Levantamento mostra quem são os 10 fazendeiros que mais destruíram a Amazônia

Veja mostra que enquanto eles ganham, o País inteiro perde, especialmente pela grande quantidade de multas que deixam de ser cobradas.

Da redação,

vejaVEJA

Os campeões do desmatamento

Levantamento de Veja revela quem são os dez fazendeiros que mais destruíram a Amazônia nos últimos meses. Enquanto eles ganham, o país inteiro perde

Na jornada com destino a Paranatinga, município localizado ao leste de Mato Grosso e a 376 quilômetros da capital, Cuiabá, a Rodovia MT-251 se transforma num sinuoso caminho por meio de pastos, plantações e vegetação seca. Com 22 000 habitantes, o vilarejo não parece diferir muito de tantos outros lugares pacatos do interior do Brasil com economia voltada para a vida no campo. As aparências enganam. A cidade é terra de fazendeiros criminosos, onde forasteiros são recebidos por seguranças armados com espingarda de cano longo, e vem ocupando de forma quase silenciosa o topo de um ranking pouco honroso: é hoje um dos epicentros da destruição da Amazônia.

em 1964 por caçadores de diamante, Paranatinga atrai atualmente outro tipo de negócio, como deixa claro a cabeça de boi que ostenta o centro do seu brasão oficial. A completa ausência de fiscalização e a certeza da impunidade permitem ali que um único agropecuarista converta em pasto uma área onde havia milhares de árvores sem correr o risco de ir para a cadeia.

Na entrada de Santiago do Norte, um distrito de Paranatinga que cresce em meio ao que um dia já foi floresta, um outdoor com a imagem de Jair Bolsonaro dá as boas-vindas à “nova fronteira agrícola do Mato Grosso”. A estrada de terra rumo a Santiago tem um trânsito de caminhoneiros que se arriscam diariamente transportando grãos, gado e madeira irregular.

São necessárias cinco horas sacolejando dentro do carro em uma rota repleta de árvores queimadas para chegar à porteira da Fazenda Cristo Rei, pertencente ao agropecuarista Edio Nogueira e que está a 18,5 quilômetros do limite com o Parque Nacional do Xingu. Ela é a propriedade campeã de desmatamento da Amazônia. Seu dono está sendo processado por ter ceifado quase 24 000 hectares de mata nativa, o equivalente a 22 000 campos de futebol. A imagem aérea da fazenda feita pelo drone da equipe de Veja e que ilustra a abertura desta reportagem dá uma ideia do tamanho do estrago. Pela “obra”, o dono do pedaço recebeu em março uma multa recorde de 50 milhões de reais.

Pelo triste histórico da justiça ambiental do Brasil, dificilmente vai pagar um centavo. Lentidão da burocracia e recursos quase infindáveis empurram por anos as discussões, até a prescrição dos crimes. Resultado: só 3% das infrações emitidas pelo Ibama no país são efetivamente cobradas.

Enquanto os números retumbantes de destruição da Amazônia produzem um justo alarde no Brasil e no exterior, o nome dos responsáveis por essa catástrofe raramente vem à luz. Para identificá-los, a reportagem de Veja realizou um trabalho exclusivo criando o ranking dos dez maiores desmatadores com base nas maiores multas aplicadas por uma única infração do tipo entre agosto de 2019 e julho de 2020, período em que é medida a devastação anual do país pelo Prodes, projeto de monitoramento por satélites criado em 1988.

Na quarentena, a criminalidade diminuiu em boa parte do país

O coronavírus deixou até agora no Brasil um triste legado de mais de 90 000 mortos e 2,5 milhões de infectados, além da recessão econômica. Mas se é possível enxergar algum alento em meio à tragédia, ele vem do fato de a pandemia ter arrefecido uma chaga brasileira: a criminalidade. Levantamento feito por Veja em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul mostra que no trimestre em que a quarentena foi adotada, de abril a junho, houve uma queda expressiva de crimes contra a vida (homicídios e latrocínios) e o patrimônio (roubos e furtos) em comparação com o mesmo período de 2019.

Há justificativas simples e outras mais complexas para o movimento. Sobre roubos e furtos, a explicação está no próprio isolamento social. “A diminuição deve-se, principalmente, à redução da atividade econômica. Há menos pessoas nas ruas, menos dinheiro em circulação”, diz Rafael Alca­dipani, professor da FGV e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A constatação mostra como era exagerado um dos argumentos do presidente Jair Bolsonaro contra a adoção da quarentena no país — em março, ele dizia que, se a população fosse impedida de trabalhar, haveria uma onda de saques, assaltos e furtos. Não houve, mas é fato que o seu próprio governo contribuiu para evitar tal cenário, com o pagamento do auxílio emergencial de 600 reais a 63,5 milhões de pessoas. As blitze sanitárias com fiscais, policiais e guardas também ajudaram a inibir a ação de criminosos.

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Geração transformadora

Eles estão falando para milhões. Dominam a cena política. Converteram-se em oráculos para uma multidão de jovens. O que têm em comum esses líderes que, apesar da pouca idade, trazem a mensagem de que um novo amanhã é possível?

A esperança emana dos jovens. Num mundo tumultuado pela pandemia, pelo desrespeito às minorias e pelo avanço da extrema-direita, são eles que podem nos salvar do abismo. Caberá a uma nova geração de líderes que agora ganha apoio institucional e musculatura política pelas redes sociais, enfrentar a escalada conservadora que se desenvolve no planeta e organizar uma nova sociedade menos desigual e mais justa.

