Mitos e verdades: tudo o que a ciência já sabe sobre a pandemia da covid-19

Revista Veja traz a resposta de pesquisadores e profissionais de saúde, um ano depois da eclosão do primeiro caso.

Da redação,

vejaVEJA

As respostas da ciência

Tudo o que os pesquisadores e profissionais de saúde já sabem sobre a pandemia – quando a vacina ficará pronta, os tratamentos mais eficazes, os testes mais confiáveis e a possibilidade de uma segunda onda no Brasil

Numa era de tantos questionamentos de fatos inequívocos, como o formato da Terra ou resultados de eleições, o surgimento de uma pandemia de proporções históricas se transformou em terreno fértil para a disseminação de informações falsas e mitos. Impulsionado pela falta de filtros das redes sociais e pela ignorância de quem prefere espalhar tolices sem leitura e conhecimento, todo tipo de preconceito prospera. Contribui — e muito — para esse constrangedor comportamento a postura negacionista de algumas autoridades que, com objetivos egoístas e eleitoreiros, manipulam os cidadãos pendurados na internet, provocando ora o desleixo, ora pânico desnecessário.

Felizmente, a ciência vem fazendo de forma brilhante a sua parte neste combate. Oito meses depois da primeira morte em decorrência do novo coronavírus no Brasil, e quase um ano após o caso inaugural em Wuhan, na China, já é possível determinar, com alguma clareza, o que realmente funciona do ponto de vista da prevenção, dos cuidados iniciais e dos tratamentos — e, agora mais do que nunca, em relação à luta pelo desenvolvimento de uma vacina em tempo recorde.

Há boas notícias, aliás, nessa batalha. Na quarta-feira (18), a farmacêutica americana Pfizer divulgou resultados de eficácia acima de 95% em um imunizante produzido em parceria com a empresa de biotecnologia BioNTech. Uma outra companhia dos Estados Unidos, a Moderna, também anunciou sucesso com taxa de 94,5%. A Sinovac, fabricante da chinesa CoronaVac, que trabalha de mãos dadas com o Instituto Butantan, de São Paulo, celebrou uma excepcional conquista: a produção de anticorpos em 97% dos voluntários testados nas fases 1 e 2.

Os excelentes resultados dos laboratórios, por sinal, vieram em boa hora. Nas últimas semanas, houve uma acelerada leva de casos na Europa, nos Estados Unidos e inclusive no Brasil (embora em ritmo menos agressivo por aqui). É um momento preocupante, sem dúvida. Pede atenção, exige informação de qualidade, mas não medo. Por essa razão, a partir da vasta experiência recente acumulada por cientistas e profissionais de saúde, Veja elaborou uma lista de respostas às perguntas que andam nas cabeças em momento tão difícil da humanidade. O critério foi simples: separar falsidades de verdades, isolar os achismos e mostrar em que ponto estamos desta longa jornada. Com 1,4 milhão de mortes em todo o mundo, mais de 167 000 no Brasil, a Covid-19 demanda uma nítida compreensão do que ainda teremos pela frente. E a conclusão, como mostram as páginas a seguir, é uma só: graças à ciência, venceremos.

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istoeISTOÉ

Flávio, chefe de uma quadrilha criminosa

Flávio Bolsonaro era o chefe de uma organização criminosa que praticou lavagem de dinheiro, peculato e apropriação indébita, segundo denúncia do MP do Rio de Janeiro. O esquema desviou R$ 6 milhões. O uso suspeito de dinheiro vivo é frequente na família do presidente desde os anos 1990. Para proteger o clã, o mandatário interfere em órgãos de Estado e tenta desarmar o combate à corrupção.

No maior golpe sofrido pelo clã Bolsonaro até o momento, o Ministério Público do Rio de Janeiro destrinchou em detalhes acachapantes a organização criminosa chefiada pelo senador Flávio Bolsonaro que desviou recursos públicos na Assembleia Legislativa fluminense. Na prática, colocou a nu um esquema construído ao longo dos anos, com táticas que foram passadas de pai para filho. Segundo o MP, Flávio Bolsonaro usou parte do salário de seus ex-funcionários da Alerj em benefício próprio. A “rachadinha” era praticada em seu antigo gabinete no legislativo fluminense, onde exerceu o mandato entre 2003 e 2019.

Composta por mais de 300 páginas, a denúncia apresentada à Justiça no dia 3 aponta que o casal Flávio e Fernanda Bolsonaro adquiriu dois apartamentos pagando em espécie R$ 638 mil. Os promotores ressaltam a predileção pela operação com imóveis e o uso sistemático de dinheiro vivo — na esfera criminal, um indício de lavagem de dinheiro. Demonstram ainda a desproporção entre a evolução patrimonial do senador e suas fontes de renda, sinal de enriquecimento ilícito. Além deles, outras 15 pessoas foram denunciadas à Justiça. O atual chefe de gabinete de Flávio no Senado, Miguel Ângelo Braga Grillo, teve papel determinante. As investigações se arrastaram por dois anos e ganharam peso quando a ex-assessora Luiza Sousa Paes, passou a colaborar com a Justiça e contou que era obrigada a devolver mais de 90% do salário que recebia na Alerj para Fabrício Queiroz, operador do esquema — também denunciado. Foram desviados R$ 6 milhões por meio de 12 funcionários fantasmas.

