Bolsonaro confirma escolha de Kassio Marques para ministro do STF

Presidente diz que nome do desembargador deve sair no Diário Oficial nesta sexta-feira e que segunda vaga vai para evangélico.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Reprodução/Facebook
Em transmissão pelas redes sociais, Bolsonaro defendeu a escolha do desembargador Kassio Nunes Marques.

O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta quinta-feira (1º), a escolha do desembargador Kassio Nunes Marques para a vaga do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1), para assumir a vaga aberta na Corte com a aposentadoria de Celso de Mello, no próximo dia 13 de outubro.

Em transmissão ao vivo pelas redes sociais, o presidente disse que conhece Marques há “algum tempo”, com quem já tomou “muita tubaína”. O presidente rebateu críticas e disse que seus aliados já defenderam o nome do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro para a Corte. ”Vocês acham que ele seria um ministro leal às nossas causas? A questão de amizade é importante”, disse Bolsonaro sobre quando era cobrado a colocar Moro no STF. A indicação deve sair no Diário Oficial da União desta sexta-feira.

O presidente também afirmou que indicará um evangélico para assumir a cadeira de Marco Aurélio Mello, que se aposenta em julho do ano que vem. “Sai publicado amanhã, por causa da pandemia, o nome do Kassio Marques para a primeira vaga no STF. A segunda vaga será para evangélico. Ele está levando tiro. Qualquer um que eu indicasse levaria tiro. Tinha currículo na minha mesa, mas eu não conhecia”, afirmou o presidente, que citou o fato de Marques estar sendo chamado de “petista” e “comunista” por ter sido indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff ao TRF-1.

“Com tantos anos de PT, todo mundo teve alguma relação com eles. Não é por causa disso que o cara é comunista, socialista”, rebateu Bolsonaro. “Conheço ele já há algum tempo. Ele já tomou muita tubaína comigo”, completou.

Bolsonaro já havia comunicado a escolha de Marques aos ministros do Supremo Gilmar Mendes e Dias Toffoli, na noite de terça-feira (29), em um encontro na casa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O nome agradou a políticos do Centrão, que querem enfraquecer a Lava Jato, e à ala do Supremo que faz restrições a investigações conduzidas pela força-tarefa. Gilmar e Toffoli fazem parte deste grupo.

Uma vez oficializada a indicação de Marques, ele ainda deverá passar por sabatina no Senado. Para ser aprovado e assumir a vaga no STF, o desembargador precisará ser aprovado pela maioria dos 81 senadores, em votação secreta.

Apesar de agradar ao Centrão, Marques passou a ser “fritado” por militantes bolsonaristas desde ontem, quando a escolha do presidente foi divulgada. Mensagens que circularam pelo WhatsApp e em plataformas como Twitter e Facebook citavam decisões do desembargador, como a que liberou a compra de lagostas e vinhos premiados no Supremo.

“Conversei com ele sobre a lagosta. Eu não compro na minha casa. Ele disse que deu a liminar. Agora vão desqualificar o desembargador só porque ele deu uma liminar para retornar o cardápio do Supremo? Isso vai de cada instituição. Não vou criticar o Supremo por isso. Qual o problema comer lagosta?”, questionou Bolsonaro ao defender sua indicação à Corte.

O presidente também defendeu Marques sobre o voto dado pelo desembargador que impediu a deportação do italiano Cesare Battisti, em 2015.  “O desembargador Kassio apanha pela questão do cardápio. Sobre o Battisti mandei averiguar qual foi a participação dele nesse caso. É impressionante como esculhambam com as pessoas sem comprovação de nada. Quem decidiu foi o STF, não foi ninguém do TRF1”, afirmou.

No mesmo momento em que Bolsonaro falava sobre Marques na transmissão ao vivo, alguns apoiadores postavam críticas ao desembargador no espaço de comentários. “Quem indica para o Supremo não sou eu. É o Senado. No ano passado vocês queriam o Sérgio Moro para o Supremo. Me ameaçavam no Facebook. E agora, vocês querem o Sérgio Moro no Supremo?”, disse o presidente.


Confira o vídeo:


Tags: Jair Bolsonaro Poder STF
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