Economia brasileira deve crescer pelo menos 4% em 2021, diz Guedes

Ministro da Economia concedeu entrevista exclusiva à revista Veja e fez um balanço de sua pasta.

Da redação,

veja2VEJA

O ano da virada

Em entrevista exclusiva, Paulo Guedes conta os momentos mais difíceis que enfrentou no ministério até aqui, afirma que a economia deve crescer pelo menos 4% em 2021 e que o Brasil vai se transformar na maior fronteira de investimentos do mundo

Entre os 22 ministros empossados por Jair Bolsonaro em janeiro de 2019, apenas dois ostentavam o título de superministros. Um deles, Sergio Moro, pediu demissão da Justiça ao desconfiar que o combate à corrupção, sua principal bandeira, não estava entre as verdadeiras prioridades do governo. O outro é Paulo Guedes. O ministro da Economia foi encarregado de implementar a desejada, necessária e fundamental agenda liberal prometida pelo presidente da República durante a campanha.

O cronograma previa a realização de três grandes reformas (previdenciária, tributária e administrativa), além da privatização da maioria das estatais — alicerce que sustentaria o desenvolvimento, impulsionaria o crescimento ininterrupto por ao menos uma década e geraria milhões de empregos. Era esse o compromisso assumido com o eleitor.

A realidade, porém, apontou em outra direção. À exceção do novo sistema de aposentadoria dos brasileiros, aprovado no ano passado, nenhum dos projetos avançou. A prometida simplificação dos impostos não saiu do papel, o enxugamento da máquina pública ainda é uma miragem e as empresas deficitárias controladas pela União continuam acumulando prejuízo atrás de prejuízo. Tudo isso em meio à terrível pandemia do coronavírus.

Resultado: o PIB encolheu, o desemprego bateu recordes e os superpoderes do ministro passaram a ser colocados em dúvida, a ponto de se tornarem recorrentes notícias sobre a possível saída dele do governo. Boatos? A maioria sim, embora o ministro confesse que, em certo momento, realmente pensou em jogar a tolha e assistir ao “caos” bem longe de Brasília, tantas eram as divergências entre ele e outros assessores do governo.

Na quarta-feira (16), Paulo Guedes recebeu Veja para fazer um balanço do ano e projetar os objetivos para 2021. Foi uma conversa franca e o ministro parecia mais relaxado que o normal, quase calmo. “Tivemos um ano terrível, claro, mas tomamos decisões corretas que impediram o Brasil de mergulhar no caos”, resume.

O tom de voz só se alterou quando ele foi instigado sobre as críticas que tem recebido, especialmente as feitas por ex-ministros da Economia de outros governos. “Esses que estão falando mal podem me dizer o que fizeram quando estavam aqui? Um deles, por exemplo, entregou o país com uma inflação de 5 000%. Isso é que é ridículo. São falsas narrativas políticas, negacionistas, anticientíficas, porque a ciência é baseada em resultados empíricos”, avalia. Ao repetir essa última frase, o ministro olhou pela janela de seu gabinete, de onde é possível enxergar as torres do Congresso — o foco de muitos boatos e das tais falsas narrativas.

Leia mais em Veja.


istoe2ISTOÉ

Os médicos

Istoé premia médicos, heróis de 2020. Se não fosse por eles, a pandemia que já vitimou quase 200 mil brasileiros, teria sido pior. Entre esses profissionais, destaca-se o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. Pela firmeza ao enfrentar o vírus e o presidente em suas ações irresponsáveis e negacionistas, foi escolhido o Brasileiro do Ano.

Em todo o planeta há um desejo unânime pela cura da Covid-19 que é a maior tragédia contemporânea da humanidade. Ao todo, são 73,6 milhões de infectados e 1,6 milhões de mortos, no mundo. O Brasil é o País com o segundo maior número de vítimas: já passou de 184 mil mortos, além de quase 7 milhões de pessoas contaminadas. O ano foi marcado pela luta dos profissionais de saúde. Portanto, nada mais legítimo do que premiar quem esteve na linha de frente do combate ao coronavírus.

O maior homenageado por ISTOÉ, na edição dos “Brasileiros do Ano”, é o médico e ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Aos 56 anos, manteve seu juramento de médico e defendeu a ciência e as vidas dos brasileiros. Mesmo que para isso tivesse de enfrentar a insanidade do seu chefe, o presidente Bolsonaro. Como resultado do embate, foi demitido em abril, no auge da pandemia. Mandetta foi a referência ética para um País que expôs suas mazelas, especialmente devido a incompetência das suas autoridades. Junto com o ex-ministro são reverenciados: a biomédica Jaqueline Goes de Jesus; a médica pneumologista Margareth Dalcomo; o médico hematologista Dimas Covas; e a médica clínica-geral Dulce Pereira de Brito.

Mandetta estava no mais alto posto da saúde pública quando a Covid-19 chegou ao País. Cabia a ele utilizar toda a sua expertise científica para pensar nas ações mais eficazes para o combate ao vírus. Era algo novo no mundo e a literatura médica não seria suficiente para oferecer soluções. Em entrevista, à ISTOÉ, o médico conta que soube desde o início que as medidas necessárias seriam duras. A falta de material para proteção ia exigir disciplina das pessoas para ficar no isolamento social e, assim, evitar a transmissão. Ele foi obrigado a se posicionar ostensivamente contra a postura irracional do presidente, provocando um embate público inédito entre o ministro e o mandatário que se mostrava desqualificado para enfrentar a crise.

