Após fala de Aras, Moro diz que desconhece 'segredos ilícitos da Lava Jato'

Ex-ministro da Justiça e ex-juiz federal destacou que operação 'sempre foi transparente' e teve decisões confirmadas por tribunais superiores.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Antonio Cruz/Arquivo/Agência Brasil
Ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, disse que ‘desconhece segredos ilícitos’ da operação Lava Jato.

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-juiz da Lava Jato em Curitiba, Sérgio Moro, afirmou na manhã desta quarta (29), que ‘desconhece segredos ilícitos’ da operação que comandou por mais de quatro anos, destacando que a mesma ‘sempre foi transparente’ e teve decisões confirmadas por tribunais superiores. A indicação se dá após o Procurador-Geral da República Augusto Aras afirmar que ‘é hora de corrigir rumos para que o lavajatismo não perdure’ e falar em uma ‘caixa de segredos’ da operação.

Em transmissão ao vivo realizada nesta terça (28), Aras disse que a Lava Jato teve um papel relevante, mas, segundo ele, ‘deu lugar a uma hipertrofia’. O PGR alegou ainda que busca transparência do Ministério Público Federal e apontou que a unidade de Curitiba tem 350 terabytes de informações e dados de 38 mil pessoas.

“Ninguém sabe como foram escolhidos, quais os critérios. Não se pode imaginar que uma unidade institucional se faça com segredos, com caixas de segredos”, afirmou.

As declarações de Moro e de Aras se dão em momento de atrito entre procuradores federais e a cúpula da PGR. O estopim da crise foi uma diligência da subprocuradora Lindora Maria Araújo, nome de confiança de Aras, para busca de informações da força-tarefa da operação em Curitiba. A PGR pediu ainda acesso às informações das unidades da operação no Rio e em São Paulo.

No início do mês, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, determinou às forças-tarefa que apresentem dados e informações da operação à Procuradoria-Geral da República.

Em outra linha, a Procuradoria-Geral da República propôs a criação da Unidade Nacional Anticorrupção (Unac) no MPF, o que centralizaria em Brasília o controle de operações e passaria a administração das bases de dados das forças-tarefa para uma secretaria ligada à Procuradoria. O relator da proposta, subprocurador Nívio de Freitas, disse em entrevista ao Estadão ser contra o compartilhamento irrestrito de dados da Lava Jato com PGR.

Tags: Augusto Aras Lava Jato Sérgio Moro
A+ A-