Policial Rodoviário Federal é suspeito de integrar quadrilha de contrabando

PRF disse em nota que a Corregedoria Regional está adotando as “providências disciplinares cabíveis”.

Da redação,
Divulgação/PF
PF apreendeu R$ 267 mil, 60 mil guaranis (moeda paraguaia), 183 dólares americanos, 4.700 pacotes de cigarro, pistolas e veículos, incluindo um jet ski.

A investigação da Polícia Federal contra uma organização criminosa responsável pelo contrabando de cigarros e outras mercadorias estrangeiras no Estado também aponta a suspeita sobre um policial rodoviário federal. A operação Níquel foi deflagrada nesta terça-feira (14), em cumprimento a sete mandados de prisão expedidos pelo juiz federal Walter Nunes da Silva Júnior, titular da 2ª Vara Federal.

O magistrado apontou o tenente-coronel da Polícia Militar, André Luís Fernandes da Fonseca, com líder da quadrilha. O oficial foi preso hoje (14). De acordo com o juiz federal, o PM era ajudado por um PRF. “Foram trazidos à investigação dados de que André Luís Fernandes comanda ações para a garantia da continuidade das operações do grupo, como blindagem de eventuais intervenções policiais, havendo suspeitas, inclusive, de que ele conta com a ajuda de integrante da Polícia Rodoviária Federal lotado neste Estado para viabilizar o escoamento do produto, tamanha a facilidade no transporte das mercadorias", escreveu Walter Nunes.

Após investigações, a PF identificou um grupo criminoso formado por mais de 4 pessoas, estruturalmente ordenado, caracterizado pela divisão de tarefas e com atuação desde o ano de 2001, no RN, estados vizinhos e no exterior.

Na sua decisão, o juiz federal Walter Nunes observou que os dados até então colhidos indicam que os cigarros de origem estrangeira ingressam no território nacional através da costa marítima deste Estado, especificamente na região de Macau, através de embarcações, seguindo o produto, depois de aportado, através de veículos, geralmente caminhões, para armazenamento em galpões, localizados em diversos pontos na região metropolitana desta Capital.

Os elementos de prova ainda sinalizam que o transporte é realizado por integrantes do grupo, geralmente armados, contando ainda com informações privilegiadas sobre possíveis abordagens policiais, inclusive da Polícia Rodoviária Federal.

Durante as buscas realizadas nesta terça 914), os policiais federais apreenderam: R$ 267 mil em espécie, 60 mil guaranis (moeda paraguaia), 183 dólares americanos, 4.700 pacotes de cigarro, pistolas, carregadores, munições (inclusive de calibre restrito) e veículos (carros, moto, jet ski, etc), dentre outros itens.

Por meio de nota, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que tomou conhecimento do suposto envolvimento de um integrante da corporação através da imprensa e que a Corregedoria Regional já está adotando as “providências disciplinares cabíveis”. A instituição comunicou ainda que está à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal para prestar informações e apoio necessários.

Confira a nota da PRF na íntegra:

NOTA À IMPRENSA

A Superintendência da Polícia Rodoviária Federal no Rio Grande do Norte informa que tomou ciência, pela imprensa, de possível envolvimento de policial com a quadrilha presa pela Polícia Federal na “Operação Níquel”, deflagrada no dia de hoje.

Informamos, ainda, que as providências disciplinares cabíveis já estão sendo adotadas pela Corregedoria Regional e que a PRF estará à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal para prestar informações e apoio necessários.

Mais uma vez, há de se ressaltar o empenho das Corregedorias Regionais na investigação e acompanhamento de todas as denúncias de irregularidades comunicadas diretamente ou através de qualquer meio de comunicação com a Instituição.

Tais condutas nunca serão aceitas e sempre serão combatidas por todos os servidores que engrandecem a PRF com suas ações e comportamentos honestos e comprometidos com a missão institucional.

Núcleo de Comunicação Social da PRF/RN

Tags: Crime organizado Investigação Operação Níquel PRF
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