Manifestantes protestam contra racismo em unidade do Carrefour em Natal

Grupo chegou a fechar a marginal da BR-101 Marginal por cerca de 20 minutos.

Da redação,
Reprodução/redes sociais

Um protesto contra o racismo ocorreu na tarde deste sábado (21) no estacionamento do supermercado Carrefour, localizado em Candelária, na zona sul de Natal. O grupo de aproximadamente 150 pessoas lembrou a violência contra João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, que foi espancado até a morte por seguranças, em um supermercado da rede, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na noite de quinta-feira (19).

A manifestação em Natal foi organizada por intermédio das redes sociais e contou com a participação de universitários e representantes de movimentos sociais. Eles usaram cartazes e faixas - em uma delas estava escrito: "Parem de nos matar".

O supermercado Carrefour chegou a fechar as portas, para impedir que o grupo entrasse na loja, e a Polícia Militar foi acionada. O grupo fechou um trecho da marginal da BR-101 por cerca de 20 minutos e um carrinho de compras foi queimado durante o protesto.

Manifestações como a ocorrida em Natal também foram registradas em outras cidades do País, como São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Ontem (20), um grupo ateou fogo em uma das lojas do Carrefour, no bairro dos Jardins, na capital paulista.  A parte interna da loja teve vidros quebrados e derrubados no chão. A unidade fechou as portas com clientes dentro. A polícia fechou parte da rua para dispersar os manifestantes.

Ontem (20), o Carrefour emitiu uma nota, lamentando a morte de João Alberto Silveira Freitas e anunciando o rompimento do contrato com a empresa que responde pelos seguranças envolvidos no caso, além do desligamento do funcionário que estava no comando da loja no momento do fato.

Confira a íntegra da nota do Carrefour

Após a lamentável e brutal morte do senhor João Alberto Silveira Freitas na loja em Porto Alegre, no bairro Passo D’Areia, o Carrefour informa que:

– Definiu que todo o resultado de lojas Carrefour no Brasil nesta sexta-feira, 20 de novembro, será revertido para projetos de combate ao racismo no país. O valor será destinado de acordo com orientação de entidades reconhecidas na área. Essa quantia, obviamente, não reduz a perda irreparável de uma vida, mas é um esforço para ajudar a evitar que isso se repita;

– amanhã, 21/11, todas as lojas do Grupo em todo o Brasil abrirão duas horas mais tarde para que neste tempo possamos reforçar o cumprimento das normas de atuação exigidas pela empresa a seus funcionários e empresas terceirizadas de segurança;

– estamos buscando contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário neste momento difícil;

– a loja do bairro Passo D’Areia será mantida fechada;

Todas essas ações complementam as decisões já anunciadas de rompimento de contrato com a empresa que responde pelos seguranças envolvidos no caso e de desligamento do funcionário que estava no comando da loja no momento do ocorrido.

Reiteramos que, para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que ocorreu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais.

Tags: Carrefour protesto racismo
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