‘Então, vai perguntar para outro’, diz Bolsonaro a jornalistas

Presidente condiciona possibilidade de dar entrevista aos questionamentos que seriam feitos pelos repórteres que cobrem visita a Eldorado, em São Paulo.

Da redação, Estadão Conteúdo,

Em uma rápida conversa com jornalistas, o presidente Jair Bolsonaro condicionou a possibilidade de dar uma entrevista aos repórteres que cobriram sua visita à cidade de Eldorado (SP) às perguntas que seriam feitas. “Que pergunta vocês vão fazer? Porque lá em Brasília tá difícil”, disse o presidente.

Um repórter respondeu que os jornalistas têm a obrigação de fazer perguntas incômodas. “Então, vai perguntar pra outro”, retrucou o presidente.

Desde que ameaçou “encher a boca de porrada” de um repórter durante um passeio em Brasília, Bolsonaro tem sido frequentemente indagado por jornalistas sobre a origem dos R$ 89 mil depositados pelo ex-assessor Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michele. A pergunta viralizou nas redes sociais e se tornou um dos tópicos mais comentados do Twitter.

O presidente saiu do evento na Câmara Municipal de Eldorado sem falar com jornalistas. A possibilidade de ser questionado sobre os depósitos de Queiroz para a primeira-dama foi a única coisa que ameaçou o bom humor do presidente na visita à cidade na qual viveu parte da infância e da adolescência.

Ele desembarcou às 11h45 do helicóptero presidencial no campo de futebol de Eldorado. É o mesmo gramado onde 45 anos atrás o presidente jogava como goleiro nos times locais.

Foi a segunda vez que Bolsonaro visitou a cidade depois de tomar posse. A primeira foi em junho de 2019. O presidente veio apresentar o projeto da ponte estaiada sobre o rio Ribeira no bairro Batatal, uma promessa antiga.

Na primeira visita ele anunciou que faria a ponte. As obras nem sequer foram iniciadas e o engenheiro responsável, Edu Franco, disse que ainda está adaptando o projeto ao orçamento de R$ 11,5 milhões.

A ponte será a primeira obra de Bolsonaro na cidade, mas Eldorado já lucra por ser a terra do coração do presidente. Desde 2019 a prefeitura recebeu R$ 3,5 milhões em recursos provenientes de convênio com o governo federal ou emendas parlamentares de deputados da base bolsonarista. O orçamento anual da cidade de 15 mil habitantes é de R$ 45 milhões.
Aglomeração, abraços e selfies

Bolsonaro demorou 50 minutos para caminhar os quatro quarteirões que separam o campo de futebol da Câmara Municipal. No caminho, ele fez de questão de cumprimentar um a um todos que lhe pediam abraços ou selfies.

Houve aglomeração. Bolsonaro, seu filho Eduardo e os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e André Mendonça (Justiça) estavam sem máscaras de proteção, assim como muitas das pessoas que se empurravam nas grades por um contato com o presidente.

Quase todos o chamavam pelo primeiro nome, Jair. “Quem diria, né?”, dizia o presidente quando reconhecia algum amigo da juventude. Segundo um deles, o oficial maior do Fórum de Eldorado, Francisco Giani, Bolsonaro sempre disse que um dia seria presidente da República.

“O Jair era tão inteligente que o pessoal chamava ele de ‘invertido’ na escola. O professor fazia uma pergunta e ele respondia de forma certa, mas já pensando lá na frente”, disse o oficial maior do Fórum, Francisco Giani, contemporâneo do presidente em Eldorado.

Bolsonaro nasceu em Glicério, na região de Araçatuba, mas se mudou com a família para Eldorado aos 10 anos de idade e morou na cidade até os 18. Duas de suas irmãs e a mãe, dona Olinda, de 96 anos, continuam lá.

Depois do evento na Câmara ele foi recebido em um almoço por fazendeiros locais – na maioria, produtores de banana. Eles também não têm do que reclamar. No ano passado Bolsonaro defendeu a proibição da importação de bananas da Bolívia e do Equador.

À tarde, o presidente foi para a casa da mãe, uma sobreloja localizada a um quarteirão da praça da matriz, onde dona Olinda mora com uma das filhas. Bolsonaro deve transmitir sua live semanal ao lado da mãe e outros parentes às 19h.

Tags: Poder
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