Agaciel nega irregularidades e Zoghbi reconhece tentativa de suborno

Zoghbi também negou saber de qualquer fato desabonador em referência ao potiguar Agaciel Maia.

Redação, Agência Senado,
Jonas Pereira/Agência Senado
Ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia.
O 1º vice-presidente do Senado, Marconi Perillo, comandou nesta terça-feira (2), como presidente em exercício da Casa, a inquirição do ex-diretor-geral do Senado, o potiguar Agaciel da Silva Maia, e do ex-diretor de Recursos Humanos da Casa, João Carlos Zoghbi. Agaciel negou participação em qualquer irregularidade, enquanto Zoghbi assumiu que sua esposa, Denise Zoghbi - que até recentemente era diretora do Instituto Legislativo Brasileiro (ILB, também ligado ao Senado) - ofereceu um automóvel importado marca Mercedes Benz ao repórter que iria publicar uma matéria contrária ao diretor.

“Acho que ela [Denise Zoghbi] deve ser punida, ela é funcionária. Aliás, estou convencido de que quem me ameaçou não foi o Zoghbi. Porque um sujeito que bota no fogo a mulher e o filho, Nossa Senhora!”, afirmou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), que disse ter sido ameaçado por um desconhecido em telefonema para sua casa.

Para o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), a oferta de Denise "tem outro nome: é suborno".
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr


O ex-diretor de Recursos Humanos, já indiciado pela Polícia Legislativa por corrupção passiva, formação de quadrilha e falsidade ideológica, negou todas as acusações. Até mesmo que soubesse que sua antiga babá e ama de leite fosse uma das sócias das empresas montadas por seu filho para intermediar empréstimos de servidores do Senado ao Banco Cruzeiro do Sul. O banco repassou às empresas mais de R$ 2 milhões, de acordo com reportagem da revista Época.

Zoghbi também negou saber de qualquer fato desabonador em referência a Agaciel Maia. Disse ter feito declarações à Época com denúncias ao ex-diretor-geral porque estava "em um momento de tensão". Zoghbi disse que, ao fazer as acusações, apenas repetiu o que leu na imprensa.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado


Ao terminar suas perguntas ao ex-diretor de Recursos Humanos, o líder do PSDB disse que Zoghbi era "apenas uma peça" na engrenagem e que não sabia sequer se era das mais importantes. Arthur Virgílio afirmou que há no Senado um grande interesse em se abafar as denúncias.

“Se tudo acabar da forma que as pessoas do abafa gostariam, vai perder a instituição”, declarou o parlamentar, apontando as cadeiras vazias reservadas aos senadores.
Ao responder a Perillo, Zoghbi afirmou que pediu aposentadoria por já ter tempo de serviço - 38 anos, afirmou, sendo 25 no Senado - e por enfrentar denúncias "muito constrangedoras para ele e a família". Zoghbi afirmou sempre ter exercido suas funções no Senado "com muito zelo". O servidor prestou depoimento ao lado de seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro.
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