Brasileiros na linha de frente da corrida pela vacina contra o coronavírus

É possível que até o fim do ano desponte algum imunizante eficaz contra a covid-19, destaca Veja.

Da redação,

VEJAVEJA

Falta pouco

Cerca de 14.000 voluntários brasileiros fazem parte da mais fascinante movimentação científica de nosso tempo - a busca por uma vacina contra a covid-19, que pode ser anunciada ainda em 2020

Um tema, não o único, mas primordial, tem ocupado o tempo de uma série de encontros remotos, por meio de videoconferência entre campeões da filantropia e do capitalismo mundial: a busca de uma vacina contra o novo coronavírus. Há cerca de dois meses, o fundador da Microsoft, Bill Gates, o megainvestidor Warren Buffett e o empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann trocavam impressões sobre a pandemia e, num momento em que o mundo estava extremamente abalado pelo surto, demonstravam algum otimismo.

Lemann estava particularmente animado porque havia sido procurado pelos diretores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, para ajudar na busca por um imunizante. Um pedaço relevante da pesquisa, realizada em parceria com a farmacêutica britânica AstraZeneca, poderia ser feito no Brasil. Disse sim no mesmíssimo dia, e se comprometeu a bancar os custos de aplicação da substância experimental em 2 000 voluntários paulistas — 1 000 deles de modo direto e a outra metade com a assistência de um par de apoiadores, a Fundação Brava e a Fundação Telles. Nascia ali uma das maiores apostas da humanidade na luta contra o novo coronavírus.

“Estamos esperançosos, animados, e tentando ajudar os profissionais que mais entendem do assunto no mundo”, disse Lemann a Veja. Por força de atávica discrição, ele não confirma, mas sabe-se que, ao anúncio de uma vacina, estaria disposto a desembolsar algo em torno de 30 milhões de reais para apoiar algum fabricante de modo a incentivar rápida produção por aqui.

Nunca antes, como agora, gastou-se tanto (estima-se que o valor global chegue a mais de 20 bilhões de dólares) com a procura de uma vacina que proteja o mundo do Sars-CoV-2, o vetor da covid-19. Afinal, até a quinta-feira (9), o vírus já atingiu em números oficiais mais de 12 milhões de pessoas, com cerca de 550 000 mortes — quase 70 000 no Brasil. Na corrida para interromper uma tragédia ainda maior, existem hoje em todo o planeta em torno de 160 projetos de imunizantes.

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ISTOEISTOÉ

O delírio da cloroquina. A droga do presidente

Desacreditada no mundo inteiro, abandonada pela OMS, banida nos EUA, a hidroxicloroquina vira o grande problema de Jair Bolsonaro, que mandou o Exército produzir em larga escala, importou ainda dois milhões de doses americanas e está com estoque de mais de mais de 18 anos para escoar. O gasto desnecessário, a mobilização e a falta de conhecimento científico para estimular e incentivar o uso na marra desse remédio vão se transformando no maior escândalo do governo, que já demitiu dois ministros da Saúde por não concordarem com o método. Agora contaminado pela covid, Jair Bolsonaro tenta se converter no garoto propaganda daquilo que ele julga ser a panaceia

Entre os absurdos cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro em seu governo, o maior e mais grave é a indução do uso da cloroquina e de seu derivado, a hidroxicloroquina, no combate ao coronavírus. Dos males que causou em 18 meses, nenhum se revela tão irresponsável e insensato. O que vê hoje é um presidente que vilipendia diariamente a ciência e a medicina e dá sucessivos exemplos de ignorância. A essa altura, em outras partes do mundo, ele já poderia estar sendo acusado de charlatanismo por incentivar o uso de substâncias farmacêuticas sem ser médico e afrontando um protocolo técnico de maneira despótica. Não há qualquer comprovação de que a droga que ele promove funcione.

Pelo contrário, todos os ensaios preliminares com alguma credibilidade mostram que causa mais malefícios do que benefícios, aumentando o risco de arritmias e ataques cardíacos nos contaminados. Mesmo assim, agora que diz estar doente, que seu teste deu positivo para a Covid-19, ele intensifica seus esforços para alardear os milagres da cloroquina. Começou a tomá-la assim que se sentiu mal, domingo 5. E adotou o tratamento desde então. Como bom garoto-propaganda, caso se cure, vai dizer que foi graças à ela.

