Morre o jornalista Gilberto Dimenstein

Fundador do site Catraca Livre lutava contra um câncer de pâncreas, com metástase no fígado.

Da redação,
Reprodução/Twitter
Jornalista premiado, Gilberto Dimenstein perdeu a batalha contra um câncer no pâncreas, com metástase no fígado.

Morreu na manhã desta sexta-feira (29), em São Paulo, aos 63 anos, o jornalista e escritor Gilberto Dimenstein. Ele lutava contra um câncer no pâncreas, descoberto no início de 2019. A doença já havia avançado para o fígado.

Filho de um pernambucano de origem polonesa e uma paraense, Dimenstein nasceu em São Paulo, em 28 de agosto de 1956 e se formou em jornalismo na  Faculdade Cásper Líbero.

Foi jornalista premiado e escreveu no jornal "Folha de S.Paulo" por 28 anos, de 1985 a 2013, onde também foi diretor na sucursal em Brasília e correspondente em Nova York e na rádio CBN. Foi ainda colunista e membro do conselho editorial de 1992 a 2013.

Dimenstein criou o site Catraca Livre, que seleciona atrações culturais desde 2009 e se tornou vitrine para soluções na área de mobilidade, lazer, educação, saúde e empreendedorismo. "Queremos ajudar as cidades a serem mais educadas, acolhedoras e criativas", afirma o portal ao apresentar-se. O site foi eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle em 2012 e apontado pela Universidade de Oxford, BBC e "Financial Times" como uma das mais importantes inovações digitais de impacto social no mundo em 2013.

O jornalista atuou no Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Última Hora, Visão e Veja, além de ter sido acadêmico visitante do programa de Direitos Humanos na Universidade de Columbia.

Dimenstein também se dedicou a projetos educacionais. Criou o programa bairro-escola, desenvolvido por meio do Projeto Aprendiz e replicado pelo mundo com ajuda da Unicef e Unesco. O projeto de formação profissional foi considerado referência mundial e "um exemplo de inovação comunitária" pela Escola de Negócios de Harvard.

Durante o tratamento contra o câncer, Dimenstein definiu a clareza maior da morte como "uma dádiva". "Não é o fim, mas um começo", disse em relato à "Folha de S.Paulo" sobre o diagnóstico da doença, recebido no ano passado.

O texto com a visão otimista sobre a doença e a nova forma de viver a vida viralizou. Dimenstein desceu do trem de alta velocidade de onde via uma linda paisagem borrada para escutar bem-te-vis e curtir o neto.

Em dezembro, o jornalista disse estar vivendo o momento mais feliz de sua vida. "Câncer é algo que não desejo para ninguém, mas desejo para todos a profundidade que você ganha ao se deparar com o limite da vida."

Escritor

Dimenstein é autor de diversos livros, como "A República dos Padrinhos: Chantagem e Corrupção em Brasília" (1988); "As Armadilhas do Poder - Bastidores da Imprensa" (1990); "A Guerra dos Meninos - Assassinatos de Menores no Brasil" (1995); "A Democracia em Pedaços" (1996); "O Aprendiz do Futuro" (1997); "O Mistério das Bolas de Gude" (2006); "Fomos Maus Alunos" (2009) e "Mundo de REP" (2002).

É coautor de "A Aventura da Reportagem" (1990), com Ricardo Kotscho; "A História Real - Trama de uma Sucessão" (1994), com Josias de Souza; "O Brasil na Ponta da Língua" (2002), com Pasquale Cipro Neto; "Prazer em Conhecer" (2008), com Miguel Nicolelis e Drauzio Varella; "É Rindo que se Aprende" (2011), com Marcelo Tas, entre outros.

Tags: Gilberto Dimenstein morte
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