Flávio Bolsonaro visitou Adriano na prisão, diz ex-companheiro de cela

Vereador Ítalo Ciba ficou preso com miliciano em 2003; informação foi dada ao 'Globo'.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Divulgação/Polícia Civil
Ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como líder do grupo miliciano Escritório do Crime.

Ex-companheiro do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega na prisão, o vereador do Rio e sargento da Polícia Militar Ítalo Ciba (Avante) afirmou ao jornal O Globo que o senador Flávio Bolsonaro (sem partido) visitou os dois “mais de uma vez” na cadeia. A família Bolsonaro tem negado que existia uma relação entre eles e o miliciano morto no dia 9 na Bahia.

A reportagem tentou contato com o vereador, mas a assessoria disse que ele não vai mais falar. A equipe dele, no entanto, confirmou as afirmações feitas ao jornal carioca.

Ciba também disse que Adriano frequentava o gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, a Alerj, quando o senador era deputado estadual. As idas ao local teriam sido feitas a convite de Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro apontado como operador dos desvios de recurso no gabinete. O próprio Adriano seria beneficiado pelo esquema de rachadinha, segundo o Ministério Público fluminense.

Ex-capitão do Bope, Adriano teve a mãe e a ex-mulher empregadas na Alerj. Elas seriam funcionárias fantasmas. Além deste vínculo, o então deputado também presenteou o miliciano, em 2005, com a Medalha Tiradentes, maior honraria do Legislativo do Rio. Ele estava preso quando foi homenageado.

O senador afirmou, em nota, que só visitou Adriano na ocasião da entrega da medalha. Ítalo Ciba, contudo, disse que houve mais visitas. Ele e o miliciano ficaram presos juntos em 2003, quando integravam o Grupamento de Ações Táticas (GAT), comandado por Adriano. Foram acusados de homicídio, tortura e extorsão. Foi nesse período, segundo o vereador, que Flávio visitou mais de uma vez a prisão.

O jornal carioca tentou, via Lei de Acesso à Informação, obter a lista de visitas recebidas pelo então policial militar na cadeia, mas o órgão alegou sigilo. A Alerj disse não ter registros de visitas de Adriano a gabinetes, mas reconheceu que o sistema do prédio anexo, onde ficam os escritórios dos deputados, era falho até o ano passado.

O advogado Frederick Wassef, que defende Flávio, divulgou nota em que diz que o senador "nunca fez visitas a criminosos". 

Leia a nota:

O senador Flávio Bolsonaro nunca fez visitas a criminosos. Durante todos os seus mandatos, ele desenvolveu um importante trabalho para garantir Justiça e um atendimento jurídico adequado a policiais que, muitas vezes, enfrentavam acusações infudadas e que não tinham condições de pagar por um advogado. Enquanto deputado estadual, os esforços do parlamentar ajudaram a levar a Defensoria Pública para dentro do Batalhão Prisional, uma medida simples e que corrigiu inúmeras injustiças.

Sobre o ex-policial Adriano da Nóbrega, é fato que não existe relação entre ele, Flávio Bolsonaro e sua família. O ex-oficial, assim como outros policiais, recebeu homenagens, há mais de 15 anos, quando se destacou por feitos heroicos e que garantiram a segurança e a proteção de famílias cariocas. Segurança pública é e sempre foi uma pauta importante para Flávio Bolsonaro.

Tags: Adriano da Nóbrega Flávio Bolsonaro miliciano
A+ A-