pontos, atingindo o maior patamar desde 10 de março, véspera da declaração de pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Parte importante da explicação desse comportamento dos investidores exige voltar um pouco mais no tempo. A B3, a Bolsa brasileira, foi a mais castigada pela pandemia. Em 23 de janeiro, quando o novo coronavírus parecia um assunto chinês e algo que, na pior das hipóteses, continuaria apenas na Ásia, o Ibovespa chegava a seu pico, 119.527 pontos. Em dois meses, o índice caiu quase à metade, na queda mais aguda e abrupta de sua história. “Nosso mercado está se recuperando de um patamar muito deprimido, porque havia antecipado um cenário mais catastrófico”, disse Luis Felipe Amaral, sócio gestor da Equitas, que tem R$ 5 bilhões em seus fundos.

O salto registrado em maio, portanto, é comparável ao caso de alguém que caiu no buraco e conseguiu subir alguns metros, mas ainda está longe da superfície. O investidor que comprou R$ 1.000 em Ibovespa no dia do pico, 23 de janeiro, tinha R$ 531 quando a Bolsa bateu no chão, em março, e R$ 741 no começo de junho. De março para cá, os setores que ajudaram a puxar o índice para cima foram o das plataformas de varejo on-line, aquecido pela maior demanda provocada pela pandemia, e o de commodities, impulsionado por um real mais fraco. Mas, mesmo com essa última alta do Ibovespa, o índice ainda perde cerca de 20% no ano.

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cartaCARTA CAPITAL

Galope ao desastre

“No pior momento da pandemia, quando o Brasil é o segundo epicentro mundial, os estados cedem e flexibilizam o isolamento social. Bolsonaro cavalga no caos.” A edição desta semana da revista Carta Capital trata da flexibilização do isolamento social em meio à pandemia do coronavírus e traz ainda uma entrevista com Ciro Gomes, que revela o que pretende caso chegue à presidência do Brasil.

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