Enquanto Bolsonaro afirmava que menos de 800 pessoas morreriam e que era só uma gripezinha, o ministro aconselhava a fazer um esforço colaborativo com toda a sociedade porque “poderiam morrer mais de 180 mil pessoas”, conforme ele avisou ainda em março. Mas Mandetta revela que o presidente preferia ouvir outras pessoas menos qualificadas. O então ministro chegou a explicar de forma didática. “Nosso inimigo era o vírus. Mas Bolsonaro preferiu criar novos inimigos. Ele atacou governadores, prefeitos, STF e ainda sugeriu que a China fazia um complô internacional”, disse. Além da discordância pública, a vaidade do presidente ficou abalada. Mandetta era, naquele momento, a personalidade mais importante do governo. Algo natural para a circunstância. Hoje, inclusive, ele tem o segundo nome mais procurado no Google durante 2020 no Brasil.

Apesar do obscurantismo de Bolsonaro, o ex-ministro não esteve só na luta contra o coronavírus. O País viu se destacarem outros profissionais que são homenageados como “Brasileiros do Ano”, por ISTOÉ. A coordenadora médica de saúde populacional do Hospital Israelita Albert Einstein e clínica geral, Dulce Pereira de Brito, implantou um projeto de apoio psicológico que já atendeu mais de 10 mil pessoas. A plataforma Ouvid busca a promoção de calma, resiliência e esperança. Os usuários podem acessar podcasts, meditações guiadas e dicas para exercícios físicos. Tudo para amenizar o sofrimento causado pela covid-19.

Leia mais em Istoé.


epoca2ÉPOCA

Revolução psicodélica

Como funciona o primeiro tratamento aprovado pela Anvisa que usa uma substância psicoativa para curar a depressão

Aos 24 anos, a radialista Roberta Helena começou a ter crises de pânico que tiravam seu ar por cerca de 20 minutos quase todas as noites. Em São Bernardo do Campo, São Paulo, ela e a família foram em busca de tratamento, e nenhuma das opções propostas pelos médicos cessava os sintomas por completo. Roberta começou também a ter crises de ansiedade e de depressão, o que afetou sua vida pessoal, profissional e social. Tentou tirar a própria vida mais de três vezes. Perdeu o emprego e se divorciou. Chegou “ao fundo do poço”, como classifica. Até que um exame genético indicou que ela teria resistência à absorção dos principais medicamentos psiquiátricos, o que explicava sua depressão refratária. Foi quando descobriu que a cetamina, uma substância psicodélica, que age diretamente no sistema nervoso central e altera a função cerebral, poderia ser usada no tratamento de casos como o dela.

Os efeitos foram imediatos. “A cetamina é um dos últimos recursos. Por anos tentei tratamentos tradicionais que não funcionaram. A sua vida para. Não existe mais mundo”, lembrou Roberta, hoje com 34 anos. “A cetamina não é um milagre, mas a primeira ação dela é no pensamento negativo. Na primeira dose, parei de tê-los sobre a minha vida, principalmente sobre suicídio.” Um mês depois da primeira sessão, Roberta voltou ao trabalho. Hoje, pouco mais de um ano após o início do tratamento, ela faz infusões quinzenais de cetamina em uma clínica e complementa o tratamento com medicações tradicionais, como ansiolíticos. Ela se sente com uma “vida totalmente normal”. “É uma microdose, e não é o mesmo medicamento que as pessoas usam em baladas. Depois da sessão, parece que você não tomou medicamento nenhum”, relatou Roberta, em referência ao consumo do analgésico, em elevadas quantidades, feito por jovens durante festas, e que provoca um efeito entorpecente. “Quem convive comigo tem certeza que foi a melhor coisa que me aconteceu.”

A cetamina é uma droga dissociativa autorizada no Brasil e utilizada há muitos anos para anestesia e analgesia. Mas alguns poucos médicos no país, como o de Roberta, têm utilizado a substância de forma diferente do que está na bula, o que é chamado de off label, e administrado para depressão refratária. O uso terapêutico de psicodélicos como a cetamina no país começa a avançar, mesmo que vagarosamente. O resultado disso é a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na segunda semana de novembro, de um medicamento em forma de spray nasal para tratar pacientes com depressão grave. A decisão, divulgada sem alarde, é a ponta do iceberg de uma revolução em curso nas áreas da farmacêutica e psiquiatria.

Leia mais em Época.


CARTA CAPITAL

Suco contra o vírus

A demência começa por ele. Ma o que dizer do Brasil, que aceita impassível a sabotagem da vacinação?

- Caso Queiroz: O governo e o procurador-geral empenhados em tirar do holofote a proteção da Abin a Flávio Bolsonaro.

- Rio de Janeiro: O assassinato gratuito de dois jovens prova que matar pretos pobres é um esporte popular entre policiais.

Leia mais em Carta Capital.

Tags: Carta Capital Época Istoé revistas semanais Veja
A+ A-