Sindicalistas prestam queixa policial por terem sido chamadas de "vagabundas" por Adão Eridan

O vereador também disse que Sônia Godeiro tem "olhos esbugalhados como os de cururu, de tanto pedir".

Redação,
Elpídio Júnior
Adão Eridan pode ser processado criminalmente por sindicalistas
As sindicalistas Soraya Godeiro e Sônia Godeiro entraram na manhã desta sexta com uma queixa policial contra o vereador Adão Eridan (PR). Em boletim de ocorrência registrado no 1º Distrito Policial, elas alegam que tiveram suas honra e dignidade feridas por Eridan, que as chamou de "vagabundas" no plenário da Câmara Municipal de Natal.

A advogada e assessora jurídica do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Natal (Sinsenat), Natália Pozzi Redko, explicou que, de posse do boletim de ocorrência, o próximo passo é fazer uma representação criminal e depois uma ação de indenização por danos morais contra o vereador.

Na sessão da quarta-feira passada, Adão Eridan foi ainda mais ferino sobre Sônia, dizendo que ela tem “os olhos esbugalhados iguais aos de um cururu, de tanto pedir e não trabalhar”. O vereador também avisou que apresentará um projeto de lei para que os servidores que estiverem à frente de sindicatos sejam obrigados a cumprir, pelo menos, quatro horas de expediente por dia.

“Depois que eles cumprirem (o expediente), podem ir vagabundar na frente da Câmara ou da Assembléia”, disparou o vereador na sessão. No último dia 7, também no plenário, Adão Eridan já havia criticado os sindicalistas e citado as duas dirigentes.

Desviar o foco

A médica Sônia Godeiro, dirigente do Sindsaúde, diz que, em 30 anos na luta sindical, iniciada na Associação dos Médicos Residentes do Distrito Federal, nunca havia sido tão desrespeitada. Para ela, o vereador deveria estar apresentando provas para se defender da Operação Impacto, do qual é um dos principais envolvidos. "Como ele não tem como provar que é inocente, tenta desviar o foco da opinião pública", diz.

Por sua vez, a nutricionista Soraya Godeiro, presidente do Sinsenat, afirma que o vereador mostra um total desconhecimento da história sindical brasileira e das constituições federal, estadual e municipal, além do Regime Jurídico Único, que garantem a liberação dos dirigentes sindicais para a luta política. "Quero ressaltar que a carga horária e a responsabilidade que temos é bem maior como sindicalistas", diz.

Juntamente com outras entidades dos movimentos sociais, os sindicalistas estiveram na linha de frente dos três atos públicos promovidos na Câmara Municipal em apoio à Operação Impacto, além de dar entrada em requerimento individual solicitando a cassação dos envolvidos no esquema de corrupção.

* Com informações da assessoria do Sinsenat.
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