Rebeldes e sensatos, esses líderes nascentes pensam e agem globalmente, embora não percam de vista as questões locais e nacionais, e substituíram a impulsividade e o sectarismo que caracterizavam muitos jovens políticos do passado, por uma visão estratégica, pluralista e humanista. Há perspectivas se abrindo no meio da escuridão e gente que usava fraldas ou brincava de pega pega na virada do século, está, hoje, na vanguarda da transformação, combatendo ideologias obscurantistas e influenciando, pela internet, milhões de pessoas com ideias progressistas.

Os exemplos começam no Brasil, com nomes como o do youtuber Felipe Neto, 32 anos, que tem promovido um debate avançado e ações sociais criativas e transgressoras, ou da deputada Tabata Amaral, 26, que optou por uma carreira política convencional, mas é uma promessa consistente, e se multiplicam pelos quatro cantos do mundo. A paquistanesa Malala Yousafzai, 23, vítima de um atentado terrorista praticado pelo grupo Talibã é uma dessas personagens decisivas nos tempos atuais. Ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 2014, por sua luta pelo direito das mulheres à educação. A ambientalista sueca Greta Thunberg, 17, que fará uma doação de R$ 600 mil para a proteção da Amazônia, é outra. Há também a americana de origem cubana Emma Gonzáles, 21, expoente do movimento antiarmamentista nos Estados Unidos, e a britânica Amika George, 21, ativista pela distribuição gratuita de absorventes íntimos. Outro nome é o da ugandense Vanessa Nakate, 23, militante pela ação climática na África.

As estrepolias de Eduardo malvadeza

O tempo fechou no último final de semana entre os deputados Eduardo Bolsonaro (suspenso do PSL-SP) e Julian Lemos (PSL-PB), vice-presidente nacional do partido pelo qual o presidente Bolsonaro elegeu-se presidente da República e o 03 tornou-se o deputado federal mais bem votado da história do País, com 1,8 milhão de votos. A troca de ataques começou com Eduardo humilhando Julian, que é uma espécie de tesoureiro do PSL e principal aliado do deputado Luciano Bivar, presidente nacional da legenda: ambos romperam com o presidente e seus familiares, o que levou-os a deixarem o partido e tentarem criar o Aliança pelo Brasil, que não saiu do papel.

Em entrevista à Istoé, Julian Lemos diz que enquanto Eduardo Bolsonaro era o presidente da legenda pesselista de São Paulo, no ano passado, ele desviou recursos do milionário fundo partidário do partido. Eduardo gastou, de forma irregular, em agosto de 2019, o valor de R$ 600 mil para pagar as contas do evento “Cúpula Conservadora das Américas”, promovida pela Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), da qual o filho 03 é líder no Brasil (a entidade tem origem nos Estados Unidos, mas Eduardo assumiu a tarefa de promovê-la na América Latina). ele também é acusado de comprar apartamento com dinheiro da Câmara e de praticar rachadinhas com a advogada Karina Kufa.

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Os caminhos do vírus

Cidades brasileiras onde o novo coronavírus mais matou conseguiram voltar com parte da atividade econômica há mais de um mês sem sofrer, até agora, uma segunda onda da epidemia

Enquanto o Brasil apresenta um mapa trágico de mais de 1.000 mortes diárias por coronavírus há quase um mês, as cidades do país onde a devastação provocada pela pandemia chegou antes, naquelas semanas de maio e junho que hoje parecem um passado distante, enfrentam um momento de espera.

Para tentar obter um diagnóstico mais aprofundado, Época analisou a curva das mortes desde o início da pandemia nos municípios brasileiros com o maior número total de vítimas, mas que já enfrentaram sua semana mais letal há pelo menos um mês. São cidades como Belém e Manaus, onde os sistemas de saúde colapsaram, ou metrópoles como o Rio de Janeiro, que chegou a contabilizar uma média móvel de 134 mortes por dia na primeira semana de junho, o recorde nacional. Em São Paulo, o número chegou a 110 em meados daquele mês.

A média móvel entrou de vez no noticiário da pandemia nas últimas semanas porque é o melhor critério para analisar a tendência, ao fazer uma média dos dados dos sete dias mais recentes, que corrige a distorção causada pela falta de mão de obra para notificar óbitos em finais de semana ou de falhas pontuais em um ou outro dia. E ela mostra uma queda significativa nas mortes nessas cidades: no dia 27 de julho, ela estava em 63 mortes por dia na capital paulista (queda de 42% em relação ao auge letal) e em 46 óbitos diários no Rio (redução de 66%).

AGU defende no STF que Forças Armadas não podem atuar como Poder Moderador

A AGU enviou uma manifestação ao STF refutando a tese de que as Forças Armadas possam atuar como uma espécie de Poder Moderador, ideia já defendida por nomes como Augusto Aras, Ives Gandra e apoiadores de Jair Bolsonaro em protestos.

"Não se faz presente, na conformação constitucional brasileira, a possibilidade de as Forças Armadas atuarem como uma espécie de poder moderador", afirma o documento.

O órgão cita uma nota da Subchefia para Assuntos Jurídicos que afirma que considerar as Forças Armadas como um poder moderador significaria considerar o Poder Executivo um superpoder.

AGU defendeu também que as Forças Armadas têm missão de repelir movimentos para extinguir a tripartição de poderes.

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Desemprego

Pela primeira vez na história, metade da população brasileira em idade de trabalhar está fora do mercado, e o pior ainda está por vir

A taxa de pessoas desocupadas no Brasil é de 13,1% da população, em um total de 12,2 milhões de pessoas sem trabalho. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid-19 (Pnad Covid-19) para a segunda semana de julho, entre 5 e 11, divulgada na sexta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número fica acima da taxa de 12,3% da semana anterior (11,5 milhões) e da primeira semana de maio, que registrou 10,5% da população desocupada.

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