Onda de novatos na bolsa pode gerar um ciclo virtuoso no Brasil, mostra Veja

Em plena pandemia, mais de 900 mil pessoas decidiram se aventurar no mercado de ações.

Da redação,

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A esperança de riqueza
Por que a onda de novatos na bolsa pode gerar um ciclo virtuoso no Brasil
Em plena pandemia, mais de 900 mil decidiram se aventurar no mercado de ações - um fenômeno inédito que traz bons sinais para empresas e investidores.

Os meses de pandemia, com suas quarentenas, jornadas de home office e isolamento social, registraram um fenômeno sem precedente no mercado de capitais brasileiro. Entre março e julho, mais de 900 000 investidores individuais registraram o CPF na B3, a antiga Bolsa de Valores de São Paulo. Trata-se de um número assombroso por vários aspectos. Na década compreendida entre 2007 e 2017, os investidores com esse perfil não ultrapassavam 620 000 pessoas. Em 2018, o ano fechou com cerca de 800 000, mas foi apenas no ano seguinte que a tendência de crescimento tomou fôlego — e de forma inédita. Em abril de 2019, a marca de 1 milhão de investidores foi rompida e cresceu de tal forma que hoje, um ano depois, praticamente alcançou o triplo desse número (2,82 milhões de investidores).

As novas pressões que Paulo Guedes enfrenta no governo Bolsonaro

Não é de hoje que o ministro da Economia, Paulo Guedes, encontra resistência de colegas da Esplanada dos Ministérios. A maior delas está no outro lado da rua, no prédio do Desenvolvimento Regional, ocupado por Rogério Marinho, que curiosamente foi seu secretário de Previdência e Trabalho. Desde que foi promovido ao primeiro escalão do Executivo, o ex-deputado pelo Rio Grande do Norte passou a trilhar um caminho oposto ao de Guedes. Articulou a criação do programa de investimentos públicos Pró-Brasil e encontrou no desenvolvimentismo militar seu principal fiador.

No Palácio do Planalto, inclusive, só mesmo no gabinete da Presidência é que Guedes encontra um bom ouvinte. Nas salas próximas, ocupadas pelos ministros da Casa Civil, Walter Braga Netto, e da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, os comentários sobre a atuação do chefe da Economia não são lá muito positivos. Diuturnamente, sopram nos ouvidos do presidente sobre como Guedes perdeu relevância durante o enfrentamento da pandemia de Covid-19 e que, com vistas ao processo eleitoral de 2022, o plano liberal do “superministro” joga contra as pretensões de Bolsonaro.

Os argumentos dos militares são claros: as reformas administrativa e tributária, as PECs do Pacto Federativo e Emergencial têm um evidente objetivo de reequilibrar a riqueza no país. Quem votou em Bolsonaro em 2018, as classes alta e média, além de investidores viciados na renda dos títulos do Tesouro, tende a perder nesse processo.

Para engrossar o argumento militarista, o dólar disparou, frustrando justamente esse grupo de eleitores. A saída para garantir a permanência no poder até 2026 aparece no aumento da popularidade entre as classes mais baixas, fruto da criação do auxílio emergencial. E aqui é onde a velha política e as antigas práticas populistas ganham espaço para se exibir. Programas assistencialistas, planos de geração de emprego de baixa renda e construção de moradias subsidiadas são, de acordo com essa visão simplista e equivocada, extremamente bem-vindos. Guedes, que segura como pode o teto de gastos, é um complicador nessa estratégia — e isso é positivo.

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Não ameace. Responda, presidente!
Por que Michelle recebeu dinheiro do operador de um esquema criminoso?

As investigações das movimentações de Fabrício Queiroz aprofundam as suspeitas sobre o clã Bolsonaro e alcançam o advogado Frederik Wassef, enredado em interesses obscuros de empresas que têm vínculos milionários com o governo. Acuado, o presidente parte para o ataque contra a imprensa. Disse a um repórter que desejava “encher sua boca de porrada”, chamou outro de “otário” e tachou os profissionais de comunicação de “bundões”. Mas se nega a responder a uma simples pergunta: Por que a primeira-dama recebeu dinheiro do operador de um esquema criminoso? Os insultos geraram uma onda de indignação na internet, com mais de 1 milhão de interações. Os episódios revelam que sua nova fase mais conciliadora é uma estratégia precária para se manter no poder.

O advogado do diabo
O personagem de Al Pacino no filme “Advogado do Diabo” ficaria constrangido diante dos malfeitos praticados pela família Bolsonaro com a participação de Frederick Wassef, o advogado do clã. O filho mais velho do capitão, senador Flávio, associado ao rábula que os representa na Justiça, formam uma dupla que faz a ficção do cinema ser superada pela realidade: a ganância é o pecado capital favorito.

Loba em pele de cordeira
Como a pastora e deputada federal Flordelis, acusada de envenenar e mandar assassinar a tiros o marido, conseguiu por tanto tempo passar-se por altruísta e bondosa.

A maldade é senhora de tão perfeitos disfarces de bondade que, ao descobri-la, muitas vezes tem-se a impressão de que se está no universo da ficção e não na vida real. A história que aqui vai se contar é, no entanto, dura realidade, muito embora pudesse ser uma fábula. Dura realidade com tentativas de envenenamento e assassinato com trinta tiros sob o véu da generosidade e altruísmo. Dura realidade e sua protagonista, pastora, cantora gospel e deputada federal, tem nome de flor. Cactos com nome de flor sem espinhos ­— Flordelis.

