Corregedor é exonerado após defender conduta de PM no IFRN

Silva Júnior diz ter deixado o cargo por não concordar com ato da governadora de afastar policial.

Rafael Araújo,
Cedida /TV Tropical
Em entrevista à TV Tropical, ex-corregedor defendeu conduta policial antes de ser exonerado do cargo pela governadora Fátima Bezerra.
O corregedor da Polícia Militar, coronel Edmundo Clodoaldo da Silva Júnior, foi exonerado do cargo pela governadora Fátima Bezerra (PT) nessa quinta-feira (13), após defender a atuação dos policiais militares em uma manifestação de estudantes realizada na última quarta-feira (11), no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).


Em uma reportagem que foi ao ar na TV Tropical, nessa quinta-feira (13), o coronel Edmundo Clodoaldo discordou da governadora Fátima Bezerra (PT) em relação ao afastamento do policial que conduziu a operação no IFRN.

“Sinceramente, eu não vi excesso. Não vi pelo seguinte, nós verificamos na cena que é utilizado espargidor no momento em que os estudantes tiraram o direito de ir e vir do cidadão. Ficaram na frente de um veículo que estava saindo. A partir daí, o PM pede que o estudante sair da frente e ele diz em alto em bom som: você não manda em mim. Por isso, ele teve que fazer valer o papel dele ali, que ali ele não é soldado, sargento ou coronel, é o Estado que está colocando ordem na casa”, comentou.

O coronel Edmundo Clodoaldo disse ainda que os próprios vídeos divulgado pelos estudantes mostram que não houve excesso policial. “O PM utilizou o spray de pimenta e no vídeo mostra ele disparando por cima do veículo. Os estudantes ficaram pedindo mais e o policial recua e fica ali parado. No segundo veículo, acontece a mesma coisa. Quando é visto que os policiais agarraram alguém, com certeza essas pessoas ofenderam o policial, se dirigiu de maneira desatenciosa ao Estado, que a PM ali está representando o poder do Estado. A filmagem é quem mostra isso, não sou eu que tô falando”, afirmou.

Momentos depois da confusão, a governadora garantiu através das redes sociais que o PM teria sido afastado, e, nessa quinta-feira, confirmou também, através da publicação no Diário Oficial, o afastamento do corregedor que defendeu a atuação policial na manifestação.

“O PM que conduziu a ação no IFRN já foi afastado de suas atividades operacionais, segundo o comandante da PM, coronel Alarico, até que a apuração seja concluída. O vice-governador Antenor Roberto foi ao local e se solidarizou em nome do nosso governo com os alunos e funcionários que se manifestam pacificamente contra a intervenção do IFRN. Nosso governo não conviverá com práticas inadequadas e que violem a liberdade dos nossos estudantes”, escreveu a chefe do executivo.


O protesto mencionado terminou em confusão com a Polícia Militar, incluindo empurra-empurra e gás de pimenta contra os manifestantes. Um grupo de alunos da instituição teria aproveitado a data, dia do estudante, para pedir uma audiência com o reitor Josué Moreira para discutir um plano de retorno às aulas.

Segundo relatos de algumas das pessoas que participaram do ato, o reitor decidiu por não receber o grupo e acionou a Polícia Militar para o local. Uma viatura da Polícia Federal também foi vista nas dependências do IFRN.

Em vídeos que circulam nas redes sociais, é possível perceber que um dos PMs utiliza um espargidor de gás. Em outra ocasião, um militar chega a segurar uma jovem.

Em entrevista ao portal Nominuto.com, na manhã desta sexta-feira (14), o coronel Silva Júnior disse ter pedido para sair do cargo de corregedor da PM por não concordar com a atitude da governadora Fátima Bezerra (PT) em afastar policiais que, de acordo com ele, agiram corretamente em meio à manifestação no IFRN.

"Eu já sofri perseguição dentro da Polícia Militar no ano passado e agora com o afastamento de policiais que estavam agindo da maneira correta, para mim foi o estopim. Por isso, decidi pedir exoneração do cargo", revelou o coronel.

Com a exoneração do corregedor, circulou nas redes sociais a informação de que ele teria deixado o cargo porque seria pré-candidato a vereador nas eleições deste ano, o que foi desmentido por ele. "Só quero deixar claro que não sou candidato ou pré-candidato a nada", concluiu o PM.

Apesar de ter dito à reportagem que não deixou o cargo para concorrer às eleições, a Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesed), apresentou um documento onde o policial pede exoneração do cargo para sair candidato a vereador no pleito deste ano. Veja abaixo o documento



Confira a entrevista do ex-corregedor à TV Tropical


Tags: Polícia Política
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