Variante Ômicron: veja quais países barram a entrada de brasileiros

Israel, Japão e Marrocos estão entre as nações que fecharam as fronteiras; Austrália atrasou reabertura do país e Reino Unido cobra testes dos viajantes.

Da redação, Estadão Conteúdo ,
Agência Brasil
Em documento enviado aos governos, a Organização Mundial da Saúde alertou que o risco global da variante Ômicron é “muito alto”.

A descoberta da variante Ômicron tem feito países adotarem novas ações na tentativa de controlar a pandemia. As restrições vão desde o fechamento de fronteiras para turistas vindos da região sul da África, onde a cepa foi inicialmente identificada, até o impedimento total da entrada de estrangeiros, decisão tomada por Israel, Japão e Marrocos.

Em documento enviado aos governos nesta segunda-feira, 29, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o risco global da variante Ômicron é “muito alto”. Segundo a entidade, as principais preocupações são a transmissibilidade, a capacidade de escape das vacinas existentes e o perfil de gravidade da nova cepa. Essas hipóteses, porém, ainda precisam ser testadas cientificamente. 

A nova variante já foi detectada no Brasil (dois casos confirmados em São Paulo) e em todos os outros continentes. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fechou as fronteiras aéreas para passageiros vindos de seis países: África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue. 

Na noite de sábado, a Anvisa publicou nota técnica complementar indicando a inclusão de quatro países na lista de restrição: Angola, Malaui, Moçambique e Zâmbia. Procurado, o Ministério da Casa Civil informou que está prevista  reunião para a tarde desta terça-feira, 30, para tratar do assunto.

Veja as restrições para viajantes brasileiros em cada país:

Israel

Com um caso da Ômicron confirmado, Israel tornou-se no sábado, 27, o primeiro país a fechar completamente suas fronteiras, e disse que usaria tecnologia de rastreamento por telefone para conter a propagação da variante. O primeiro-ministro Naftali Bennett disse que a proibição tem duração prevista de 14 dias, afetando brasileiros e pessoas de outras nacionalidades.

Japão

O Japão também anunciou o fechamento de suas fronteiras para estrangeiros a partir da meia-noite para evitar a propagação da variante Ômicron. Os japoneses e residentes permanentes que retornarem de países cuja Ômicron já foi detectada terão de ficar de quarentena em instalações designadas pelo governo, disse o primeiro-ministro do país, Fumio Kishida.

Não foi informado um prazo para encerramento das restrições, que também valem para brasileiros. Nesta terça, o Japão confirmou o primeiro caso da variante no país.

Austrália

A Austrália anunciou na segunda-feira que atrasaria a reabertura de sua fronteira internacional, antes prevista para esta quarta-feira, 1º de dezembro, em mais duas semanas. Com isso, os brasileiros também terão de esperar pelo período definido ou até por novas definições, caso a situação piore até lá. A alteração ocorre após o país relatar seus primeiros casos da variante Ômicron. Ao menos duas pessoas já testaram positivo para a cepa no país.

Reino Unido

O Reino Unido proibiu a entrada de não residentes britânicos de dez países do sul da África, e os residentes britânicos e irlandeses que chegarem desses países devem ficar em quarentena em um hotel aprovado pelo governo por dez dias.

Para conter a transmissão, o primeiro-ministro Boris Johnson anunciou ainda o retorno, meses depois de ter sido suspenso, da exigência de máscara em ambientes públicos, como no transporte público e em lojas. Os brasileiros que estiverem no Reino Unido, portanto, deverão seguir as novas determinações.

Os viajantes que desejarem ir ao país serão obrigados a fazer um teste de PCR no segundo dia após a chegada e se isolar até obter um resultado negativo, disse Johnson em entrevista coletiva no sábado. "As medidas que estamos tomando hoje, incluindo em nossas fronteiras e máscaras faciais, são temporárias e preventivas e as revisaremos em três semanas", disse o primeiro-ministro. 

Canadá

Para tentar impedir a disseminação do Ômicron, o Canadá anunciou o fechamento de suas fronteiras para viajantes estrangeiros que estiveram recentemente em sete países do sul da África: África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Moçambique, Namíbia e Zimbábue.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) e o Departamento de Estado desaconselharam no sábado viagens para oito países da África Austral. A lista é a mesma do Canadá, com acréscimo de Malaui. As restrições não incluem residentes e cidadãos americanos.

No final de outubro, o governo dos Estados Unidos estabeleceu que viajantes que não sejam cidadãos ou imigrantes devem estar completamente imunizados contra covid-19 e apresentar o comprovante de vacinação antes de embarcar para o país.

União Europeia

A União Europeia anunciou na última semana restrições a viagens vindas de sete países da África Austral: Botsuana, Eswatini, Lesoto, Moçambique, Namíbia, África do Sul e Zimbábue.

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, países como a África do Sul e a Botsuana deveriam ser agradecidas por terem detectado e relatado a nova cepa, não penalizadas. “A Ômicron demonstra exatamente por que o mundo precisa de um novo acordo sobre pandemias: nosso sistema atual desincentiva os países de alertar outros sobre ameaças que inevitavelmente pousarão em suas costas”, explicou.

Holanda

A Holanda endureceu as restrições para conter o coronavírus em resposta ao aumento no número de casos. Locais recreativos, como bares, museus, cinemas e cafés, devem fechar até as 17h pelas próximas três semanas.

Na última sexta, autoridades de saúde holandesas notificaram 61 casos de covid-19 entre um grupo de 600 passageiros vindos da África do Sul. Do total, 13 testes deram positivo para a variante Ômicron. A Holanda proibiu todas as viagens aéreas do sul da África, mas os dois voos da KLM já haviam decolado.

O governo da Holanda afirmou nesta terça que a variante Ômicron do coronavírus já estava presente no país em 19 de novembro — uma semana antes do que se acreditava até agora. Novos testes estão sendo realizados para descobrir o quão rapidamente a variante se propagou pelo país.

Suíça

A Suíça disse nesta segunda-feira, 29, que qualquer pessoa, vacinada ou não, que chegar de qualquer um dos países da lista crescente de nações onde a variante foi detectada deve ficar em quarentena por dez dias. A medida ainda não afeta o Brasil, mas a situação poderá mudar caso os casos investigados sejam confirmados no País.

Índia

A Índia tornará o teste covid-19 obrigatório para viajantes de mais de uma dúzia de países, incluindo África do Sul e Reino Unido, onde a variante Ômicron foi detectada. A decisão, implementada a partir desta quarta-feira, 1º, foi tomada após um homem que voltou da África do Sul teve um teste positivo para covid-19, embora ainda não esteja claro qual variante do vírus ele contraiu.

Polônia

A Polônia anunciou na segunda a proibição de voos para sete países africanos. O país estenderá o período de quarentena para alguns viajantes e reduzirá o número permitido de pessoas em lugares como restaurantes, em meio a preocupações com a nova variante Ômicron do coronavírus.

Marrocos

O Marrocos informou no domingo a proibição da entrada a todos os viajantes, até mesmo a cidadãos marroquinos, por um período de duas semanas. A restrição, que também abarca países que ainda não confirmaram casos da Ômicron, como o Brasil, foi implementada a partir desta segunda-feira.

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