Em encontro com Pacheco, Guedes diz que Bolsonaro não quer reforma administrativa

Após conversa com ministro na semana passada, presidente do Senado questionou nesta segunda-feira o comprometimento do governo com a proposta.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Agência Senado
Ao senador Rodrigo Pacheco, ministro Paulo Guedes disse que o presidente Jair Bolsonaro não quer a aprovação do texto da reforma administrativa.

Apesar de, publicamente, estar em “campanha” pela aprovação da reforma administrativa, o ministro da Economia, Paulo Guedes, confidenciou ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que o presidente Jair Bolsonaro não quer a aprovação do texto da reforma administrativa e não trabalhará por ela.

De acordo com fontes, isso foi dito por Guedes em encontro com Pacheco na semana passada e foi o que motivou declarações do presidente do Senado dadas nesta segunda-feira (31), questionando o comprometimento do governo com a reforma.

Mais cedo, Pacheco disse em evento que “há compromisso absoluto” do Legislativo com o andamento da proposta, porém, demonstrou preocupação com a possibilidade de esvaziamento do texto.

“Há o compromisso do Poder Executivo com a reforma administrativa? Esse é um questionamento que precisamos fazer e ter clareza nessa discussão junto à Casa Civil, à Secretaria de Governo e à própria Presidência da República: se há vontade de fazer uma reforma administrativa em um ano pré-eleitoral ou não”, afirmou. “Para que não tenhamos uma concentração de energia que será esvaziada em razão de uma iniciativa do governo para não votar. Quero crer que isso não acontecerá, mas é um diálogo que precisamos ter com o governo federal”, destacou Pacheco.

Na avaliação do presidente do Senado, “há um ambiente, pelo menos no Congresso, muito favorável” ao reconhecimento da necessidade de “diminuir o tamanho do Estado brasileiro” e “não demonizar os funcionários públicos”. Durante sua fala, o senador disse manter a previsão de aprovação da reforma administrativa e tributária ainda neste ano.

A proposta de reforma administrativa propõe uma série de mudanças nas regras do funcionalismo público dos três Poderes, nas esferas federal, estadual e municipal. Entre outros pontos, o projeto acaba com a estabilidade de parte dos futuros servidores - ela passará a ser garantida somente para os servidores das chamadas carreiras típicas de Estado, como diplomatas e auditores da Receita Federal.

Após oito meses da sua chegada ao Congresso, a proposta de reforma administrativa foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, na última terça-feira, 25, por 39 votos favoráveis e 26 contrários. O texto sofreu três mudanças nessa fase. O relator, Darci de Matos (PSD-SC), excluiu alguns conceitos sobre princípios da administração pública, como subsidiariedade; barrou a extinção de autarquias por decreto e liberou ocupantes de cargos típicos do Estado a terem outras atividades remuneradas.

Essa foi a primeira fase de um longo caminho que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Executivo ainda terá de percorrer antes de se tornar lei. O texto segue agora para uma comissão especial, ainda a ser criada, que terá o prazo de 40 sessões para a análise. O presidente desse colegiado deve ser o deputado Fernando Monteiro (PP-PE) e o relator, Arthur Maia (DEM-BA).

Depois, precisa ser aprovada em dois turnos pelo plenário da Casa, antes de ir ao Senado. Como se trata de uma alteração na Constituição, o texto precisa do voto favorável de, pelo menos, três quintos dos parlamentares de cada Casa, isto é, 308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação.

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