Lobo-guará em extinção? Conheça animal que estampa nota de R$ 200

Presente na nova cédula, lobo-guará virou estrela na internet; veja onde ele pode ser encontrado, do que se alimenta e porque a espécie está ameaçada.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Sustenta Consultoria Ambiental
Lobo-guará, considerado uma espécie “vulnerável”, é natural de habitats como o cerrado e locais de campos abertos.

A nota de R$ 200 já está em circulação no país desde a quarta-feira (2) e o modelo que estampa a cédula, o lobo-guará, já virou celebridade na internet. Muita gente tem pesquisado sobre o animal. A busca foi tanta que superou a curiosidade até sobre a nova moeda. O que é muito bom para os objetivos do Banco Central, que pretende chamar atenção para o risco da extinção dos animais representados nas notas. 

As perguntas sobre o animal são diversas e vão desde se é possível domesticá-lo até se a espécie está em extinção. Confira abaixo as respostas para as principais dúvidas:

Onde o lobo-guará vive?

Eles são naturais de habitats como o cerrado e locais de campos abertos. No entanto, com o desmatamento crescente e o avanço da pecuária e agricultura sobre essas áreas, muitos deles têm migrado para regiões de Mata Atlântica. Isso acontece porque eles são animais que costumam caminhar muito, chegam a andar por 40 quilômetros somente em uma noite. 

As regiões que eles deveriam aparecer mais são os Estados localizados na região central do país e em alguns do Sul. Também há registros da presença deles em países como Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai. Mas, como acontece aqui, têm sido cada vez mais difícil encontrá-los na natureza.  Marcelo Maisonette Duarte, professor-adjunto de Ecologia da UERGS, conta que encontrou lobos-guará na região dos Pampas Gaúchos em 2009, durante uma pesquisa ao lado de Leandro Chisté Pinto, à época pesquisador na UFRGS. “Não se tinha registro da presença deles nos Pampas desde a década 1970”, diz. “No Uruguai há mais de 30 anos que não se tem registro”.

Douglas Brent, ecólogo e chefe de pesquisa do Bichos do Pantanal, programa do Instituto Sustentar, ressalta a raridade da espécie. Explica que, mesmo antes de entrarem para um estado de ameaça de extinção, eles não eram muito numerosos, porque eles não andam em bando e costumam conviver apenas com seus pares reprodutivos. “Eles não são muito sociáveis e vivem solitariamente”. 

O lobo-guará está em extinção?

Oficialmente ele é considerado uma espécie “vulnerável”, o que significa que ele está sob ameaça e que se nada for feito pode deixar de existir. O principal motivo da redução das populações atualmente é o desmatamento. “O cerrado hoje você pode chamar de uma grande lavoura de soja, e, diante disso, ou ele se adapta ou desaparece”, diz Duarte. Brent chama atenção para as queimadas ocorridas no País: “Incêndios florestais estão acontecendo em todos os lugares, estão ameaçando muito eles. O grande fator (de ameaça) é a falta de habitat”. 

Sarah Stutz, analista ambiental do Instituto Estadual de Florestas (IEF) de Minas Gerais, percebe a situação crítica na sua rotina de trabalho. Alocada em Juiz de Fora, cidade da zona da mata mineira, ela conta que foram encontrados seis lobos-guará na cidade somente neste ano. O índice preocupa, segundo ela, porque o IEF do município costuma encontrar cerca de três animais por ano. “Dois deles vieram a óbito por atropelamento”, relata a bióloga. “Eles precisam de uma área de vida grande, cerca de 70 km². Na busca por novos locais para viver, eles encontram rodovias, cães domésticos que passam doenças para eles... Infelizmente temos poucas áreas grandes, sem ameaça humana”.

O lobo-guará é perigoso?

Para quem tem medo de se deparar com um no quintal de casa, todos os especialistas disseram que o animal não é agressivo. “Ele é arisco, se vê um ser humano foge. Ele não é como um tigre da sibéria que te olha e vê um bife”, brinca Duarte. “Mas também não é dócil a ponto de você chamar e ele vir lamber a sua mão”. 

Do que o lobo-guará se alimenta? 

Ele é um animal onívoro, isso significa que se alimenta tanto de vegetais, quanto de carne. Não se sabe ao certo qual é o seu comportamento alimentar mais comum, se ele come mais um tipo de alimento do que outros. Stutz diz que o clima é  algo que pode influenciar na dieta deles. A bióloga explica que em áreas mais quentes, onde tem mais oferta de frutos, eles podem se alimentar mais de vegetais, como o fruto da lobeira, uma planta típica do cerrado. Já em locais mais frios e secos, pode ser que eles tendam a se alimentar mais de carne, como pequenos roedores e codornas, devido a menor oferta de vegetais. Há registros da presença deles tanto em hortas, quanto galinheiros, por exemplo. 

O lobo-guará pode ser domesticado?

Eles podem ser até bonitinhos, mas não é recomendado domesticá-los. “Acontece muito em zona rural, de as pessoas encontraram um filhote e começa a cuidar dele como se fosse cachorro”, diz Stutz. “Mas não é bom, porque ele é um animal silvestre. Tanto a gente pode contrair alguma doença, como raiva, quanto podemos passar doenças para eles”, completa.

Além disso, a pesquisadora destaca para a possibilidade de o bicho se estressar e se tornar agressivo, já que não é afeito a se relacionar com humanos. No caso de encontrar algum lobo-guará nas proximidades de casa, a recomendação é não se aproximar e acionar as autoridades ambientais da região. Polícias militares, bombeiros e o Ibama também podem ser acionados.

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