Como resolver os obstáculos que dificultam o crescimento da economia

Sinais positivos para o país começam a surgir, mas é preciso que governo e Congresso tomem medidas.

Da redação,
vejaVeja

Plano de voo
Como resolver os obstáculos que dificultam o crescimento da economia
Os sinais para o país decolar surgem no horizonte, mas, para que isso aconteça, o governo e o Congresso precisam se livrar de entraves pelo caminho.

Certos momentos podem definir o futuro de uma nação. Nas próximas semanas, uma leva de dados oficiais colocará em números a dimensão da recuperação econômica do Brasil, uma vez passada a fase mais dramática da pandemia de Covid-19, concentrada no segundo trimestre de 2020. Os sinais de que o pior ficou para trás despontam em diversos indicadores de setores como construção, vendas no varejo e produção industrial, além da confiança empresarial, mais robusta. As incertezas globais também foram atenuadas. A eleição do democrata Joe Biden nos Estados Unidos, depois de uma tensa corrida eleitoral, retirou um ponto de pressão de mercados de todo o mundo. E os testes acima de 90% de eficácia em diversas vacinas trazem mais esperanças de um mundo imunizado contra o coronavírus e mais próximo do “velho” normal. Por aqui, o Brasil tem se beneficiado da melhora de preços de diversas commodities — da recuperação no preços do petróleo, passando por produtos agrícolas que estão próximo da máxima histórica, como a soja, e o minério de ferro, que se valorizou por volta de 30% no ano. Em razão disso, a bolsa de valores retomou o seu maior patamar desde fevereiro, com o investidor estrangeiro de volta ao país. Até o último dia 20, o saldo de entradas internacionais no mercado de capitais brasileiro já superava 26 bilhões de reais, o que já fez de novembro o melhor mês da história. Tais variáveis combinadas apontam para um ciclo promissor pela frente.

As medidas necessárias para acelerar a luta contra o racismo no Brasil
O que o país precisa fazer para que tragédias como a da morte de João Alberto Silveira Freitas não se repitam.

Como muitos no Brasil, ele se chamava João, era negro e pai de muitos filhos — quatro, mais precisamente. É o perfil comum das muitas vítimas do racis­mo no país. Aos 40 anos, saiu de casa na noite do último dia 19 para comprar num supermercado Carrefour em Porto Alegre. Nunca mais voltou. Foi espancado por dois seguranças brancos de uma empresa privada contratada pelo estabelecimento. A morte do soldador João Alberto Silveira Freitas provocou uma onda de indignação no país. Embora a mobilização vista por aqui em decorrência da tragédia esteja longe da comoção provocada nos Estados Unidos no caso da morte de George Floyd por um “mata-leão” de um policial branco, o barulho já se mostrou suficiente para causar impactos imediatos.
   
Os negócios de Renan Bolsonaro, o Zero Quatro
O filho do presidente da República estreia como empreendedor, solicitando audiência ao Planalto e levando empresários a reunião com ministro.

Em setembro passado, Renan Bolsonaro esteve em Vitória, no Espírito Santo, em busca de parcerias para o seu novo negócio. Prestes a inaugurar o escritório da Bolsonaro Jr Eventos e Mídia, a empresa que ele criou recentemente, o filho Zero Quatro do presidente da República se reuniu com vários empresários. Um deles, dono de uma fornecedora de granitos e mármores, se mostrou particularmente interessado em levar a Brasília um projeto de grande apelo social: um protótipo para construção de casas populares de pedras, com custos, segundo ele, muito mais baixos em relação aos que o governo costuma contratar. “O seu pai, que está à frente desse governo, vai certamente aprovar e vai agradecer por essa iniciativa”, discursou um dos parceiros do projeto, ao anunciar a aliança entre as duas empresas.

Duas semanas depois, o filho do presidente abriu sua empresa de eventos, com a ajuda de patrocinadores, entre eles, a administradora do Estádio Mané Garrincha, onde funciona a sede da Bolsonaro Jr, em Brasília, e os empreendedores do Espírito Santo. A administradora do estádio contribuiu com um bom desconto no preço do aluguel. O grupo capixaba doou um carro elétrico. No dia da inauguração, havia uma grande expectativa. Contando com a provável presença do presidente, convidados viajaram para Brasília para prestigiar a festa, mas Jair Bolsonaro não compareceu. A parceria, por sua vez, apresentou resultados imediatos. No mês seguinte, os empresários conseguiram apresentar ao governo o projeto das casas populares construídas com pedras. E não foi uma apresentação qualquer. O grupo foi recebido, em 13 de novembro, por ninguém menos que o ministro do Desenvolvimento Regional (MDR), Rogério Marinho, responsável, entre outros programas, pelo Minha Casa Minha Vida.

Leia mais em Veja.


istoeIstoé

Racismo estrutural
Como a morte de João Alberto Silveira Freitas mostra, mais uma vez, que a cordialidade brasileira não passa de uma fraude e que o preconceito racial é o elemento articulador das relações sociais no País, tentando colocar os negros numa permanente condição de dor e inferioridade. Isso precisa mudar.

