Família acusa PMs de espancarem suspeito de assalto

Judson Silva de Lima foi preso na semana passada e fez cirurgia para retirada do baço neste domingo.

Fred Carvalho,
Cedida
Judson Silva está internado na UTI do Walfredo Gurgel
A família do estudante Judson Silva de Lima, de 19 anos, está acusando policiais militares de o terem espancado na semana passada. Judson foi preso pelos PMs na quarta-feira (26) juntamente com outras duas pessoas sob suspeita de terem cometidos vários assaltos na zona Sul de Natal. O preso está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Walfredo Gurgel.

Neste domingo (30), Judson Silva foi submetido a uma cirurgia para retirada do baço. Além do dano ao baço, segundo boletim médico, houve ruptura das vísceras. Há também hematomas por todo o corpo do preso, que está com o pâncreas (órgão vital) inflamado.

Judson foi detido na tarde de quarta na companhia de Soraya dos Santos Rodrigues, de 32 anos, e de Walterley Silva Pereira, 20. O trio é suspeito de praticar mais de 50 assaltos em Natal.

A mãe de Judson, a enfermeira Irani Maria da Silva, resolveu denunciar as supostas agressões sofridas pelo filho na manhã desta segunda-feira (1º). Ela disse que Judson por pouco não morreu na quarta-feira.

“Ele foi preso e agredido na tarde da quarta, mas só soubemos da prisão à noite. Cheguei à delegacia de plantão da zona Sul por volta das 22h e, como enfermeira, vi que o quadro dele não era bom. Meu filho não conseguia falar, estava com o abdômen distendido, suava muito, com palidez e só fazia pedir água. Esse quadro é típico de quem está com hemorragia interna. Pedi aos policiais que o levassem imediatamente para o pronto-socorro, porque senão em poucos minutos ele morreria”, relatou.
Fred Carvalho
Maria Irani denuncia agressões sofridas pelo filho

Maria Irani criticou ainda a forma como o filho foi conduzido ao hospital. “Ele estava com poli-traumatismo, deveria ter sido imobilizado e levado com segurança ao hospital. Mas os policiais o levaram em uma viaturas, sem proteção alguma, o que pode até ter piorado a situação”, falou.

A mãe de Judson disse que não tinha conhecimento que o filho tinha envolvimento com assaltos. “O que sei é que ele é estudante e que há poucos dias saiu de um estágio em uma empresa. Mas se por acaso a polícia comprovar que ele tem envolvimento com crimes, vou ser a primeira a querer que ele pague pelo o que fez. Não eduquei nenhum filho meu para ser bandido. Me coloco na situação das vítimas, porém não vou admitir que ele seja vítima desses falsos policiais”, concluiu.

O advogado da família, Jorge Rômulo de Brito Galvão, disse que ainda na manhã desta segunda iria relatar o ocorrido á Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed). “Primeiro vamos entrar com uma representação na Corregedoria. Em seguida, vamos representar contra os policiais agressores e, assim que se constatar tudo, entraremos com uma ação contra o Estado”, adiantou o advogado.

Os comparsas de Judson Silva continuam presos. A equipe da Delegacia Especializada em Furtos e Roubos (Defur) continua investigando a participação do trio em outros crimes cometidos em Natal.
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