WhatsApp lança função que permite enviar e receber dinheiro pelo aplicativo

Pagamento de pessoa para pessoa será pelo débito; empresas poderão também utilizar a função de crédito.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Reprodução/WhatsApp
Interessado em realizar pagamentos via WhatsApp para outras pessoas ou para empresas precisará cadastrar e validar seu cartão de débito.

A Cielo e o Facebook anunciaram nesta segunda-feira (15), uma parceria para viabilizar transações de pagamento por WhatsApp no país. Em comunicado ao mercado, a empresa informa que a versão mais recente do aplicativo apresentará gradativamente a opção "pagamentos" no menu, permitindo a realização de pagamentos e o acompanhamento do histórico de transações.

Segundo o Cielo, o interessado em realizar pagamentos para outras pessoas ou para empresas precisará cadastrar e validar seu cartão de débito ou múltiplo no WhatsApp.

Já os comerciantes interessados em realizar vendas precisarão se credenciar à Cielo por meio da plataforma do WhatsApp.

O pagamento de pessoa para pessoa funcionará na modalidade débito, enquanto que o pagamento de pessoa para empresas ou empreendedores funcionará nas modalidades débito e crédito.

Nas transações de débito, o comerciante receberá o valor da venda em um dia e nas transações de crédito em dois dias.

Golpes virtuais disparam durante isolamento social pela covid-19

De repente, o celular toca. Numa mensagem de WhatsApp, um amigo pede ajuda. Precisa fazer um depósito urgente e está com problema no aplicativo do banco. Pergunta se pode fazer para ele e no dia seguinte devolve o dinheiro. A história faz parte de um dos golpes mais populares dos últimos meses, sobretudo durante a quarentena. Com mais pessoas em casa por causa do isolamento social e aumento de operações no comércio eletrônico, as tentativas de fraudes virtuais estão em alta.

No período entre 20 de março e 18 de maio, a busca de informações pessoais e bancárias de brasileiros na chamada dark web (ver infográfico) cresceu 108%, segundo pesquisa feita pela Refinaria de Dados, empresa especializada na coleta e análise de informações digitais. O número de buscas diárias alcançou 19,2 milhões ante 9 milhões no período pré-covid.

O sócio da companhia, Gregório Gomes, responsável pelo trabalho, explica que normalmente quem rouba os dados pessoais das pessoas não é quem aplica o golpe. Eles conseguem um banco de dados e vendem para criminosos na dark web. “São sempre dois atores diferentes, o que dificulta a ação da polícia”, afirma o executivo.

Outro dado que corrobora o aumento das tentativas de golpes virtuais é o crescimento dos chamados phishings, nome dado a prática que usa e-mail ou SMS para roubar informações do usuário. Segundo informações da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o número de phishings aumentou 70% no pós-covid. Neste caso, os criminosos enviam mensagens com informações que chamam a atenção do usuário, que clica em um link e, a partir daí, permite a captura dos dados pessoais.

Mensagens fraudulentas

Durante o isolamento social, as mensagens feitas pelos criminosos para atrair a atenção dos brasileiros quase sempre mencionavam as palavras covid, auxílio e Caixa – expressões que mais cresceram no período. Cerca de 39% das mensagens tinham a palavra covid; 36%, auxílio; e 33%, Caixa (ver gráfico). “Das tentativas de phishing no Brasil, 73% dos disparos foram feitos por SMS”, diz Gomes.

Segundo ele, boa parte dos dados conseguidos nessas ações é vendida em sites da dark web. O que explica a reativação de mais de 250 marketplaces ilegais nesse submundo da internet. O executivo explica que vários sites haviam sido fechados anteriormente por ações da polícia, mas agora voltaram a atuar. 

O diretor da comissão de Prevenção a Fraudes da Febraban, Adriano Volpini, afirma que 70% das fraudes têm origem na engenharia social. “Os criminosos sabem que é difícil transpor os mecanismos de segurança. Então eles se valem de formas para conseguir que as pessoas passem os dados para eles.” Com mais pessoas em casa e online, eles criam páginas falsas e capturam as informações. 

Um golpe comum, diz ele, é alguém ligar perguntando se a pessoa fez uma compra num determinado valor. Diante da negativa do usuário, ele afirma que é do banco e pede para confirmar os dados. Ele informa alguns e pede outros. “São golpes que parecem simples, mas muita gente cai.” Portanto, afirma o executivo, desconfie de promoções mirabolantes, promessas muito fora da realidade e não clique em links suspeitos. Além disso, os bancos não pedem para digitar ou informar senhas.

Comum

Segundo o delegado Carlos Ruiz, da 4ª Delegacia de Delitos Cometidos por Meios Eletrônicos (DIG/DEIC), as fraudes mais comuns têm sido os leilões virtuais de automóveis, em que criam sites falsos, vendem o carro e desaparecem; a clonagem de WhatsApp; e o roubo de perfil de redes sociais, usados também para ameaçar e extorquir seguidores. 

Para Daniel Marchetti, da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços (Abecs), a rápida mudança no comportamento de gastos do brasileiro durante a pandemia fez com que os fraudadores se aproveitassem do momento. Segundo ele, diante desse novo cenário, as instituições mudaram suas estratégias internas para evitar os golpes e intensificaram as ações de comunicação com os clientes.

Em nota, a Caixa afirma que não envia e-mails ou mensagens pedindo informações e nem realiza ligações para os cidadãos. Também diz que não manda SMS com link.

Tags: Economia Redes sociais WhatsApp
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