Istoé aponta acordo questionável entre Dilma Rousseff e Eduardo Cunha

Negociação de cargos políticos e troca de apoio são negociados para a manutenção do poder, de ambos.

Da redação,
ISTOEIstoé

Dilma & Cunha, um acordo imoral

A presidente da República e o presidente da Câmara negociam acertos obscuros para ambos salvarem seus mandatos. Desde a indicações políticas, troca de favores e apoio político, ao que parece, tudo é negociável contanto que consigam sobreviver em seus cargos.

Dilma, com a sombra do impeachment cada vez mais nítida, vê no presidente da Câmara a pessoa que deve ser convencida, a todo custo, para impedir o andamento de qualquer processo de deposição. Enquanto que Eduardo Cunha, cada vez mais fragilizado com o nome envolvido em escândalos de corrupção, tenta garantir da petista pelo menos a salvação no Conselho de Ética, o que lhe garantiria foro privilegiado para a investigação e julgamento do processo da Lava Jato.

No que pode vir a ser um abraço de afogados, cuja ética e moral foram deixadas de lado, a dúvida é quem conseguirá escapar das relações cada vez mais perigosas da política nacional.

A grande família

Dois filhos e uma nora do ex-presidente Lula são citados como beneficiários de propina. Esquema envolve a intermediação do empresário José Carlos Bumlai, amigo íntimo do petista.

As revelações fazem parte do arsenal de histórias contadas aos integrantes da Lava Jato pelo delator Fernando Soares, que na próxima semana será liberado para ir para casa, depois de ficar um ano preso. O conteúdo do depoimento do lobista, também chamado de Fernando Baiano, começou a ser conhecido na última semana. Segundo Baiano, R$ 2 milhões da propina desviada da Petrobras foram repassados para custear gastos de Lulinha e da nora de Lula.


VEJA1Veja

A Lava-Jato vai emergir

As investigações da Lava-Jato estão cada vez mais próximas do alto escalão do governo e, temendo as consequências, recentes adversários políticos ensaiam um acordo para ambos saírem ilesos e manterem distância do poder da Justiça.

Na última quinta-feira (15), o ex-presidente Lula se reuniu com deputados petistas e reforçou a importância do partido se manter coeso no apoio a Eduardo Cunha. Em contrapartida, o presidente da Câmara lembrou que é capaz de acelerar ou atrasar as apreciações dos pedidos de impeachment contra a presidente Dilma. A degeneração da política chegou a tal ponto que declarações, negociações e acordões que deveriam provocar repulsa são feitos à luz do dia.

Epidemia de cinismo

Na cueca, no colchão… Como os políticos brasileiros “guardam” o dinheiro

A alta circulação de dinheiro em espécie entre os políticos nacionais são um termômetro do nível de corrupção do país. Em uma nação, cuja segurança pública é um dos principais problemas a serem resolvidos, a explicação mais lógica para que pessoas se arrisquem a possuir grandes quantias em cash é sua origem ilícita.

Contudo, as desculpas utilizadas por quem é flagrado com o dinheiro na mão soariam ridículas, se não fosse a desfaçatez de quem as utiliza.


EPOCA2Época

O senhor do impeachment

Mesmo com as novas denúncias contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o parlamentar ainda tem grande poder e influência entre os integrantes da Casa. Os rumores de negociação com o PT para evitar sua cassação não garantem a existência de um acordo de paz selado entre Cunha e Dilma.

As informações enviadas pelo Ministério Público suíço, de que foram localizadas quatro contas em nome de Cunha e de sua mulher, Cláudia Cruz, subsidiaram a Procurador-Geral da República, Rodrigo janot, a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para investigar o deputado. O ministro Teori Zavascki aceitou o pedido.

Mesmo atingido com as denúncias, Cunha ainda demonstra grande habilidade para conduzir os processos de impeachment da presidente Dilma no ritmo que lhe é conveniente. Fato que além de trazer grande preocupação à chefe do executivo, confere o real tamanho do poder do presidente da Câmara.


CARTA1CartaCapital

Cunha encolhe

Uma canetada de Teori Zavascki, seguida de outra de Rosa Weber, ambos juízes do Supremo Tribunal Federal, mudou em apenas um dia o cenário político brasileiro. Embora ainda sujeito a chuvas e trovoadas, o governo recuperou força e fôlego, após o embargo do STF ao rito de impeachment definido no final de setembro.

Pelas regras estabelecidas por Eduardo Cunha, qualquer deputado poderia questionar uma eventual rejeição do pedido de impeachment de Dilma. Assim, o STF desfez o ritual.

Além disso, o Supremo autorizou o pedido da Procuradoria-Geral da República para abertura de inquérito contra ele, para investigar as denúncias de contas não declaradas na Suíça. O novo escândalo caiu como uma bomba no colo do presidente da Câmara, que agora procura mudar sua estratégia para permanecer ileso.

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