Em última edição do ano, Veja faz retrospectiva de 2019: o ano das turbulências

Dos princípios democráticos ao meio ambiente, quase nada foi poupado de ataques mundo afora.

Da redação,

veja1VEJA

Retrospectiva – De tirar o fôlego

Do clima à democracia, riscos foram espalhados pelo mundo afora. Governo Bolsonaro fez a sua parte: do desprezo ao meio ambiente à nostalgia do AI-5

Foi o ano de todos os desvarios. Ou seria melhor dizer “o ano de todas as perplexidades”? Foi o ano das explosões nas ruas, da Bolívia a Hong Kong, do Equador ao Iraque, do Irã ao Chile. Também se poderia dizer que foi o ano das “monumentais demonstrações de impaciência”, conforme o jornalista inglês Jeremy Harding classificou o movimento dos coletes-amarelos da França. Os desvarios marcaram o ano por efeito do comportamento de líderes como Donald Trump, nos Estados Unidos, Boris Johnson, no Reino Unido, e Jair Bolsonaro, no Brasil, entre outros. Criadores de uma estratégia do estardalhaço, exploraram-na como um meio de atrair atenções, ganhar novas adesões e garantir as antigas. As perplexidades vão por conta dos protestos de massa que nascem por um nada e evoluem para um tudo.

Foi o ano de alarmes trágicos e de derrocadas cômicas. O Dicionário Oxford, que desde 2004 elege a palavra do ano, anunciou que climate emergency, emergência climática, era a vencedora de 2019. “Neste ano, o crescente interesse do público pela ciência do clima, e a miríade de suas implicações para comunidades ao redor do mundo, gerou enorme discussão sobre o que o secretário-geral da ONU chamou de ‘a definidora questão de nossa época’ ”, justificaram os responsáveis pela escolha. Também pesou o fator quantitativo. 

Ao fim de pesquisas em um amplo espectro de sites de língua inglesa, o Dicionário Oxford descobriu que climate emergency apareceu neste ano, até setembro, 100 vezes mais do que em igual período do ano passado. Mundo afora, desvarios do fogo (nos incêndios da Califórnia) e da água (na enchente de Veneza) vieram a concorrer com os desvarios humanos. No Brasil foram quatro, em 2019, as tragédias do meio ambiente: Brumadinho, devastação da Amazônia, óleo nas praias e governo Bolsonaro.

Leia mais em Veja.


istoe2ISTOÉ

Perspectiva 2020 - o ano do Parlamento

Vão depender, fundamentalmente, da boa articulação do governo com o Congresso. As próximas medidas que podem assegurar o desenvolvimento sustentável do País. Mesmo com a aprovação da Previdência, que equilibrou as contas públicas, sem as reformas tributária e administrativa, o crescimento esperado na casa de 2,5% pode ficar comprometido. O jogo  de verdade começa agora.

Se não fosse a ação determinada dos presidentes da Câmara e do Senado, com o apoio majoritário dos parlamentares, o País iniciaria 2020 em um quadro de crise política e sem rumo na economia. Felizmente, não foi assim. A Reforma da Previdência, que permitiu o reequilíbrio das contas públicas e impediu a quebra do País, foi garantida pelo Congresso. E isso aconteceu enquanto o presidente perdia o foco das necessidades urgentes do País, estimulava sua guerrilha virtual contra inimigos reais e imaginários e voltava suas baterias contra os generais qualificados de sua própria equipe. Nesse momento, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, teve um papel moderador essencial para restabelecer a urgência das mudanças e o equilíbrio entre os Poderes.

Bolsonaro prepara uma minirreforma ministerial. O objetivo é aumentar a interlocução com o Congresso

Se depender do mandatário, há mais turbulência à vista. Ao contrário do imaginado, a polarização política não diminuiu no primeiro ano do governo Bolsonaro. O radicalismo imperou no novo governo, na oposição esquerdista e também naqueles que acompanharam o ataque crescente à Lava Jato, dos dois lados do espectro. Mas um novo cenário político se desenha a partir das articulações para o pleito presidencial de 2022 e das eleições municipais de outubro próximo.

No Congresso, o Executivo tem cada vez menos força para impor sua agenda. O presidente dinamitou sua base de sustentação na Câmara. Não disporá de uma legenda própria, já que está em pé de guerra com o seu antigo partido, o PSL, a segunda maior bancada na Câmara. O novo partido bolsonarista, o Aliança pelo Brasil, não deve obter o número mínimo necessário de assinaturas a tempo de disputar o pleito de 2020. 

Leia mais em Istoé.


epoca2ÉPOCA

"No humor vale tudo"

Fábio Porchat rebate críticas a "Jesus Gay" e conta histórias de sua vida que dariam um programa

No vídeo que entrará no ar nos próximos dias no canal do Porta dos Fundos, Jesus continua supostamente gay, supostamente de esquerda, supostamente indeciso diante de grandes questões da vida, entre elas ocupar o lugar do Pai em vez de vender pulseirinha de miçanga. Choramingando, sem saber o que fazer depois que um grupo de humor resolveu fazer piada com sua masculinidade, ele resolve procurar a ajuda terrena de um padre. O esquete é uma resposta ao bafafá causado pelo especial de Natal deste ano da produtora de conteúdo humorístico, A primeira tentação de Cristo. Apesar de todos os supostamentes, a história, que tem ainda Maria fumando maconha e dando uns amassos em Deus nas barbas do profeta e marido José, foi crucificada por católicos, evangélicos, políticos. Rendeu tuíte do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) questionando se “precisa disso?”, abaixo-assinado com quase 1 milhão de assinaturas para sua retirada do ar e convocação maciça de boicote. Fábio Porchat assina o roteiro e interpreta o Diabo, supostamente gay, supostamente mau, supostamente o aliciador de Jesus rumo à tal primeira tentação do título.

Foi em nome dessa recente polêmica religiosa que, aos 36 anos, Porchat, autodefinido como “humorista de bermuda e chinelo” — figurino de seu primeiro stand-up comedy na vida, em 2006, e de sua entrevista à revista Época, na última terça-feira —, tornou-se o mais novo alvo das pedradas conservadoras. “Acho que tudo é uma questão de prioridade. O que me incomoda é o racismo, o que incomoda a eles é a possibilidade de Jesus ser gay em um vídeo. Muito bom ver que as pessoas que estão contra você são o Silas Malafaia (pastor), o Marco Feliciano (deputado federal pelo PSC), o Garotinho (ex-governador do Rio de Janeiro), a família Bolsonaro. Sinal de que você está no lugar certo”, resumiu Porchat, que ficou surpreso com o fato de a maior polêmica do especial ter envolvido a sexualidade de Cristo. “E eu achando que Deus querendo Maria fosse dar rebuliço... O que isso mostra é que a sociedade é homofóbica. Ficar ofendido porque Jesus é gay é mais crime que fazer um Jesus gay.”

Leia mais em Época.


carta1CARTA CAPITAL

Ele não

Presente de Natal: uma edição inteira sem falar em... "você sabe quem".

- Os pedágios em cada esquina: as consequências da financeirização da economia e da vida cotidiana.

- O comércio da dor: A epidemia de opióides espalha-se nos Estados Unidos, país onde mais gente morre de overdose do que de acidente de carro.

- Quatro teses sobre o trabalho: Como explicar o valor cada vez menor da atividade humana na globalização.

- Por 1 grama de racionalidade: Um episódio explícito de racismo e a loucura do sistema carcerário brasileiro.

Leia mais em Carta Capital.

Tags: Carta Capital Época Istoé revistas semanais Veja
A+ A-