José Agripino baixa o tom e elogia governo do presidente Lula

Líder do DEM no Senado afirma que governo petista cometeu erros, mas "teve muito mais acertos do que equívocos" e "fez dos pobres menos pobres".

Alisson Almeida,
Vlademir Alexandre
Senador José Agripino Maia (DEM).
O senador José Agripino Maia (DEM), conhecido pela marcação cerrada ao governo federal, baixou o tom das críticas e admitiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “teve muito mais acertos do que equívocos”. “Há coisas negativas, mas reconheço que o presidente Lula fez coisas importantes pelo Brasil”, declarou, em entrevista ao Jornal 96 (96 FM), desta sexta-feira (12).

O líder democrata pontuou o que considera os principais acertos do governo petista. Para Agripino, o programa “Bolsa Família” – frequentemente tachado de “eleitoreiro” e chamado de “bolsa esmola” pela oposição – “deu poder de compra aos pobres”, mas observou que Lula teria apenas ampliado projetos que já existam no governo tucano do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como o “Bolsa Escola” e o “Vale Gás”.

Agripino citou ainda outros êxitos do governo federal, como a “política acertada de crédito”, o programa “Minha Casa Minha Vida”, o aumento do salário mínimo, o equilíbrio das contas públicas e a contenção da inflação. “O presidente fez dos pobres menos pobres. O aumento do salário mínimo, que ajudamos a aprovar no Congresso Nacional, promove distribuição de renda”, declarou.

As declarações do senador vêm após as últimas pesquisas confirmarem que a popularidade do presidente só tem crescido e, por isso, pode não ser um bom negócio para a oposição exacerbar nas críticas ao petista. De acordo com o mais recente levantamento do Datafolha (25 e 26 de fevereiro), 81% da população aprovam o desempenho de Lula.

O democrata ponderou que, apesar dos acertos, o presidente ficou devendo ao Rio Grande do Norte. O Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, a lentidão nas obras de duplicação da BR 101 e a perda de refinaria de petróleo, segundo o senador, são as maiores dívidas do governo federal com o Estado. Agripino disse que a Refinaria Clara Camarão, no município de Guamaré, “é um engodo”.

Mensalão do DEM
Agripino voltou a defender a atuação do partido no escândalo envolvendo o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), acusado pela Polícia Federal de comandar um esquema criminoso de distribuição de propinas com dinheiro público entre sua base aliada na Câmara Legislativa – episódio que ficou conhecido como “mensalão do DEM”.

O senador sustentou que o partido “fez história ao cortar na própria carne” e expulsar da legenda os envolvidos no caso, coisa que – acusou – o PT não fez.

“O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, está sendo acusado de desviar dinheiro da Bancoop [Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo]. Ele é acusado de fazer saques em dinheiro e destinar para ‘Caixa 2’ de campanhas do PT, inclusive para a campanha de Lula. O que o PT fez com Vaccari? Nada. Está processando o promotor [José Carlos Blat, responsável pela denúncia], está agindo truculentamente. O que nós fizemos? Tínhamos um único governador e o partido apresentou a expulsão dele. O DEM fez história, corto na carne. Não houve mensalão do DEM. Houve mensalão do DEM de Brasília, que foi dissolvido”, argumentou.

Agripino assegurou que não teme as chantagens do governador afastado José Roberto Arruda, que está preso na Polícia Federal e teria ameaçado fazer revelações constrangedoras contra lideranças do DEM, inclusive contra o potiguar. “É natural que o governador defenestrado do partido guarde mágoas. Não temo absolutamente nada”.

O democrata confirmou que o diretório potiguar recebeu doações da Executiva Nacional, mas garantiu que tudo foi feito “dentro da legalidade”.

Eleições no RN
Agripino comentou sobre a sucessão no Rio Grande do Norte, avaliando que a candidatura da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) está consolidada. Rosalba deverá ter como vice o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria (PMN).

O senador disse que ainda falta fechar as alianças com o PSDB e com o PV da prefeita de Natal, Micarla de Sousa. Ele contou que está conversando com a pevista e condicionou o fechamento do acordo ao apoio de Micarla de Sousa à chapa fechada da oposição: Rosalba para o governo, Agripino e Garibaldi Alves Filho (PMDB) para o Senado.

O democrata disse que o PV poderá indicar o suplente de senador, tanto na sua chapa quanto na do peemedebista Garibaldi Filho, mas afirmou que, por enquanto, não tratou sobre nomes com a prefeita. Ele voltou a destacar, numa aparente cobrança de reciprocidade, que o DEM não fez exigências quando apoiou Micarla de Sousa nas eleições de 2008.

“Quando você faz aliança, faz com composição de chapa, mas também de participação no governo, como meu partido fez com Micarla. Não impusemos nada, ocupamos espaços na administração dela, mas não pedimos nada”, destacou.

Agripino acredita que o quadro eleitoral está bem definido e a disputa será travada entre as pré-candidaturas da senadora Rosalba Ciarlini (DEM), do vice-governador Iberê Ferreira de Sousa (PSB) e do ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT).

Ele avaliou que ainda é cedo para dizer se haverá ou não segundo turno, mas acredita que Rosalba terá vantagem na disputa porque Iberê e Carlos Eduardo disputam a mesma fatia do eleitorado governista. “Iberê vai travar o crescimento de Carlos Eduardo no interior. Já Carlos Eduardo vai travar o crescimento de Iberê em Natal. Rosalba vai seguir o caminho dela”, analisou.

Governo Wilma
O senador disse que não faz oposição pessoal nem a Lula nem à governadora Wilma de Faria (PSB), mas advertiu que, diante do que considera erros dos respectivos governos, estará com a “língua pronta para denunciar”.

Instado a fazer uma avaliação do governo do PSB no RN, Agripino comentou que a segunda administração de Wilma de Faria “frustrou o povo”, apontando as áreas da Saúde e Segurança como os maiores problemas da gestão. Além disso, ele afirmou que “as denúncias de prática de incorreção no campo da improbidade” macularam o governo.

Royalties
Agripino ponderou que ainda é preciso analisar se as mudanças na divisão dos royalties do petróleo, aprovadas na última quarta-feira pela Câmara dos Deputados, tem base legal. Os parlamentares aprovaram a proposta de divisão igualitária entre Estados e municípios do dinheiro da cobrança de royalties na exploração de petróleo na costa brasileira.

“A Constituição é clara e diz que não se pode criar legislação para prejudicar ninguém. O Rio de Janeiro vai perder R$ 5 bilhões. O Estado está em pânico, porque conta com esse dinheiro para pagar várias despesas, mas poderá ficar impossibilitado”.

O senador sugeriu que a saída para beneficiar Estados e municípios que não ganham nada com os royalties, sem prejudicar os produtores, seria o governo federal abrir mão d parte da arrecadação a que tem direito.

Ele contou que ainda não fez as contas sobre possíveis perdas ou ganhos para o Rio Grande do Norte, mas garantiu que irá, em primeiro lugar, defender os interesses do Estado.

*Atualizada às 12h00 para acréscimo de informações.

Entrevista

Ouça agora a entrevista concedida ao Jornal 96 desta sexta-feira, (12). Confira:

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