Militares do RN garantem segurança de eleições no Haiti

Mesmo após expirar prazo, Rosalba Ciarlini ainda não decidiu se acatará apoio de tropa federal durante pleito deste ano.

Tiago Medeiros,
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Capitão Helder Lima, comandante da tropa.
Uma semana após expirar o prazo que a governadora Rosalba Ciralini teve para responder a consulta feita pelo Tribunal Regional Eleitoral quanto se acatará a presença de tropas federais no RN para garantir a segurança do pleito eleitoral deste ano, a equipe de reportagem do Nominuto reencontrou o capitão do Exército Helder da Silva Lima, hoje servindo em Barcelos/AM, e conversou com ele sobre a participação de militares em eleições.

Helder comandou o pelotão de militares do RN que garantiu a segurança da polêmica eleição presidencial do Haiti em 2006 quando o ex-presidente e primeiro ministro, René Préval, foi eleito em 1º turno e mostrou-se convicto quanto à preparação dos potiguares para este tipo de tarefa.

O capitão relembrou a eleição no Haiti, apontando uma rotina semelhante a do dia de votação no Brasil, contudo sem qualquer segurança jurídica. “A missão dos militares do 16º Batalhão de Infantaria Motorizado naquele dia foi realizar a segurança de um local de votação, com aproximadamente 16 mil eleitores, desde seu início de funcionamento até a entrega das urnas na base da ONU”.

“Naquele dia o país inteiro ficou exclusivamente em função do voto. Existia uma incerteza muito grande por parte da população e por parte das Forças de Segurança se a votação realmente aconteceria, se haveriam protestos, violência nas ruas, passeatas... É um país muito instável, e depois ainda veio a incerteza se a votação realmente seria validada, sob argumento de possíveis fraudes e manipulações”.

Desestruturado e envolta de uma grande crise política, o país chegou a remarcar a eleição por quatro vezes, e a estabelecer um Conselho Eleitoral Provisório para que o povo pudesse escolher seu representante democraticamente. E mesmo o voto no país caribenho também não sendo obrigatório, os haitianos foram as urnas. “Apesar de toda a bagunça no país, eles são 10 vezes mais patriotas e cidadãos que os brasileiros” julgou o capitão.
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Trabalhando em conjunto com os delegados eleitorais haitianos, os potiguares tiveram que controlar muitas confusões por causa da desorganização nos locais de votação e das tentativas de fraude. “Os locais de votação são bem semelhantes aos do Brasil, porém em estrutura interna, de mobiliário e organização, extremamente deficientes. A quantidade de eleitores para cada local de votação é absurda e boa parte deles chegam ainda de madrugada, formando imensas filas para votar”.

O processo eleitoral no Haiti é bastante conturbado, e como por lá não tem urnas eletrônicas, e a documentação dos eleitores é confusa ou em sua maioria inexistente, o controle de quem votava era feito pintando o dedo indicador da mão direita do eleitor com uma tinta azul, difícil de remover. “Com o passar das horas, começaram muitas confusões, porque as pessoas descobriram uma forma de limpar a tinta do dedo e voltavam para votar novamente, quando os ‘delegados partidários’ ou outros eleitores percebiam a tentativa de fraude, lhe davam uma surra daquelas, até que a tropa chegasse para por fim na situação”.
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Os militares do RN não tiveram que cumprir diligências expedidas por autoridades eleitorais do Haiti, praxe em eleições aqui no Estado, mas chegaram a prender eleitores que apedrejaram a tropa. “Devido a grande complexidade em controlar os locais de votação com o efetivo existente, a barreira do idioma e a não existência de instruções específicas sobre crimes eleitorais para a tropa, não recebemos a missão de fiscalizar esse tipo de situação. Não permitir a ocorrência de homicídios no local e invasão generalizada já estava de bom tamanho”, pontuou o capitão Helder.

Para as eleições municipais do RN em outubro próximo, 45 dos 69 juízes eleitorais já solicitaram apoio de tropas federais para garantir a segurança da votação e apuração em suas respectivas Zonas Eleitorais; o comandante geral da Polícia Militar, coronel Francisco Canindé de Araújo, descartou a necessidade.
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