Uribe nega permissão para viagem das Farc à Venezuela

Presidente colombiano negou qualquer autorização ao grupo guerrilheiro.

A seis dias do encontro entre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em Caracas, o presidente colombiano Álvaro Uribe negou qualquer autorização para que o grupo guerrilheiro viaje à Venezuela.

"Quando se viu que o governo tem que dar autorização a esses anjinhos de Deus? O presidente Chávez e eu já falamos desse tema", afirmou Uribe nesta terça-feira a uma rádio colombiana, em referência ao encontro que se realizará na próxima segunda-feira em Caracas.

"Eles inventarão a maneira de chegar lá", acrescentou. O número dois das Farc, Raul Reyes, deve se reunir com Chávez, que assumiu o papel de mediador entre o governo da Colômbia e as Farc na busca por um acordo humanitário.

Em jogo, está a libertação de 45 reféns em troca de cerca de 500 integrantes do grupo guerrilheiro detidos pelo Exército colombiano.

Impasse

Por enquanto, as negociações estão travadas. As Farc exigem que Uribe ordene uma retirada militar em determinada zona do território colombiano para garantir a segurança dos rebeldes no momento da troca de prisioneiros.

O governo colombiano não aceita desmilitarizar qualquer região e exige que os rebeldes libertados das prisões não regressem à atividade guerrilheira.

Em uma tentativa de restabelecer o controle das negociações, Álvaro Uribe propôs na semana passada, após uma reunião com o presidente francês Nicolas Sarkozy, que uma comissão de parlamentares americanos acompanhe o encontro entre Chávez e as Farc.

O presidente venezuelano aceitou a proposta: "Neste caso, não há cores políticas. Tomara que Bush se coloque à disposição para ajudar", afirmou Chávez na semana passada, após um encontro com familiares dos reféns.

Na noite de segunda-feira, Chávez se reuniu com a senadora Piedad Córdoba, escolhida por Uribe para facilitar o processo, para preparar a agenda, que poderá incluir a presença de Luis Carlos Restrepo, representante da presidência colombiana.

Acordo de Paz

Enquanto Uribe trata de impedir que as Farc ganhem "terreno político", o grupo guerrilheiro, por meio de um comunicado publicado em sua página na internet, anunciou "um grande acordo de paz para refundar a nova Colômbia".

O manifesto inclui a convocatória de uma Assembléia Constituinte "que permita mudanças ao povo e à democracia".

O comunicado não menciona um pacto com o governo Uribe e convoca a sociedade colombiana a participar.

"O objetivo é a criação de uma alternativa para a mudança, que surja de um grande acordo nacional pela paz, justiça, soberania e o decoro da nação, que se proponha um novo governo para salvar a Colômbia do abismo", diz o texto.

Fonte: BBC Brasil
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