Agripino diz que Governo Federal pode levar o país a nova crise energética

Senador potiguar acredita que o presidente Lula não aprendeu a lição com a crise energética que passou o país há poucos anos.

Redação,
Mariana Mariz/Agência Senado
José Agripino não poupa críticas ao Governo Federal.
O senador José Agripino (DEM) afirmou nesta segunda-feira (5), no plenário do Senado, que o atual governo esqueceu as lições do "apagão" energético ocorrido em 2001 e está levando o Brasil às portas de uma nova crise no setor.

Ele lembrou que, à época, foi construída uma rede de termoelétricas para oferecer ao país um seguro contra novos apagões, mas naquele momento a crise só foi vencida quando voltou a chover no país e as usinas hidroelétricas votaram a produzir energia a plena capacidade.

“A crise produziu uma brutal recessão e um grande desestímulo aos meios produtivos. Foi um momento difícil que o Brasil enfrentou e do qual só conseguiu sair com a ajuda de São Pedro, por que os mananciais voltaram a encher e o potencial hídrico se recompôs”, salientou o líder do Democratas.

Para o senador, o governo do presidente Lula nada aprendeu com a crise, pois descuidou tanto de políticas para garantir o abastecimento de gás no país, inclusive para atender às necessidades de termoelétricas que foram construídas no governo anterior, como também se mostrou incapaz de retomar os investimentos na geração de energia hidroelétrica.

Agripino disse que embora Lula tivesse acabado de receber a lição do apagão, ocorrido no fim do governo de Fernando Henrique Cardoso, "assumiu e esqueceu" as usinas termoelétricas que estavam prontas "ou em prontidão".

“Também deveria ter entendido que o grande elemento da matriz energética é hidroeletricidade e que energia elétrica custa dinheiro e prazo para o oferecimento de novas unidades. É a energia mais barata, mas para ampliar a geração é preciso capital grosso”, observou o senador.

Investimentos

Agripino acusou o atual governo de "travar" os investimentos em novas usinas hidroelétricas ao optar por uma política para prestigiar as atuais estatais produtoras desse tipo de energia, em detrimento de um marco regulatório e um modelo tarifário que incentivasse a atração de capitais privados para a geração de "energia nova". Disse ter participado intensamente do debate travado à época, mas teria sido voto vencido e lamentou que o Brasil, agora, esteja pagando o preço desses equívocos.

O senador citou expressamente a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, como responsável pelos erros que, na sua avaliação, foram cometidos naquele momento. Ele também apontou erros na condução da política ambiental que, no seu entendimento, prejudicaram a concretização dos investimentos.

De acordo com Agripino, a "ponta do iceberg" da crise atual é a falta de gás natural tanto para o setor industrial como para as termoelétricas. Como o governo não investiu em outras alternativas, entre as quais a retomada do projeto da usina nuclear de Angra 3, ele disse que agora a alta cúpula está correndo atrás de Evo Morales, o presidente da Bolívia, de "pires na mão" - a Bolívia, grande produtor de gás natural, estatizou investimentos na área de gás realizado por empresas estrangeiras, inclusive a Petrobras.

Com informações da Agência Senado.
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