Queiroz é “Homem de Jair”

Queiroz, mais uma vez, se prova um personagem central. É o homem-bomba, talvez o único capaz de implodir a família Bolsonaro como um todo. Foi “importado” por Flávio para a falcatrua da Alerj, mas sua ligação primordial é com presidente. Queiroz e Bolsonaro são amigos há mais de 40 anos, quando se conheceram no Exército. Pescam juntos, compartilham churrascadas e agem unidos na defesa do grupo. Por essa razão, fala-se nos bastidores em Brasília que Queiroz é um “homem do Jair”.

O MP do Rio não pode investigar o mandatário, mas há indícios que o envolvem. É o caso da filha de Queiroz, a personal trainer Nathália Queiroz. A quebra do seu sigilo bancário, autorizada pela Justiça, mostrou que ela transferiu mais de R$ 150 mil para a conta do pai enquanto estava empregada no gabinete de Bolsonaro na Câmara, durante o último mandato que ele exerceu antes de assumir a Presidência. A dinâmica de repasses entre Queiroz e a filha no gabinete de Bolsonaro, portanto, foi a mesma que abasteceu as contas pessoais do filho do presidente. Quando era funcionária de Flávio, Nathália repassou ao menos 82% de seus vencimentos para Queiroz, segundo o MP.

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epoca1ÉPOCA

A extrema-direita em choque

Os planos do bolsonarismo depois da derrota nas eleições municipais

O sábado (14), um dia antes do primeiro turno das eleições municipais, foi quando o presidente Jair Bolsonaro caiu em si. Apesar de ter passado a última semana fazendo lives em prol dos candidatos que apoiaria no dia seguinte, já sabia que o desfecho que se desenhava não era promissor. Suas principais apostas, Celso Russomanno, em São Paulo, e Marcelo Crivella, no Rio de Janeiro, amargavam números desanimadores, segundo as últimas pesquisas. Sem muita modéstia, atrelou o mau resultado dos aliados a sua própria ausência da corrida eleitoral — já que suas lives se tornaram frequentes apenas às vésperas do pleito. Mas reconheceu estar preocupado mesmo com outra coisa: o desempenho de seu filho Carlos Bolsonaro, candidato à reeleição para vereador no Rio de Janeiro.

Não se tratava, obviamente, do medo de que o zero dois não se elegesse. Carlos tinha sido o vereador com mais votos em 2016, e sua recondução ao cargo estava assegurada. O que deixava o presidente tenso era a possibilidade de sua votação ser abaixo do esperado. Bolsonaro atingiu em setembro o maior índice de aprovação numa pesquisa do Ibope desde que assumiu — 40% —, mas o respaldo dos eleitores ao filho serviria como um termômetro atualizado da popularidade do pai no reduto eleitoral da família. Abertas as urnas, ficou claro que os temores do presidente tinham, sim, fundamento. Carlos, que o acompanhou em carro aberto no dia da posse, acabou saindo menor do que entrou na campanha municipal. Em 2016, obteve 106 mil votos. Neste ano, não passou de 71 mil, uma queda de 33%. E, de quebra, o filho perdeu o posto de vereador mais votado da cidade para Tarcísio Motta, do PSOL.

Esse foi o pior recado do pleito, mas não o único. Russomanno, que contou com o apoio expresso do presidente, largou na frente nas pesquisas. No começo da campanha, isso encheu de esperança o Palácio do Planalto, que anseia fincar raízes no reduto eleitoral de seu adversário, João Doria, governador de São Paulo. Na tarde nublada de 3 de outubro, na Zona Sul de São Paulo, após um evento de campanha de Russomanno, Fabio Wajngarten, secretário executivo da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), era só otimismo. 

A bordo de um jipe Mercedes preto, disse a Época, sorridente: “Ele (Russomanno) já está eleito”. E prosseguiu em sua análise: “De um lado, a esquerda está acabada por causa da Lava Jato. De outro, tem o PSDB desgastado em São Paulo. Ninguém aguenta mais. Foi assim em 2018”, apostou o secretário. Russomanno amargou o quarto lugar, com apenas 560 mil votos (10,5% do total), enquanto o adversário do tucano Bruno Covas no segundo turno será Guilherme Boulos, do PSOL — cenário que configura dupla derrota para o presidente, que há dois anos venceu na capital paulista com 60% dos votos.

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cartaCARTA CAPITAL


Renovação

Em uma disputa eleitoral dominada pelo Centrão, Guilherme Boulos e Marília Arraes despontam como símbolos da esperança na política


- Desafios: Manuela D´Ávila enfrenta em Porto Alegre o reacionarismo, o machismo e a misoginia. Em Fortaleza, o pedetista José Sarto tem tudo para selar a mais retumbante derrota do bolsonarismo.

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