Na semana passada, a polícia e o Ministério Público do Rio de Janeiro anunciaram um surpreendente desfecho nas investigações sobre o assassinato do pastor Anderson do Carmo, morto em sua casa, em Niterói, em junho do ano passado. A sua esposa, Flordelis dos Santos de Souza, tornou-se ré acusada desse homicídio triplamente qualificado, mais tentativa de homicídio também qualificado, associação criminosa e falsidade ideológica. A arma do crime? Foi financiada por ela. Flordelis! Flordelis! Flordelis e sua candura! Mas justo ela, a pastora que exaltava o casamento nas músicas que entoava em cultos e discos? Mas justo ela que sisuda e bem composta defendia a moral e a família na tribuna da Câmara? Mas justo ela que adotara cinquenta e um filhos que vieram somar-se a seus quatro filhos biológicos? Mas justo ela que era um poço sem fundo de bondade? “Nada que é humano me é estranho”, escreveu certa vez William Shakespeare. Sigamos, pois, o dramaturgo que se fez exímio na corajosa tarefa de perscrutar a alma humana.

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Tragédia acidental
Polícia investiga se amiga atirou 'a seco' em Isabele
Os bastidores da investigação sobre a morte da adolescente, atingida pelo disparo de uma pistola empunhada por sua colega de 14 anos.

No domingo 12 de julho, a estudante Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, acordou às 13 horas. Naquela tarde, a adolescente seguiu para a casa de sua melhor amiga, Júlia*, de 14 anos. Ambas eram vizinhas no residencial Alphaville I, em Cuiabá.

Praticante de tiro, Júlia conheceu em um treino o namorado, João, campeão nacional da modalidade na categoria Júnior. Ele também foi à casa de Júlia naquele mesmo dia, com duas pistolas em um case.

Após o jantar, Isabele foi a banheiro e, na sequência, Júlia foi procurá-la. Ao abrir a porta, Isabele levou um tiro no rosto a uma altura de 1,44 metro do solo e a uma distância de 30 centímetros, segundo aponta o laudo pericial.

Cinquenta dias após o crime, o caso ainda não foi elucidado pelos investigadores. A adolescente sustentou, em depoimento, que foi ao encontro de Isabele para saber o que ela estava fazendo lá. Alegou disparo acidental após a arma cair no chão. Júlia não soube dizer, no depoimento, se apertara ou não o gatilho.

No laudo de balística assinado pelos peritos Reinaldo Hiroshi dos Santos e Pierre Biancardini Júnior, há uma pergunta feita pelo delegado que investiga o caso: “A arma de fogo questionada pode produzir tiro acidental?”. Os peritos responderam “não”.

Em depoimento, João disse que a namorada não havia visto que ele recarregara a arma, antes de guardá-la no case. Diante dessa constatação, na última vez em que Júlia tivera a arma em seu campo de visão, ela estava descarregada. Depois de João recarregá-la, para que a pistola disparasse, seria preciso movimentar um ferrolho, abrindo espaço para a munição seguir até a câmara. Só depois dessa ação, a arma estaria apta a disparar.

Em vídeos capturados pela polícia do celular de Júlia, é possível atestar que a adolescente sabia destravar armas com destreza. Esse conjunto de informações abriu uma outra hipótese de investigação, que até agora foi negada pela adolescente e por seus familiares: a de que Júlia, sem saber que a arma estava carregada, atirou “a seco” na amiga.

O mal-estar da 'Geração Recessão'
O drama dos brasileiros com menos de 30 anos que ao se tornarem adultos só viram crise pela frente — e por que o azar deles é também o de todos nós.

Eles estão por toda parte. Você provavelmente conhece um ou mais deles. Talvez sejam seus filhos, sobrinhos, primos, vizinhos, amigos ou simplesmente conhecidos. Pode ser, inclusive, você. Ao todo são 40 milhões de jovens brasileiros que tiveram o azar de tentar começar sua vida profissional nos últimos anos. Todos fazem parte de uma geração que tem enfrentado dificuldades como nenhuma outra. Em 2015 e 2016, a economia viveu a pior recessão de que se tinha notícia até então, com retrações anuais superiores a 3%. Depois vieram três anos de crescimento econômico pífio, pouco acima de 1%, o que manteve o desemprego num nível elevadíssimo, em dois dígitos. Se já estava difícil arrumar emprego para quem tinha experiência, o que dizer de quem nunca tinha pisado numa empresa?

Quando a situação parecia poder melhorar, vieram as confusões em série insufladas pela administração Bolsonaro e, depois, a grande crise econômica provocada pelo novo coronavírus. As projeções para o desempenho da economia neste ano já foram piores, mas a maioria dos analistas ainda prevê uma longa marcha a ré da ordem de 5%. Nestes últimos cinco anos, o que não faltou foram ideias supostamente voltadas para a retomada do crescimento, como o Plano Pró-Brasil, do governo de Jair Bolsonaro. Apesar de tantas promessas e tanta pompa, o país deverá fechar em 2020 uma “década perdida” do ponto de vista econômico, tirando o título dos famigerados anos 1980.

Seis meses de Covid-19 no Brasil: um panorama por médicos da linha de frente
Um semestre após a chegada do vírus, com 3,6 milhões de casos e mais de 115 mil mortes, profissionais que combatem a pandemia analisam o que aprenderam na observação de pacientes nos hospitais e com suas próprias histórias de recuperação da doença.

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carta2CartaCapital

Retrato do Brasil
Neymar, símbolo das ilusões de um país à deriva.

Delito consagrado
Crítico da prescrição, o procurador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, é salvo pelo dispositivo e pela leniência do Conselho Nacional do Ministério Público no caso do “Powerpoint” do ex-presidente Lula, suave com o lavajatista, o CNMPP é duro com outros promotores.

Olívio Dutra: diagnostica os males do País, aponta os graves erros cometidos pela chamada esquerda, mas não perde a esperança porque sentimentos e crenças positivos serpenteiam nas entranhas da terra e no coração dos homens.

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