Morre o ator Cecil Thiré, aos 77 anos, no RJ

Artista, filho de Tônia Carrero, foi encontrado morto em casa, no Humaitá.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Divulgação
Ator Cecil Thiré morreu nesta sexta-feira, de causas naturais, aos 77 anos. Ele era filho da atriz Tônia Carrero.

Filho único da união entre a atriz Tônia Carrero e o artista plástico Carlos Arthur Thiré, Cecil Thiré morreu enquanto dormia, nesta sexta-feira (9), em sua casa, no bairro do Humaitá, no Rio de Janeiro. Tinha 77 anos e há tempos sofria os efeitos do mal de Alzheimer.

Nascido em 28 de maio de 1943, no Rio, o ator assumiu a tradição artística da família. Além de ator e diretor de teatro, cinema e televisão, foi também professor de interpretação. No imaginário dos telespectadores, será sempre lembrado como o assassino na novela de Sílvio de Abreu, A Próxima Vítima.

O nome foi uma homenagem ao avô, o professor Cecil Thirté, que foi parceiro do lendário Malba Tahan na escrita de seus livros sobre matemática. Jovem e belo, estudou teatro com Adolfo Celi, com quem sua mãe foi casada entre 1951 e 1962, mas ao seguir carreira foi visto durante muito tempo apenas como o filho da grande estrela Tônia Carrero.

O próprio Cecil era o primeiro a admitir que foram necessários muitos anos de análise para se assumir como ator, incluindo contracenando com Tônia.

Cecil estreou no cinema aos 9 anos, num papel de Tico-Tico no Fubá, clássico da Vera Cruz dirigido por Celi e interpretado por sua mãe e Anselmo Duarte. Atuou em mais de 20 filmes. Foi assistente de direção de Ruy Guerra no clássico Os Fuzis, de 1964.

Dirigiu o curta Os Mendigos e os longas O Diabo Mora no Sangue e O Ibrahim do Subúrbio, esse último em parceria com Astolfo Araújo, cada um responsável pelo seu episódio (eram dois). Em 1971, estreou como diretor de teatro com a montagem de um grande texto de Henryk Ibsen, Casa de Bonecas.

Em 1975, ganhou o Prêmio Molière pela direção de A Noite dos Campreões, de Jason Miller. Em 1984, abandonou palco e tela para se tornar professor de interpretação, mas dez asnos depois voltou à ativa com três montagens seguidas. Era considerado um gentleman, mas seus maiores sucessos em novelas iam contra essa imagem. Estourou em Roda de Fogo, como o vilão gay Mário Liberato e, anos depois, de novo caiu no gosto do público como o assassino Adalberto Vasconcelos, de A Próxima Vítima.

Na Globo, ainda dirigiu os humorísticos O Show do Gordo e Zorra Total. Em 2006 saiu da emissora e foi ser ator e diretor na Record, da qual saiu em 2014. Entrou na Justiça contra a emissora, num processo por direitos trabalhistas, e venceu. Casou-se três vezes e teve quatro filhos, dos quais três são atores: Luisa, Carlos, Miguel, e sete netos,  Em um vídeo enviado pelo WhatsApp a pessoas próximas da família, Luisa lembrou com carinho do pai e contou que os últimos momentos haviam sido “bem difíceis".

"Ele vai deixar muita saudade. Papai foi um cara muito importante para a arte toda. Deixou muita coisa boa, muito aprendizado. Foi professor de muita gente, tanto de cinema quanto de teatro. Lembro de eu, pequena, entrando no Teatro Fênix, ele gravando o 'Viva o Gordo', e a claque inteira vindo falar comigo como papai era querido. Por onde andou, ele fez amigos de A a Z. Que ele descanse, porque ele merece. Esse final estava bem difícil", contou a atriz.

Uma de duas últimas aparições em público de Cecil Thirté foi março de 2018, quando assistiu, visivelmente abalado, à cremação do corpo de sua mítica mãe. À época, seu primo, Leonardo Thierry, contou que Cecil havia perdido a capacidade de andar e já mal falava, devido ao estágio avançado da doença: “Ele perdeu a capacidade de andar e em certas horas do dia fala muito mal. Cecil ficou muito abalado com a morte da mãe. As fotos que foram feitas no velório refletem a tristeza do momento. Os pacientes com Parkinson reagem muito mal ao estresse emocional”, disse Leonardo ao Extra.

Tags: Cecil Thiré morte obituário
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