Dois dias depois, Bolsonaro reforçou seu intento de politizar a doença e propagandear um tratamento duvidoso. Contente com a melhora no seu quadro clínico, declarou pelas redes sociais que o tratamento com a substância estava dando certo. “Eu confio na hidroxicloroquina, e você?”, perguntava para seu público com uma pílula na mão. Em seguida, tomou o remédio ao vivo e comentou que, graças a ele, estava “mais ou menos do domingo, mal na segunda-feira e hoje, terça-feira, muito melhor”. “Sabemos que hoje em dia existem outros remédios que podem ajudar a combater o coronavírus, sabemos que nenhum tem a sua eficácia cientificamente comprovada, mas (sou) mais uma pessoa em que está dando certo”, concluiu.

Inspirado no americano Donald Trump, outro presidente a defender de maneira irresponsável remédios não provados, Bolsonaro vem fazendo propaganda da cloroquina desde abril e, nesse período, derrubou dois ministros, os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, por causa de divergências relacionadas ao uso indiscriminado da substância. Colocou no lugar o general Eduardo Pazuello, que só faz criar facilidades para estimular o consumo do remédio, como mudar seu protocolo de utilização e permitir seu uso, inclusive, para crianças e gestantes. A principal função de Pazzuello, neste momento, é distribuir comprimidos pelo Brasil.

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EPOCAÉPOCA

Os neobolsonaristas

O auxílio emergencial do governo Bolsonaro abala a lealdade ao PT em seu maior reduto

A agricultora piauiense Maria da Paz Silva Maia, de 31 anos, acorda todos os dias às 4 da manhã. Na aurora, ela acende um fogão à lenha e põe sobre ele uma panela com água potável para fazer café coado. Ainda em jejum, abre uma saca de milho e despeja três punhados do grão para meia dúzia de galinhas que ela cria soltas no quintal sem cerca. Na sequência, prepara cuscuz para a primeira refeição do dia.

Tanto o café moído quanto a farinha usada no cuscuz e até mesmo os grãos distribuídos para as aves foram comprados por Maria da Paz com o auxílio emergencial, benefício de R$ 600 destinado aos trabalhadores informais, autônomos e desempregados em função da pandemia de coronavírus.

Ivanildo Correa, de 35 anos, tem uma roça de 5 hectares nos cafundós do Piauí. Planta arroz, feijão, mandioca e milho. Na semana passada, percorreu mais de 100 quilômetros desde sua casa e foi ao centro do município de São Raimundo Nonato, a 525 quilômetros de Teresina, comprar farelo para alimentar porcos, uma peneira agrícola de classificar grãos e uma bicicleta para a filha de 12 anos. Ele também usou o dinheiro enviado pelo governo federal para bancar essas despesas.

Assim como Maria da Paz e Ivanildo, a trabalhadora rural Izamaura Matias, de 26 anos, foi às compras graças ao programa. Botou na sacola do mercado farinha de mandioca, leite em pó, trigo, sal e fermento para fazer pão francês. Aproveitou e levou um par de sandálias Havaianas, pois as que usava estavam com as tiras amarradas com arame.

Além da súbita bonança trazida pelo auxílio, os três têm em comum o fato de morarem em Guaribas, a 660 quilômetros da capital piauiense, considerado no passado o município mais pobre do país. Em 2000, mais da metade da população local era analfabeta (58,2%), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) era de 0,214, menos da metade da média nacional e um dos mais baixos do Brasil.

Por causa desses indicadores sociais indigentes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu a pequena localidade como projeto-piloto do Fome Zero, programa fracassado que seria remodelado no Bolsa Família, em 2003. Das 4.400 pessoas que moram no município, apenas 265 não recebem hoje o benefício.

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Infiltrados

Como a máquina bolsonarista domina as polícias. E o cerco às milícias cariocas após a prisão de Queiroz

- Entrevista/Dilma Roussef: A ex-presidenta prevê uma crise econômica profunda após a pandemia, com graves efeitos sociais e assume a responsabilidade pela indicação de Joaquim Levy, um neoliberal, para o Ministério da Fazenda no segundo mandato.

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