Coronavírus impede reunião de fiéis para celebrar a Paixão de Cristo

Católicos lembram da Via-Sacra e refletem sobre o caminho da dor que Jesus sofreu até à morte.

Da redação, Vaticano News,
CNBB
Católicos durante a Sexta-feira Santa contemplam o amor de Deus que chega para sacrificar a vida do próprio filho.

A Igreja Católica recorda nesta Sexta-feira Santa a Paixão e Morte de Jesus. Para os fiéis, este é um dia santo diferente, marcado pela pandemia de Covid-19 que impede as pessoas de se reunirem para celebrar o mistério da Paixão de Cristo, como se faz habitualmente na Semana Santa.

Hoje as igrejas estão silenciosas. Na liturgia não há canto, não há música e não se celebra a Eucaristia, porque todo espaço é dedicado à Paixão e à morte de Jesus. Ajoelhamo-nos, para simbolizar a humilhação do homem terreno e a coparticipação ao sofrimento do Senhor. Porém, não é um dia de luto, mas um dia de contemplação do amor de Deus que chega para sacrificar o próprio Filho, verdadeiro Cordeiro pascal, para a salvação da humanidade.

Jesus segue para o Calvário, carregando a cruz nas costas, o peso dos nossos pecados. A sua morte é o preço da nossa salvação. Quantas pessoas hoje carregam a cruz da doença, neste tempo de coronavírus. Morrem nos hospitais sem a presença de uma pessoa da família que lhe esteja próximo no momento da morte. Quantos médicos e enfermeiros estão arriscando suas vidas, trabalhando horas sem descanso, numa corrida contra o tempo para salvar a vida dessas pessoas.

A Cruz

A Sexta-feira Santa comemora a morte de Jesus. O amor, doado até ao fim, se abandona ao Pai. Nas igrejas de todo o mundo não há celebração eucarística, mas uma "ação litúrgica". Por isso, é central neste dia a celebração da Paixão do Senhor com a adoração da Cruz, mesmo se este ano o beijo se limite apenas ao celebrante. Também as demais liturgias do Tríduo serão celebradas sem a presença dos fiéis. Precisamente para responder às perguntas sobre a presença de Deus neste momento difícil, o Papa quis recordar que Deus se revelou completamente na cruz, que é "a cátedra de Deus". Na audiência de quarta-feira, 8 de abril, dedicada ao Tríduo, exortou-nos a estarmos diante do Crucifixo em silêncio, para ver que o nosso Senhor não aponta o dedo nem mesmo diante daqueles que o crucificam, mas abre os braços a todos, dando a sua vida e tomando sobre si os nossos pecados. Um dos momentos centrais da celebração da Paixão é a oração universal e este ano foi pedida uma intenção especial por aqueles que se encontram numa situação de desânimo, pelos doentes e pelos defuntos. Também este ano, a Via Sacra, tradicionalmente presidida pelo Papa no Coliseu, será realizada na Praça de São Pedro.

No caminho da dor com Jesus

O Vaticano realiza hoje a encenação da Via-Sacra, de modo diferente, sem os fiéis, neste ano na Praça São Pedro ao invés do Coliseu. Francisco guiará a Via-Sacra do adro da  Basílica vaticana, seguindo as meditações feitas pelos detentos da prisão de Pádua. Cada igreja no mundo irá fazer à sua maneira. A Via-Sacra é uma prática extra litúrgica que muitas vezes é celebrada exatamente na Sexta-feira Santa para evocar e repercorrer juntos o caminho de Jesus para o Gólgota – o lugar da crucificação – e portanto meditar sobre a Paixão.

A Paixão de Cristo foi introduzida na Europa pelo dominicano beato Alvaro De Zamora da Cordoba em 1402 e mais tarde pelos Frades Menores e compreende 14 momentos ou “estações” nas quais nos detemos para refletir e rezar. São uma sequências de crescentes imagens dramáticas que culminam com a morte de Cristo, em cada uma delas Jesus é atacado pelo mal, para evidenciar, por contraste, a vitória d’Ele sobre a morte e sobre o pecado que será celebrada daqui a dois dias com o Domingo da Páscoa da Ressurreição.

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