Como a vacina contra a covid-19 entrou na queda de braço da política

Revistas semanais mostram embate entre Bolsonaro e Doria que atrapalha chegada da CoronaVac ao Brasil.

Da redação,

Veja

Efeito colateral
veja_251020Enquanto a ciência cumpre seu papel e está cada vez mais perto de um imunizante, polêmicas como a que envolve o presidente Jair Bolsonaro e o governador João Doria podem atrapalhar.

Em mais uma prova de que o Brasil não é mesmo para amadores, em vez de virar motivo de celebração, a chegada à reta final de uma vacina contra covid-19 causou um enorme estresse político. A nação, que já chocou o mundo pela tragédia humanitária de mortes acumuladas por coronavírus, virou também a única no planeta em que autoridades batem boca diante dos avanços significativos de um imunizante. As notícias relacionadas à CoronaVac atearam fogo de vez na guerra declarada entre o presidente Jair Bolsonaro e João Doria, que se colocaram de lados opostos desde o início da pandemia.

Entre erros e acertos, o saldo do combate à doença no âmbito estadual é politicamente positivo para a imagem do governador. Enquanto isso, Bolsonaro virou exemplo global de negacionismo diante da doença. O estopim do mais recente confronto entre os dois foi aceso na última terça (20), quando o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, comprometeu-se a investir 1,9 bilhão de reais na CoronaVac para distribu­í-la pelo SUS. O acordo foi firmado em reunião virtual com 24 governadores, incluindo Doria e dois líderes do Palácio do Planalto junto ao Congresso — o deputado Ricardo Barros e o senador Eduardo Gomes. Em menos de 24 horas, acabou desautorizado por Bolsonaro. “Não compraremos a vacina da China”, afirmou o presidente nas redes sociais. Pego também de surpresa com a reviravolta no caso, o político tucano respondeu: “Não é ideologia, não é política, não é processo eleitoral que salva, é a vacina”. Outros governadores presentes ao encontro com Pazuello também criticaram duramente o presidente. “Adquirir as vacinas que primeiro estiverem à disposição deve ser a meta primordial”, afirmou Renato Casagrande (PSB), governador do Espírito Santo.

Em um país que já enterrou mais de 155 mil pessoas por causa da Covid-19, é uma aberração que algo tão óbvio tenha de ser dito a esta altura da pandemia.

Os primeiros bons sinais da retomada econômica no Brasil
Os riscos e percalços que ainda existem só serão vencidos se o governo seguir firme na política de entendimento que adotou nas últimas semanas.

No auge da pandemia, com as cidades paralisadas pela quarentena, os brasileiros se confrontaram com alguns números inusuais no noticiário (além, evidentemente, da trágica escalada de casos e mortes provocados pelo coronavírus). Com as lojas fechadas e as pessoas confinadas em casa, as vendas de produtos como roupas e outros artigos de vestuário despencaram de forma tão avassaladora que nenhuma estratégia de comércio on-line era capaz de promover a recuperação. O mesmo aconteceu com o setor de automóveis, em que produção e vendas desceram a índices inimagináveis nos últimos setenta anos, até bater em zero. Felizmente, foi um fenômeno de curta duração, mas tão assustador que deixou marcas profundas. Afrouxada a quarentena, as máquinas voltaram a ser acionadas e em alguns segmentos giram com uma velocidade ainda maior que antes da crise. Além de se desdobrarem para atender à demanda reprimida, as indústrias enfrentam falta de matéria-prima. Comprar produtos prosaicos, como fio de algodão, virou um problemão para tecelagens e confecções. Além da dor de cabeça provocada nos empresários do setor, tal situação representa um paradoxo: é um sinal alvissareiro de que o consumidor finalmente está de volta.

As acusações contra Pedro Rodrigues, filho do senador do dinheiro na cueca
Testemunha afirma que o suplente que vai assumir a vaga do pai (Chico Rodrigues) no Senado também recebia propina no esquema de corrupção em Roraima.

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Istoé

O déspota do atraso
Jair Bolsonaro cancela a aquisição de vacina chinesa por motivos políticos e frita mais um ministro da Saúde — o terceiro em plena pandemia. Também afirma que a vacinação não será obrigatória. Mais uma vez coloca seu interesse eleitoral acima da necessidade dos brasileiros, que pagam o preço da irresponsabilidade com suas vidas.

Para o País, a politização da doença e o avanço negacionista é uma regressão de mais de cem anos no debate sobre a saúde pública. Voltamos à época da revolta da vacina, quando oportunistas exploravam rivalidades e atacavam os agentes públicos alegando a defesa das liberdades individuais. Governadores se mobilizam e defendem que o Ministério da Saúde disponibilize a Coronavac, produzida no Instituto Butantan e defendida pelo governador João Doria. A briga chega ao Supremo Tribunal Federal.

Anjos do inferno
A história dos brigadistas que combateram o fogo, salvaram pessoas, animais e impediram um mal maior no Pantanal.

Guerra de titãs
Estados Unidos dão mais um passo na tentativa de bloquear o acesso dos chineses ao 5G brasileiro e ofereceram linha de crédito de US$ 1 bilhão para as empresas de telefonia.

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Época

epoca_251020CoronaVac, a vacina da discórdia
Imunizante tem se mostrado seguro nos testes feitos no Brasil, mas o excesso de ambição política e a paranoia ideológica podem prejudicar a proteção dos brasileiros.

Se não há a menor dúvida de que a pandemia do novo coronavírus é um dos episódios mais trágicos de nossa história — algo destruidor para os milhares que se vão para sempre e algo terrível para os milhões que sofrem por causa do desemprego, da perda de renda, da ansiedade, da tristeza, do aumento da desigualdade, do medo em relação ao futuro, da crise no ensino, da deterioração da saúde mental —, resta, pelo menos, um consolo. O Brasil é palco importante da corrida por uma vacina. Até agora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou testes clínicos de quatro delas. A CoronaVac, fruto da parceria entre a chinesa Sinovac e o Instituto Butantan, de São Paulo; a da Universidade de Oxford, feita em conjunto por aqui pela farmacêutica AstraZeneca e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); a da farmacêutica Pfizer-Wyeth; e a da Johnson & Johnson.

Esse é, digamos assim, o lado positivo. O problema é que disputas políticas entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, ambos de olho nas eleições de 2022, podem atrapalhar esse processo, como ficou claro nos tristes episódios registrados na penúltima semana de outubro. O foco da briga é a vacina chinesa CoronaVac, que está avançada na fase de testes.

Três Corações, a cidade onde Pelé nem sempre é rei
No pequeno município de Minas Gerais, onde o ídolo nasceu, sua história é negligenciada e alvo de disputas por políticos locais.

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A fé em um clique

Os novos pregadores evangélicos trocam a tevê pela internet e expandem sua influência, inclusive política.

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