A morte do autônomo João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, espancado e asfixiado dentro de um supermercado da rede Carrefour, em Porto Alegre, por dois seguranças brancos, quinta-feira (19), véspera do feriado da Consciência Negra, é um exemplo bem acabado de que o racismo estrutural e o tratamento de pessoas como coisas está entranhado na civilização brasileira. É uma situação que se repete há séculos e não muda. “A atitude dos seguranças é a mesma dos capitães do mato”, afirma Júlio César Santos, diretor do Instituto Luiz Gama, referindo-se aos encarregados de capturar escravizados que fugiam da casa grande. “Continuamos vivendo um período de barbárie por causa do genocídio à população negra”. Para Santos, o racismo, expresso no crime contra Beto Freitas, é uma verdadeira sabotagem à democracia e um entrave para o fortalecimento do Brasil como Nação multiétnica e igualitária. Compromete seriamente, inclusive, o desenvolvimento do País. Já Elisa Larkin Nascimento, presidente do Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros e viúva do intelectual e ativista Abdias do Nascimento, o racismo estrutural ergue infinitos obstáculos para as pessoas negras. “Há um genocídio dessa população”, diz.

A segunda onda
Ela chegou e se mostra tão avassaladora e fatal como se vê em países da Europa e nos EUA. O Brasil poderia ter aprendido a lição com essas nações, mas acabou cometendo os mesmos erros de uma excessiva flexibilização da quarentena e de tolerar comportamentos de risco.

Para onde vai a nossa diplomacia
Eduardo Bolsonaro insulta os chineses e o presidente sequer reconhece Joe Biden como novo presidente dos EUA. A irresponsabilidade e o populismo afastam parceiros, comprometem o agronegócio e travam o 5G.

Leia mais em Istoé.


epoca2Época

Ecko, o cabeça da milícia no Rio de Janeiro
Como o miliciano se tornou o bandido mais temido da capital fluminense ao incorporar o tráfico de drogas à atividade dos grupos paramilitares.

Aos 34 anos, Ecko nunca foi preso e seu sigilo telefônico nunca foi quebrado. Apesar de ser réu em nove processos criminais, circula pela cidade escoltado por seguranças, frequenta casas em bairros nobres e dialoga com policiais, traficantes e pistoleiros. Ele manda, hoje, no maior consórcio criminoso do Rio: sua milícia, antes restrita à Zona Oeste, está presente em 20 bairros da capital e outros seis municípios da Baixada Fluminense e da Costa Verde. Numa comparação com a criminalidade advinda do tráfico de drogas, a milícia de Ecko, composta majoritariamente de ex-membros do tráfico e não mais de policiais, é hoje maior que cada uma das três maiores facções criminosas do Rio de Janeiro, pelo critério de áreas dominadas.

O horizonte da extrema-direita após o baque das eleições municipais
Como o bolsonarismo se reorganizará depois do fracasso nas urnas de 2020.

Em todo o país, dos 44 candidatos que ganharam o aval do presidente, apenas nove se elegeram. Entre esses poucos sortudos não estão parentes de sobrenomes considerados ilustres no bolsonarismo, como o irmão da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Ela tem 1 milhão de seguidores no Twitter e 2,2 milhões no Facebook. Ele atraiu apenas 12 mil votos, abaixo da linha de corte para conseguir uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo. O pai de Zambelli, candidato a vice-prefeito em Mairiporã, no interior paulista, tampouco prosperou. Edson Salomão, líder do Movimento Conservador e aliado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o zero três, ficou de fora da Câmara de Vereadores de São Paulo. No Rio de Janeiro, Rogéria Bolsonaro, ex-mulher do presidente e mãe de seus três filhos mais velhos, não foi eleita, apesar do sobrenome e do empenho, principalmente de Carlos.

Antes de dormir, no dia 15, Bolsonaro tentou minimizar a contagem de mortos e feridos. Escreveu em sua conta no Twitter que sua “ajuda a alguns poucos candidatos a prefeito resumiu-se a 4 lives num total de 3 horas”, que a esquerda saiu derrotada e que a “onda conservadora chegou em 2018 para ficar”. Dois dias depois, ao se reunir com alguns parlamentares empenhados na criação de seu (ainda inexistente) partido, o Aliança pelo Brasil, compartilhou uma análise mais realista sobre o pleito. Para o presidente, a direita foi prejudicada em razão da pulverização partidária: “Quem saiu ganhando foi o pessoal do (Luciano) Huck”, vaticinou. A preocupação exposta naquela conversa não demorou a migrar para dentro do grupo de WhatsApp do Aliança pelo Brasil, onde deputados, senadores, ministros e integrantes do governo Bolsonaro debatem a criação do novo partido.

Leia mais em Época.


carta1CartaCapital

Vida em liquidação
O assassínio de João Alberto no Carrefour, reincidente em violação dos direitos humanos, prova o racismo arraigado. Os protestos desta vez terão seguimento?

Eleições
Contra o bolsonarismo e a reação tradicional, a oposição progressista une-se por cima de interesses partidários e disputas paroquiais.

Leia mais em CartaCapital.
Tags: CartaCapital Época Istoé Revistas semanais Veja
A+ A-