Vagner Araújo diz que apoio de Robinson a Rosalba não é surpresa

Chefe da Casa Civil afirma que líder do PMN sempre fez "imposições" para apoiar a governadora e que, agora, a história apenas se repete.

Alisson Almeida,
Maiara Cruz
O chefe da Casa Civil do governo estadual, Vagner Araújo, afirmou que a migração do deputado estadual Robinson Faria (PMN) à oposição foi recebida “sem muitas surpresas” pela governadora Wilma de Faria (PSB), por que o presidente da Assembleia Legislativa vinha emitindo “sinais” de que tomaria essa decisão.

Robinson Faria anunciou, em entrevista ao jornal Tribuna do Norte, que deixaria a base governista – após sete anos como aliado do PSB – para ser o vice na chapa encabeçada pela senadora Rosalba Ciarlini (DEM), provável candidata da oposição à sucessão no Rio Grande do Norte.

Vagner, ao comentar o anúncio, demonstrou que o tom que o governo adotará com Robinson, daqui para frente, será de guerra declarada. O secretário contou que não é a primeira vez que o líder do PMN se comporta dessa maneira, “com imposições e exigências”.

“Em 2006, quando a governadora Wilma de Faria disputou a reeleição, não foi diferente. Houve uma celeuma idêntica e essa que está havendo agora. O deputado Robinson Faria resistia em apoiar a governadora, impunha uma série de condições e só veio quando a governadora fez uma série de arranjos para atender as imposições dele”, argumentou.

O secretário revelou que, entre as “imposições” que teriam sido feitas por Robinson, o deputado queria uma “base política para eleger Fábio Faria [filho do líder do PMN] deputado federal”.

A história, segundo Vagner Araújo, se repete, com Robinson fazendo novas imposições. “A principal delas era para que ele [Robinson] fosse o candidato apoiado pela governadora. Wilma tentou viabilizar esse apoio a Robinson, mas depois ela disse que não iria insistir, porque percebeu que Robinson não estava em condições ideais de enfrentar a eleição”.

Vagner disse ainda que “Robinson sempre teve um comportamento bastante complicado” e que “sempre foi delicado lidar com ele”, mesmo com o presidente da Assembleia Legislativa integrando a base aliada.

Em relação à reclamação de Robinson de que se sentia “injustiçado” pela governadora, Vagner retrucou dizendo que Wilma nunca se comprometeu em apoiar o deputado para o governo.

“A governadora, na hora em que recebeu o anúncio de que Robinson iria apoiá-la em 2006, disse que ele se credenciava para ser candidato a governador. Realmente se credenciou. A governadora se esforçou para ver até que ponto o projeto de Robinson teria viabilidade política. Agora, é claro que eleição majoritária não se faz em laboratório, mas sim nas ruas, com as pessoas, com os partidos políticos. Aquele candidato que consegue melhor articular é quem se credencia e se habilita como candidato”, avaliou, acrescentando que Robinson não conseguiu atrair apoios à sua pré-candidatura.

O secretário justificou o apoio de Wilma ao vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) como algo “natural”, uma vez que o pessebista vai assumir o governo a partir de abril e, por lei, pode concorrer à reeleição. “Iberê é um vice leal, não fez exigências e está conseguindo se articular melhor com as forças políticas”.

Vagner ponderou que as reclamações de Robinson contra a suposta falta de prestígio no governo não têm razão de ser, porque “nenhuma outra liderança política teve tanto espaço no governo quanto o deputado Robinson Faria”. “As áreas mais estratégicas do governo, por assim dizer, as que mais realizam ações, ficaram nas mãos da liderança do deputado Robinson. Ele pode reclamar de tudo menos de que foi injustiçado pela governadora”.

Para Vagner Araújo, a notícia de que Robinson será o vice da senadora Rosalba Ciarlini (DEM), a despeito da liderança política do deputado na região Agreste, “não causa tanto impacto e não vai causar estrago”.

Vagner Araújo é o entrevistado desta segunda-feira (1º) do programa Diógenes Dantas Nominuto, que vai ao ar às 13h, com reprise às 18h e às 21h, pela TV Nominuto, canal 27 analógico e 127 digital da Cabo Telecom.
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